Drones russos cruzaram a fronteira da Polônia na noite de terça-feira (9), levando as Forças Armadas do país a acionarem caças F-16 para conter a ameaça. De acordo com a imprensa ucraniana, pelo menos dois drones foram derrubados, tornando-se os primeiros alvos russos neutralizados diretamente por um país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
O episódio ocorreu próximo à cidade de Rzeszów, a cerca de 100 quilômetros da fronteira ucraniana, onde funciona um importante centro de logística militar. O aeroporto da região foi fechado temporariamente, e o tráfego aéreo foi interrompido por questões de segurança. A Otan também mobilizou aeronaves de outros países, incluindo um caça F-35 dos Estados Unidos, um avião-tanque holandês e uma aeronave de vigilância da Itália.
Segundo os monitores aéreos ucranianos, ao menos 13 drones russos atravessaram o território polonês, número muito superior ao observado em ofensivas anteriores. A movimentação levou à ativação de alertas aéreos também na Eslováquia e na Romênia, que relataram violações pontuais de espaço aéreo. A Rússia havia realizado, dias antes, o maior bombardeio da guerra, com 810 drones e 13 mísseis lançados contra alvos ucranianos, incluindo prédios do governo central em Kiev.
O governo polonês afirmou que não tolerará invasões territoriais e reforçou seu monitoramento diante da escalada bélica. A Polônia é um dos países que mais destinam recursos à defesa dentro da Otan, investindo mais de 4% do seu Produto Interno Bruto, valor acima da meta estabelecida pela aliança, que é de 2%. A postura dura contra Moscou se soma ao histórico de tensões desde a Segunda Guerra Mundial.
A Ucrânia, por sua vez, teme que a intensificação dos ataques seja um sinal de nova ofensiva aérea em larga escala. Bombardeiros estratégicos russos e navios equipados com mísseis de cruzeiro foram deslocados para posições estratégicas, aumentando a preocupação internacional. As tensões crescem em paralelo às negociações diplomáticas, que até agora não tiveram avanços significativos, mesmo após encontros entre Vladimir Putin, Volodymyr Zelensky e Donald Trump.
Davi Fernandes
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