O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagrou, nesta quarta-feira (22), a segunda fase da Operação Cela 03, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão nos municípios de Teresina-PI e Timon-MA. Ao todo, 15 pessoas foram presas - sendo seis em presídios, em mais um desdobramento da investigação contra uma facção criminosa que atua nos dois estados.
De acordo com o GAECO, a operação é resultado de um trabalho iniciado ainda em 2023, com o monitoramento das atividades ilícitas da facção, incluindo tráfico de drogas, roubo e receptação de veículos e movimentações financeiras suspeitas ligadas à lavagem de dinheiro.
A primeira fase da Cela 03 ocorreu em agosto de 2024, quando 26 pessoas foram presas, ocasião em que houve o bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e apreensão de armas de fogo.
Desdobramentos
A deflagração da segunda fase decorreu da análise dos materiais apreendidos e aprofundamento das investigações, com apoio do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), chefiado pelo promotor Fernando Bernis, como explicou o delegado do GAECO-MA, Ricardo Herlon.
"Essa investigação evolui com base no que foi colhido na primeira fase. Após cada operação, sentamos, analisamos e aprofundamos o que foi encontrado. O trabalho é contínuo e com foco na estrutura financeira das organizações criminosas", explicou o delegado Ricardo Herlon.
Tráfico interestadual e esquema de veículos roubados
Além das prisões, os investigadores seguem apurando o esquema de tráfico de drogas interestadual, com a atuação da facção em rotas que atravessam outros estados até chegar ao Piauí e Maranhão.
Ainda de acordo com o delegado Ricardo Herlon, a organização já havia sido parcialmente desmantelada na Operação Mormaço, deflagrada ainda em 2021, quando foram identificadas as principais rotas e estratégias de distribuição da droga. “A droga vem de fora, por rotas que já conhecemos, e chega até a região de Timon, Teresina e Caxias. A partir daí, é distribuída. Já vínhamos monitorando esse processo desde a Mormaço”, afirmou.
Outro ponto investigado é o comércio ilegal de veículos roubados, apontado como uma das principais fontes de financiamento da facção. Os veículos eram furtados em um estado, adulterados, e vendidos no outro, aproveitando-se da proximidade entre o Maranhão e o Piauí para dificultar a rastreabilidade.
Combate permanente ao crime organizado
A operação contou com apoio do GAECO do Piauí, reforçando a integração entre os órgãos de segurança dos dois estados. A atuação conjunta é considerada essencial para o enfrentamento ao crime organizado na região. “O combate ao crime organizado precisa ser estratégico, permanente e baseado em inteligência. É assim que conseguimos atingir não apenas os executores, mas a base financeira que sustenta essas organizações”, concluiu o delegado.
Brunno Suênio
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