Mais de 10 milhões de cubanos ficaram sem energia nesse sábado (21), após o colapso total do sistema elétrico nacional, marcando a segunda grande interrupção em menos de uma semana. O apagão ocorre em meio à crescente crise energética enfrentada pela ilha, agravada pela escassez de combustível e pela precariedade da infraestrutura.
De acordo com a estatal Unión Eléctrica, responsável pelo setor, a queda ocorreu por volta das 18h32, quando houve o desligamento completo do sistema elétrico. A empresa informou que segue monitorando a situação e fornecendo atualizações à população.
Este é o terceiro grande apagão registrado em Cuba apenas no mês de março e o mais recente de uma série de falhas recorrentes que vêm atingindo o país desde 2024. No dia 4, uma falha em uma usina termelétrica deixou grande parte do território às escuras, enquanto outro colapso total foi registrado na última semana, sem causa oficialmente esclarecida.
Neste domingo (22), o Ministério de Energia e Minas concentrava esforços para restabelecer o fornecimento, priorizando serviços essenciais como hospitais, distribuição de alimentos e abastecimento de água. A recomposição do sistema, no entanto, é considerada lenta e complexa, especialmente diante da falta de combustível para alimentar as usinas.
Crise estrutural e pressão externa
A sequência de apagões evidencia o colapso progressivo do sistema energético cubano, que enfrenta problemas estruturais há anos. A situação se agravou em 2026 com a interrupção no fornecimento de petróleo, historicamente garantido por aliados como a Venezuela, e impactado por medidas adotadas pelos Estados Unidos.
Sem combustível suficiente e com usinas antigas e sem manutenção adequada, o país tem registrado falhas frequentes e longos períodos de racionamento de energia. Antes mesmo dos apagões mais recentes, moradores já conviviam com cortes diários de várias horas.
No cenário político, o aumento da pressão externa e o agravamento da crise econômica intensificam as incertezas sobre o futuro do país. Autoridades cubanas confirmaram a existência de diálogos com os Estados Unidos, enquanto analistas apontam que a crise energética se tornou um dos pontos mais críticos da atual conjuntura.
Jeyson Moraes
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