Pelo menos quatro grandes petroleiros suspenderam operações em portos da Venezuela diante do aumento da pressão exercida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o governo de Nicolás Maduro. A decisão das companhias foi tomada na segunda-feira, após autoridades americanas apreenderem uma embarcação que transportava quase dois milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, carga que teria como destino a estatal PDVSA.
A ação dos Estados Unidos provocou um efeito em cadeia no setor, aprofundando ainda mais a crise enfrentada pela indústria energética venezuelana. O endurecimento das medidas teve início na semana passada, quando um superpetroleiro do tipo VLCC foi confiscado sob a acusação de transportar petróleo venezuelano de forma irregular, em descumprimento às sanções internacionais, incluindo as impostas por Washington.
Durante a operação, foi constatado que a embarcação utilizava bandeira falsa e já havia participado do comércio ilegal de petróleo proveniente do Irã, outro país alvo de sanções internacionais. Com o avanço das ações americanas, estimativas apontam que mais de 11 milhões de barris de petróleo venezuelano estejam retidos em navios na região, seja aguardando novas instruções, seja com contratos de carregamento cancelados.
Atualmente, apenas embarcações fretadas pela Chevron seguem operando normalmente, graças a uma autorização especial concedida pelo governo dos Estados Unidos. Ainda na segunda-feira, forças americanas também realizaram ataques contra três navios supostamente ligados ao narcotráfico no Pacífico Oriental, próximo à Colômbia, como parte da operação denominada Lança do Sul.
Rodrigo Mendes
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