O principal foco do surto está na província de Ituri, região marcada por forte crise humanitária e conflitos armados, o que dificulta o controle da doença. Segundo Tedros, cerca de uma em cada quatro pessoas depende atualmente de ajuda humanitária, enquanto uma em cada cinco está deslocada dentro do próprio território. “A violência está obrigando as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e trabalhadores humanitários, o que dificulta seriamente o rastreamento de contatos e a detecção precoce de novos casos”, afirmou o dirigente da OMS.
Além da instabilidade na região, autoridades de saúde enfrentam resistência de parte da população e a disseminação de informações falsas sobre a doença. Na última semana, manifestantes incendiaram tendas de atendimento após um impasse relacionado ao enterro seguro de uma pessoa que poderia ter morrido em decorrência do vírus.
O avanço da doença já ultrapassou as fronteiras congolesas. Em Uganda, país vizinho à RDC, o número de casos confirmados chegou a cinco durante o fim de semana. Um cidadão norte-americano infectado no Congo está internado no hospital Charité, em Berlim. Segundo a instituição, ele não precisa de cuidados intensivos no momento.
O atual surto foi oficialmente declarado em 15 de maio, na província de Ituri. Um dia depois, a OMS classificou a situação como “emergência de saúde pública de importância internacional”. A entidade avalia que existem sinais de que o vírus circulava silenciosamente há vários meses antes da identificação oficial.
O combate à epidemia enfrenta um obstáculo adicional: o surto é provocado pela variante Bundibugyo, considerada rara e para a qual ainda não existe vacina nem tratamento específico disponível. A taxa de mortalidade da doença varia entre 30% e 50%, segundo estimativas da OMS.
Leandro Soares
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