Aglai Fernanda Cruz se apresenta nas redes sociais como revendedora de cosméticos, onde publica conteúdos com dicas de cuidados com a pele e divulga produtos como blushes, demaquilantes e batons comercializados por uma loja ligada à influenciadora Alice Salazar, em São Luís.
Apesar dessa atuação online, registros oficiais apontam que Aglai também figura como proprietária de uma suposta empreiteira subcontratada em uma obra avaliada em R$ 235 milhões do governo do Maranhão. A empresa, entretanto, apresenta características que levantam suspeitas de ser apenas uma companhia de fachada, já que não possui site institucional, presença digital própria, funcionários cadastrados ou veículos vinculados.
A construção da nova Avenida Litorânea, projeto que pretende conectar São Luís ao município vizinho de São José de Ribamar, vem sendo divulgada pela gestão do governador Carlos Brandão como uma intervenção histórica. Contudo, auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou oito irregularidades consideradas graves ao longo do processo, desde a licitação até a execução da obra. O caso está sob análise para eventual responsabilização de gestores públicos, conforme revelou a coluna do jornalista Tácio Lorran. O empreendimento é financiado com recursos federais do Novo PAC e executado pelo governo estadual.
Entre os problemas apontados está a subcontratação da Agla’S Infraestrutura Ltda., empresa ligada à revendedora de maquiagens, que chegou a receber cerca de R$ 8 milhões para executar parte dos serviços. A companhia acabou sendo retirada do contrato no fim do ano passado após o TCU apontar inconsistências. Ao todo, a previsão era que a empresa recebesse R$ 24 milhões.
Segundo o tribunal, a subcontratação foi uma exigência estabelecida pelo próprio governo do Maranhão no edital da licitação. A condição, inclusive, levou à desclassificação de uma empresa concorrente, o que, na avaliação dos auditores, pode ter restringido a competitividade do certame. A auditoria também aponta possíveis prejuízos econômicos e violações aos princípios da moralidade e da probidade administrativa.
Rodrigo Mendes
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