Ampliando sua presença estratégica no Cáucaso, os Estados Unidos firmaram um acordo de cooperação em energia nuclear civil com a Armênia. O entendimento foi fechado durante um encontro entre o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, realizado na segunda-feira (9), em Erevan.
Segundo o governo dos EUA, a iniciativa integra o acordo de paz firmado entre Armênia e Azerbaijão em agosto do ano passado, mediado pelo então presidente Donald Trump. Em nota, a embaixada norte-americana em Erevan afirmou que o pacto estabelece uma “base legal ampla” para o desenvolvimento de projetos conjuntos no setor nuclear.
O avanço da parceria também representa mais um revés para a Rússia, cuja influência sobre a Armênia vem diminuindo desde 2023. Naquele ano, durante o conflito de Nagorno-Karabakh, o governo armênio acusou Moscou de não cumprir seu papel como aliada, ao não intervir na ofensiva do Azerbaijão contra o enclave, que durou cerca de 24 horas e resultou no deslocamento de armênios étnicos.
De acordo com a imprensa estatal armênia, Pashinyan classificou o acordo como uma oportunidade estratégica para diversificar as fontes de energia do país, ainda fortemente dependente da Rússia nesse setor.
A cooperação nuclear com Washington se soma a outros movimentos que evidenciam o fortalecimento da presença norte-americana na Armênia. Um dos exemplos mais simbólicos é o próprio acordo de paz entre Erevan e Baku, que prevê a criação de um corredor ligando o Azerbaijão ao seu exclave de Naquichevão, atravessando território armênio. A rota recebeu o nome de “Rota Trump para a Paz e Prosperidade Internacional (TRIPP)”.
Rodrigo Mendes
Ver todos os comentários | 0 |