Em uma reportagem analítica, o jornal britânico The Guardian descreveu como o empresário brasileiro Joesley Batista vem atuando como intermediário do Governo Lula (PT). O texto trata especialmente de movimentos informais feitos em disputas diplomáticas recentes.
É descrito que Joesley Batista viajou a Caracas em novembro, em meio a escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela, para se reunir com o ditador Nicolás Maduro. A visita, segundo o periódico, era tentar convencer o chefe do regime chavista a deixar o poder, o que não produziu resultados imediatos.
Conforme a análise do The Guardian, a situação levanta questionamentos em torno da atuação de um empresário sem mandato oficial nos temas sensíveis da política internacional. Ainda segundo o jornal, a viagem à Venezuela não foi um ato isolado de Joesley, e o aponto como figura fundamental na reaproximação entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ambos os líderes tinham se distanciado diplomaticamente, e posteriormente os EUA aplicaram impostos tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação à conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) contra adversário políticos, classificada por Washington como uma “caça às bruxas”. Com isso, empresários brasileiros passaram a pressionar Washington pela redução das tarifas.
Mais uma vez, o jornal britânico indicou o protagonismo de Joesley Batista, que obteve acesso direto ao presidente norte-americano, e conseguiu argumentar que a taxação prejudicava os consumidores e ainda fortaleciam Lula politicamente. Meses depois, petista e republicano se reuniram e depois os EUA anunciou a retirada de grande parte das sobretaxas.
Carolina Matta
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