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São Mateus do Maranhão - Maranhão

Ouça o relato do vigilante que matou assassino de PM do Piauí

O criminoso morreu durante uma tentativa de assalto a uma agência bancária nessa segunda-feira (20).

O GP1 teve acesso a um áudio gravado pelo vigilante que matou o criminoso Nilton César Silva Aguiar durante uma tentativa de assalto dentro do Banco Siccob, no município de São Mateus, no estado do Maranhão, na manhã dessa segunda-feira (20).

O assaltante Nilton César Silva Aguiar foi o responsável pelo assassinato do policial militar do Piauí Erisvan Mesquita Silva, ocorrido em 23 de novembro de 2015 e havia fugido da Casa de Custódia no último dia 05 de abril deste ano.

No áudio obtido pelo GP1, o vigilante, que não teve a identidade revelada, pede que os colegas de profissão, que solicitem uma manutenção nas portas giratórias das agências bancárias, pois segundo ele, a porta do banco que ele trabalha não detectou o revólver que estava com o criminoso morto durante a tentativa de assalto. “Rapaz, vocês pedem aí pro gerente da agência fazer uma manutenção nessas portas giratórias, galera, porque a minha aqui não detectou nem o ferro da perna dele [Nilton] nem o [revólver calibre] 38 [do bandido]. Eu pedi pra ele levantar a camisa lá fora, levantou, quando ele tentou entrar pela porta giratória, se ela travasse, ele não ia entrar, mas a desg… não travou. A porta não travou de jeito nenhum, mas como Deus tá comigo, com todos nós, eu fiquei o tempo todo em QAP”, relatou o vigilante.

O vigilante disse ainda que Nilton César Silva Aguiar já tinha ido na agência bancária uma semana antes de tentar realizar o assalto que culminou com sua morte. “Eram três meliantes. Entrou o primeiro, o segundo, que entrou simulando que estava com a perna quebrada, já tinha ido lá na semana passada e com a Gerência pediram para eu liberar ele. Mesmo eu fazendo revista, pedindo documento, a gerência pediu pra liberar ele. Eu já fiquei veaco, eu não ia deixar ele entrar [hoje] nem com a gerência autorizando. Quando eu pedi para ele levantar a camisa, ele levantou e quando ele passasse na porta, que apitasse, eu ia dizer: senhor, não vai entrar, só com documento, mas a p… da porta não travou, mesmo ligada não travou. Eu fiquei assim encabulado com isso”, continuou o vigilante.

O profissional relatou também que ficou atento aos suspeitos e conseguiu lograr êxito em acertar um dos criminosos. “O que foi que eu fiz? Fiquei atento nos dois, só que chegou um miserável lá fora com a roupa de mototaxista que não é de São Mateus, aí nessa hora eu fiquei atento nos que estavam dentro e no que estava fora, mas como eu gosto de usar o revólver com o coldre na perna, eu já puxei e fiquei com a arma na mão, só com o cano dentro do coldre, porque eu sabia que quem ia vir pra cima de mim era esse miserável… E quando ele veio, foi gritando: não reage. Só que eu já estava em QAP para atirar nele, mas peçam pros seus gerentes pegar essas portas, fazer o acompanhamento, fazer uma manutenção, porque essas portas não estão detectando nada. Eu pedi aqui já para fazer ao gerente antigo, estão cientes, tem gente que entra com celular não detecta, mas eu já pedi. Um ferro daquele tamanho na perna dele e um 38, a porta não detectar é porque a falha é grande, mas eu fiquei em QAP, e peçam para eles fazer isso aí, e apitou, faz como eu fazia aqui, volta, por isso que eu consegui fazer essa ação. Até aqui, o pessoal da agência me chamava de abusado porque eu seguia no pé da letra, mas se eu não seguisse no pé da letra, Deus o livre, quem poderia tá no lugar desse bandido era eu, mas Deus é mais, fiquem atento aí, galera”, finalizou o vigilante.

Entenda o caso

O bandido responsável pelo assassinato do policial militar do Piauí Erisvan Mesquita Silva, ocorrido em 23 de novembro de 2015, foi morto durante uma tentativa de assalto dentro do Banco Siccob, localizado no município de São Mateus, no estado do Maranhão, na manhã dessa segunda-feira (20).

A ação criminosa, que terminou em uma troca de tiros com um vigilante e Nilton César Silva Aguiar, que havia fugido da Casa de Custódia no último dia 05 de abril deste ano, foi filmada por uma câmera de segurança.

Por volta de 11h13, o criminoso Nilton César acessou a agência bancária se passando por cliente, utilizando uma placa de metal na perna esquerda, a fim de facilitar sua entrada com uma arma de fogo, sem precisar passar pela porta giratória, que possui sistema de bloqueio.

Cerca de dois minutos depois, ele deixou o local onde estava sendo atendido e correu em direção ao vigilante com uma arma em punho. O profissional reagiu e conseguiu efetuar um disparo no pescoço de Nilton César que, mesmo ferido, conseguiu atingir o vigilante com um tiro, mas sem gravidade.

Outros dois suspeitos, que acompanhavam o criminoso, conseguiram se evadir antes da chegada a Polícia Militar.

Equipes do 23º Batalhão da Polícia Militar de São Mateus, sob o comando do major Hamilton, isolaram a área e acionaram o serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para socorrer o vigilante.

No local, foram apreendidos dois revólveres calibre .38, um do bandido e outro do vigilante, além de 12 munições, sendo duas intactas no revólver do vigilante. O material foi apresentado à delegacia de Polícia Civil de São Mateus.

Assassinato do PM Erisvan Mesquita Silva

No dia 23 de novembro de 2015, Nilton César, na companhia de outro indivíduo, abordaram o policial militar Erisvan Mesquita Silva, que também conduzia uma motocicleta, e transportava a quantia de R$ 39 mil, em um semáforo no cruzamento da Avenida Barão de Gurguéia com a Gil Martins, no bairro Tabuleta.

Nilton estava na garupa da moto e desceu apontando a arma para a vítima, que reagiu e trocou tiros com o criminoso. Durante a troca de tiros, o policial acabou sendo atingido e morreu em decorrência dos ferimentos no Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Condenação

No dia 8 de março de 2017, a juíza Junia Maria Ferreira Bezerra Fialho, da 4ª Vara Criminal da Comarca de Teresina, condenou Nilton Cesar, vulgo César do Queijo, pelo latrocínio contra o policial militar Erisvan Mesquita Silva, de 38 anos, no bairro Tabuleta, em Teresina, em julho de 2015. Nilton César foi condenado a 26 anos e 3 meses de reclusão em regime fechado.

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