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De motorista a ditador: a ascensão e queda de Nicolás Maduro na Venezuela

Trabalhou como motorista de ônibus e atuou como organizador sindical, depois se aproximou de Hugo Chávez.

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, que foi capturado e retirado do país na madrugada de sábado após uma ofensiva militar de grande escala realizada pelos Estados Unidos, cumpria seu terceiro mandato à frente do governo venezuelano, tornou-se um dos líderes mais procurados pelas autoridades norte-americanas, com uma recompensa anunciada de 50 milhões de dólares por informações que levassem à sua prisão.

Nascido em 23 de novembro de 1962, em Caracas, Maduro teve uma formação acadêmica limitada após o ensino médio. Em 1986, foi enviado para Cuba, onde passou um ano recebendo instrução ideológica. Ao retornar à Venezuela, trabalhou como motorista de ônibus e atuou como organizador sindical, período em que iniciou sua aproximação com o então militar Hugo Chávez, após a tentativa frustrada de golpe de Estado liderada por Chávez em 1992.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Valter Campanato/Agência BrasilNicolás Maduro
Nicolás Maduro

Com a eleição de Chávez à Presidência em 1998, Maduro passou a integrar o núcleo político do novo governo. Em 2000, foi eleito deputado da Assembleia Nacional da Venezuela e, em 2005, assumiu a presidência do Parlamento. No ano seguinte, foi nomeado ministro das Relações Exteriores, cargo que ocupou até ser escolhido como vice-presidente em 2012, consolidando-se como o principal herdeiro político do chavismo.

Maduro assumiu a Presidência em 2013, após a morte de Chávez, em um contexto marcado por instabilidade política e dificuldades econômicas. Durante sua gestão, o país enfrentou retração econômica profunda, hiperinflação, escassez de produtos básicos e sucessivas ondas de protestos. A repressão às manifestações resultou em centenas de mortes ao longo dos anos, além de investigações internacionais, incluindo a abertura de apuração pelo Tribunal Penal Internacional em 2018.

Nos Estados Unidos, o Departamento de Estado e o Departamento de Justiça acusaram Maduro de envolvimento em narcotráfico e narcoterrorismo, incluindo suposta ligação com o chamado Cartel dos Sóis e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Em março de 2020, ele foi formalmente indiciado no Distrito Sul de Nova York por crimes relacionados ao tráfico internacional de drogas e uso de armamentos, o que ampliou sua condição de alvo prioritário das autoridades norte-americanas.

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