O Nepal viveu entre segunda (8) e terça-feira (9) uma revolta sem precedentes liderada pela chamada Geração Z, após o governo bloquear redes sociais em meio a uma onda de críticas contra a elite política. A medida, somada à desigualdade social e a escândalos de corrupção, desencadeou protestos violentos na capital Katmandu, com incêndios em prédios governamentais, agressões a autoridades e dezenas de mortos.
Segundo o Banco Mundial, um em cada cinco nepaleses vive na pobreza, enquanto 22% dos jovens de 15 a 24 anos estão desempregados. Essa realidade, contrastada com a ostentação de políticos e seus familiares nas redes sociais, alimentou a revolta. Muitos jovens organizaram campanhas digitais para denunciar privilégios da elite, mas o bloqueio às plataformas tradicionais aumentou a insatisfação, levando-os a mobilizar protestos pelo TikTok e Viber.
Durante as manifestações, a sede do governo, o Parlamento e a Suprema Corte foram incendiados. Casas de autoridades, incluindo a do primeiro-ministro que renunciou, Khadga Prasad Oli, também foram atacadas. Pelo menos 19 pessoas morreram apenas no primeiro dia de protestos, número que ampliou a violência no dia seguinte, mesmo após a saída do premiê.
A instabilidade política no Nepal remonta aos anos 1990, marcada por guerra civil e pela abolição da monarquia em 2008. A democracia no país ainda é considerada frágil e convive com constantes crises. O atual presidente Ram Chandra Poudel, de centro-esquerda, tenta manter a governabilidade em meio ao caos, enquanto cresce a popularidade de Balendra Shah, prefeito de Katmandu e nome mais citado para liderar o país.
Além dos prédios oficiais, aeroportos e hotéis foram danificados, e o aeroporto internacional de Katmandu foi fechado devido à fumaça dos incêndios. Civis armados circularam pelas ruas durante os confrontos. Mesmo após a renúncia do premiê e o desbloqueio das redes sociais, a mobilização continuou.
Davi Fernandes
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