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Manifestantes ocupam praça no centro de Kiev há mais de 70 dias
A União Europeia anunciou que estuda um programa de socorro financeiro à Ucrânia, país paralisado por uma crise política que dura mais de 70 dias. A confirmação foi feita pela representante para Relações Exteriores, Catherine Ashton, que não revelou os valores em análise.
Manifestantes ocupam praça no centro de Kiev há mais de 70 diasO plano tem como objetivo contrabalançar a influência do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que anunciou o empréstimo de US$ 15 bilhões - dos quais US$ 3 bilhões já foram transferidos para Kiev - e a redução do preço do gás.
O empréstimo russo foi divulgado em 17 de dezembro, 26 dias depois que o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, anunciou a suspensão das negociações sobre um acordo de associação com a União Europeia, voltando-se para uma parceria com a Rússia. A decisão foi o estopim da crise política, levando multidões às ruas da capital, Kiev, e das principais cidades do oeste do país - pró-Europeu. Desde então, um acampamento gigante foi montado na Praça da Independência, rebatizada de Europraça pela oposição.
Ashton confirmou ao jornal Wall Street Journal que a União Europeia, com a possível participação dos EUA, tem a intenção de apresentar um pacote de ajuda econômica à Ucrânia, com o objetivo de auxiliar o país a enfrentar a crise econômica na qual está mergulhado. A Ucrânia registrou em 2013 crescimento negativo de 2%, déficit público elevado - de 6% - e tem dificuldades para reembolsar uma parcela de US$ 4 bilhões relativos a um empréstimo de US$ 15 bilhões concedido pelo FMI em 2011. O "plano ucraniano" pode ser homologado já na próxima reunião de ministros europeus de Relações Exteriores, marcada para o dia 10, em Bruxelas.
A presidência da Ucrânia confirmou que Yanukovich retornou ao trabalho depois de cinco dias afastado por um suposto problema respiratório. O presidente tem como missão mais urgente nomear um novo primeiro-ministro - em substituição a Mykola Azarov, que renunciou ao cargo na semana passada - e retomar o diálogo com a oposição, que permanece ocupando a Praça da Independência e prédios públicos em várias cidades do país.
Repercussão
Nas fileiras da oposição, a proposta da UE de oferecer um pacote de socorro à Ucrânia foi condicionada à nomeação de um premiê oposicionista e com amplo controle sobre o governo. Em entrevista à rede de TV Kanal 5, o ex-ministro da Economia Arseni Yatseniuk, um dos líderes da mobilização popular, impôs ainda como condição uma ampla reforma constitucional.
Já o governo russo não comentou a oferta de ajuda financeira. Na Praça da Independência, na segunda-feira, a mobilização continuava, indiferente ao risco de radicalização que pesa sobre os dois lados após o comunicado das Forças Armadas dando 15 dias para Yanukovich acabar com a crise. Para Maxim Ivashchenko, 24 anos, programador, os protestos precisam seguir até que o governo caia. "Muita gente ficou ferida ou foi morta nas manifestações. Esses eventos dizem respeito a todos nós. Toda a Ucrânia está vivendo esse risco", argumenta.
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