Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela após a destituição de Nicolás Maduro, ocorrida na madrugada de sábado (3), durante uma operação conduzida por forças dos Estados Unidos. Até então vice-presidente executiva do governo chavista, ela foi alçada ao cargo por decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), medida que teve reconhecimento oficial do Itamaraty. Segundo autoridades americanas, Rodríguez teria sinalizado disposição para cooperar em um processo de transição política.
Primeira mulher a ocupar a presidência do país, Delcy Rodríguez construiu sua trajetória política dentro do chavismo. Ex-chanceler da Venezuela entre 2014 e 2017, ela foi uma das principais representantes do regime em fóruns internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Mercosul. Sua atuação esteve ligada à defesa da Revolução Bolivariana e à articulação institucional do governo diante de pressões externas.
Nas primeiras horas após a operação americana, Rodríguez adotou um discurso público de confronto. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, classificou a ação como uma agressão à soberania venezuelana e declarou que a captura de Maduro foi um sequestro. “Exigimos a imediata liberação do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, único presidente da Venezuela”, afirmou, ao lado de autoridades do alto escalão do governo e das Forças Armadas.
Filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista da Venezuela, Delcy nasceu em 1969 e tem formação em Direito, com especialização na Europa. Ao lado do irmão, Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional, ocupa posição central na estrutura de poder do chavismo. Ela é alvo de sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia, Canadá e outros países, sob acusações relacionadas a corrupção, violações de direitos humanos e subversão da ordem democrática.
Caroline Vitorino
Ver todos os comentários | 0 |