Fechar
GP1

Internacional

Novo ataque deixa ao menos 14 mortos e 30 feridos na Rússia

Explosão em ônibus ocorre um dia depois de atentado deixar 17 mortos em estação de trem em Volgogrado.

Imagem: Reuters Clique para ampliarImagem extraída de vídeo mostra o trabalho do serviço de emergência após ato terrorista(Imagem:Reuters )Imagem extraída de vídeo mostra o trabalho do serviço de emergência após ato terrorista
Ao menos 14 pessoas morreram e 28 ficaram feridas nesta segunda-feira, 30, no segundo atentado em 24 horas em Volgogrado, no sul da Rússia. Um suicida detonou explosivos em um trólebus que trafegava pela cidade. No domingo, quando outras 17 pessoas morreram, o alvo foi a principal estação de trem na cidade, atacada por uma mulher-bomba originária do Daguestão, república separatista de maioria islâmica.

O presidente Vladimir Putin ordenou reforçar a segurança na região e no resto do país. A série de atentados ocorre a dois meses da Olimpíada de inverno, em Sochi, a 650 km de Volgogrado.

Autoridades russas disseram que a explosão do ônibus foi causada por um artefato provavelmente colocado na área de passageiros. Janelas do veículo e de prédios próximos ficaram estilhaçadas. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos atentados. Esse é o terceiro ataque a bomba em ônibus na cidade de Volgogrado em 2013. A primeira explosão foi em outubro. Seis pessoas morreram na ocasião.

"Estamos morrendo pelo segundo dia seguido, que pesadelo", disse uma sobrevivente da explosão a jornalistas. "O que devemos fazer agora?"

Segundo autoridades russas, os restos da bomba eram idênticos aos da explosão de domingo. O porta-voz da polícia de Volgogrado, Vladimir Markin, acredita que, por essa razão, é grande a probabilidade de os atentados estarem interligados. "Acreditamos que os ataques foram planejados no mesmo lugar", declarou.

O Ministério do Interior ordenou a polícia para aumentar a segurança em torno de estações de trem e outros terminais de transporte em toda a Rússia. Putin passou a manhã reunido com o chefe da principal agência de segurança russa, a FSB (sucessora da KGB soviética, da qual ele próprio foi membro). Segundo a agência Itar-Tass, moradores de Volgogrado, especialmente migrantes, estão tendo suas identidades checadas pela polícia.

Antes dos atentados, ao menos 600 policiais foram deslocados de Volgogrado para Sochi, para ampliar a segurança da sede das Olimpíadas de Inverno. Analistas esperam mais atentados e cidades do sul da Rússia fora do programa dos Jogos são alvos mais fáceis.

"A ameaça é maior agora, porque a chance de impacto de qualquer ação terrorista é maior", disse Alexei Filatov, um ex-agente da Alfa, a unidade de elite antiterrorismo russa. "Como o entorno de Sochi está seguro, eles atacam cidades nos arredores, como Volgogrado."

Além da facilidade logística, analistas apontam o simbolismo histórico como outro fator para Volgogrado ter sido palco dos ataques. Batizada de Stalingrado durante a União Soviética, a cidade foi palco da maior batalha da Segunda Guerra Mundial, quando o Exército Vermelho repeliu a ofensiva nazista no front oriental do conflito.

"Volgogrado é um símbolo da Segunda Guerra Mundial. Muitos líderes terroristas a elegeram como alvo justamente pelo status que a cidade têm na memória das pessoas", disse o analista Dmitri Trenin, do Carnegie Endowment.

Os ataques também ameaçam ampliar a tensão étnica no sul da Rússia, provocada pela migração de trabalhadores muçulmanos das repúblicas do Norte do Cáucaso da Ásia Central.

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.