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Governo Trump pediu a procuradores para não investigar ditadora da Venezuela, diz agência

Governo Trump busca preservar aproximação diplomática com a Venezuela.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria orientado procuradores do Departamento de Justiça americano (DOJ) em Miami a não avançarem em possíveis investigações criminais envolvendo a ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. A informação foi divulgada pela Associated Press na quarta-feira (27). Ao ser questionado pela agência, o Departamento de Justiça afirmou que “nunca houve uma investigação contra ela para ser encerrada”.

Apesar da declaração oficial, documentos obtidos pela Associated Press indicam que Rodríguez já aparecia no radar da Administração de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA) desde pelo menos 2018. Ainda assim, ela nunca chegou a ser formalmente denunciada pela Justiça americana. Segundo a reportagem, integrantes do governo americano afirmaram que a orientação para interromper qualquer avanço nas apurações teria como objetivo evitar desgastes nos esforços da Casa Branca para estabilizar a Venezuela após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.

Foto: ReproduçãoDonald Trump e Delcy Rodrigues
Donald Trump e Delcy Rodrigues

“Todos receberam ordens para se manterem afastados”, disse um ex-funcionário ouvido pela agência. Delcy Rodríguez assumiu o comando interino da Venezuela no início de janeiro, depois de uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas resultar na prisão de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para responder na Justiça federal americana por acusações ligadas ao narcoterrorismo.

Desde a mudança no comando venezuelano, o regime chavista passou a estreitar relações com Washington. Os dois países retomaram relações diplomáticas e firmaram uma parceria de longo prazo voltada para o setor energético.

Nos últimos meses, Trump também fez elogios públicos a Rodríguez e evitou apoiar a líder oposicionista María Corina Machado para assumir o governo venezuelano. O presidente americano argumentou que a opositora não teria apoio político suficiente dentro do país.

Outro gesto de aproximação ocorreu no início de abril, quando o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, retirou o nome de Delcy Rodríguez da lista de sanções econômicas americanas. Ela integrava a relação desde 2018 por suspeitas de corrupção e acusações de violações de direitos humanos.

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