Durante audiência de custódia realizada nesse sábado (12), Leandro da Silva Sousa, acusado de matar o delegado Márcio Mendes, alegou ter sido agredido por policiais no momento da prisão. No entanto, ele foi submetido a exame de corpo de delito logo após ser detido, e o laudo não apontou sinais de tortura.
A sessão foi conduzida pelo juiz Paulo Afonso Vieira Gomes, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Caxias. O magistrado questionou se o acusado foi submetido a tortura, ao passo em que Leandro disse ter sido agredido na frente da sua família. Veja o diálogo:
Juiz: No momento da prisão, até a delegacia onde você prestou depoimento, no percurso, foi agredido?
Leandro: Foi apanhando direto.
Juiz: Na delegacia até aí, alguma agressão, alguma tortura, algum maus-tratos?
Leandro: Negativo. Tá tudo tranquilo.
Laudo negou agressão
Conforme laudo de exame de corpo de delito obtido pelo GP1, Leandro relatou a presença de machucados nos pés por “correr no mato”, além de vermelhidão no ombro direito "por carregar estaca de madeira".
A descrição do perito é que o acusado apresentava escoriações nas faces das mãos, nos joelhos, perna direita, tornozelos e pés, que correspondiam ao relatado pelo próprio indivíduo, sendo descartado qualquer vestígio de tortura ou agressão.
Mesmo assim, o juiz Paulo Afonso determinou que o procedimento fosse encaminhado ao Ministério Público, responsável pelo controle externo da atividade policial, e à controladoria da Polícia Civil e Militar.
Entenda o caso
O delegado Márcio Mendes Silveira e os agentes Waldemar Júnior e Ibiapina se deslocaram a zona rural de Caxias, entre os povoados Jenipapeira e Boa Hora, na manhã de quinta-feira (10), para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra Leandro da Silva Sousa, acusado de tentativa de homicídio.
Ao chegar no imóvel, a equipe anunciou a chegada da polícia, no entanto, Leandro não se apresentou. Em seguida, o delegado Márcio Mendes e o primeiro agente entraram na casa pelos fundos, mas foram recebidos a tiros pelo indivíduo. O delegado foi atingido na cabeça, e um dos policiais na clavícula.
Assim que percebeu os disparos, o segundo agente se deslocou para o fundo do imóvel, e foi alvejado na perna. Os policiais foram socorridos por outra equipe, e foram encaminhados a Teresina. Já o delegado Márcio Mendes não resistiu ao ferimento e morreu no local do crime.
Carolina Matta
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