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Delegado da PF expulso por Donald Trump deveria ter deixado o cargo há um mês

A substituição foi assinada pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, no dia 17 de março.

O delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, expulso dos Estados Unidos pelo governo do presidente Donald Trump, já deveria ter deixado o cargo de oficial de ligação em Miami desde março. A substituição foi assinada pelo diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues, no dia 17 de março, com início previsto três dias depois, mas só foi efetivada nesta segunda-feira (20).

Carvalho atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas. Com a mudança, o posto passa a ser ocupado pela delegada Tatiana Alves Torres por um período de dois anos, conforme publicação no Diário Oficial da União. Segundo informações, o delegado foi expulso sob a acusação de “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” em território norte-americano.

A decisão surpreendeu integrantes da Polícia Federal e do governo brasileiro. A substituição ocorreu dias após Carvalho atuar com o ICE na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, considerado foragido pelo Supremo Tribunal Federal em investigação relacionada à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Nesta terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode adotar medida de reciprocidade em relação à expulsão. “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade”, declarou, durante agenda oficial em Hannover.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que aguarda esclarecimentos das autoridades norte-americanas sobre o caso.

A expectativa é que Marcelo Ivo de Carvalho se reúna ainda nesta terça-feira (21) com a cúpula da Polícia Federal após retornar ao Brasil. A instituição não informou o horário nem o local de chegada.

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