Mísseis disparados pelo Irã atingiram as cidades de Tel Aviv e Haifa, em Israel, neste domingo (22), causando grandes danos e ampliando a tensão no Oriente Médio. O ataque ocorreu em resposta à ofensiva dos Estados Unidos, que na noite de sábado (21) bombardeou três instalações nucleares iranianas.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou a operação em pronunciamento oficial, alertando que, se o Irã não se comprometer com a paz, novas retaliações poderão ocorrer. “Foi um sucesso militar espetacular. As principais instalações de enriquecimento nuclear do Irã foram completa e totalmente destruídas”, afirmou em discurso transmitido pela televisão.
Trump reforçou que o futuro do Irã depende de “paz ou tragédia” e alertou que outros alvos estão na mira dos militares americanos. “Se a paz não chegar logo, atacaremos esses outros alvos com precisão, velocidade e habilidade”, disse.
A decisão foi tomada antes mesmo do prazo de duas semanas que o próprio Trump havia estabelecido, elevando o conflito a um novo patamar e desencadeando temores sobre uma escalada sem precedentes na região.
Detalhes da ofensiva americana
De acordo com Trump, os ataques tiveram como alvos as instalações de Natanz, Isfahan e Fordow. Segundo informações da Fox News, seis bombas antibunker foram lançadas sobre Fordow, enquanto 30 mísseis Tomahawk atingiram os demais complexos. Bombardeiros B-2 stealth também participaram da operação, confirmou uma autoridade americana à agência Reuters, sob anonimato.
Pelas redes sociais, Trump comemorou: “Uma carga completa de bombas foi lançada no local principal, Fordow. Fordow não existe mais”.
Fontes do governo iraniano confirmaram que Fordow sofreu danos, mas minimizaram os impactos. Mohammad Manan Raisi, deputado de Qom, afirmou à agência semi-oficial Fars que a instalação não sofreu prejuízos significativos.
Ainda segundo a mídia iraniana, a Organização de Energia Atômica do país não detectou vazamentos radioativos nem riscos para a população. Autoridades locais afirmaram que os materiais sensíveis haviam sido transferidos previamente e que as instalações estavam evacuadas.
Diplomacia em colapso
A resposta de Israel veio rapidamente. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a ofensiva americana e classificou a decisão de Trump como “corajosa”. “A história registrará que o presidente Trump agiu para privar o regime mais perigoso do mundo das armas mais perigosas”, declarou.
Por outro lado, a comunidade internacional reagiu com preocupação. O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a operação como “uma escalada perigosa em uma região que já está à beira do colapso” e alertou para riscos diretos à paz e à segurança mundial.
O Sultanato de Omã, que vinha atuando como mediador nas negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, condenou os bombardeios americanos. “Essa agressão ilegal ameaça ampliar o escopo da guerra e constitui uma grave violação do direito internacional”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Omã, pedindo uma “redução imediata da escalada”.
Reunião de emergência na ONU
Diante do agravamento da crise, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Governadores, marcada para esta segunda-feira (23), na sede da agência, em Viena, na Áustria.
“Diante da situação urgente no Irã, estou convocando uma reunião de emergência do Conselho de Governadores para amanhã”, escreveu Grossi na rede social X (antigo Twitter).
Rauena Pinheiro
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