Teresina - PI

"A família da vítima é quem deveria estar sob proteção", diz pai de Aretha

A defesa do acusado de assassinar a cabeleireira, alegando temer pela integridade física de seu cliente, pediu que seu novo endereço residencial não fosse divulgado, petição que foi acatada pelo juiz.

Thais Guimarães
Teresina
- atualizado

Em decisão assinada nesta quinta-feira (13), o juiz Danilo Melo de Sousa, respondendo pela 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina, acatou petição feita pela defesa de Paulo Alves dos Santos Neto, acusado de assassinar Aretha Dantas Claro, onde é pedido o sigilo de seu novo endereço, sob alegação de que o réu teme por sua integridade física. Na decisão o juiz também indeferiu recurso do Ministério Público, que solicitava a revogação da decisão que soltou Paulo Alves. O GP1 conversou, na noite desta sexta-feira (14), com o pai de Aretha, o senhor Aldir Claro, que mais uma vez lamentou as últimas decisões judiciais.

Aldir Claro, que é servidor da Câmara Municipal de Teresina, se ateve a falar apenas sobre a decisão do juiz de permitir o sigilo quanto ao novo endereço de Paulo. “Eu fiquei nervoso. Fiquei chateado, disse até na televisão que o juiz está tendo muito cuidado com o Paulo, colocando seu endereço como oculto”, afirmou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Aldir ClaroAldir Claro

O pai da vítima de feminicídio assegurou que a família quer saber a localização do acusado apenas para garantir que ele não venha escapar do julgamento. “É o seguinte: ninguém quer pegar Paulo, ninguém quer vingança, a gente só quer saber se ele ainda está morando em Teresina”, alegou.

Para o funcionário público, a não divulgação do endereço de Paulo Alves soa como uma espécie de “proteção”, quando, segundo ele, a família da vítima é quem deveria estar sob proteção. “A família da vítima é quem deveria estar sob proteção da Justiça, se ele matou minha filha, sei lá se não vai querer me pegar porque eu estou insistindo no caso”, lamentou.

Por fim, o pai de Aretha informou que vai entrar em contato com o advogado que está lhe acompanhando, para tomar providências quanto a estas últimas decisões. “Quero que o advogado descubra na Justiça se ele ainda está aqui em Teresina, não precisa dizer rua ou bairro, isso aí é um golpe, é um golpe. Paulo não está sendo ameaçado por ninguém”, concluiu.

Juiz nega recurso

O juiz de direito Danilo Melo de Sousa, respondendo pela 1ª Vara do Tribunal Popular do Júri Comarca de Teresina, rejeitou o recurso que pedia a suspensão da decisão que revogou a prisão de Paulo Alves dos Santos Neto, acusado de assassinar a jovem cabeleireira Aretha Dantas Claro no ano de 2018. A decisão foi dada nesta quinta-feira (13).

“Com base no artigo 589 do Código de Processo Penal, reaprecio a decisão que concedeu liberdade provisória ao denunciado, mediante aplicação de medidas cautelares, registrada às fls. 472/474 e, por inexistir motivos para a sua modificação ou reconsideração, mantenho-a, pelos seus próprios fundamentos”, destacou o magistrado na decisão.

Endereço sob sigilo

Consta ainda na decisão do juiz Danilo Melo que a defesa de Paulo Alves, alegando temer pela integridade física de seu cliente, pediu que seu novo endereço residencial não fosse publicizado, petição que foi acatada pelo magistrado.

  • Foto: FacebookPaulo Alves dos Santos NetoPaulo Alves dos Santos Neto

"Atendendo ao pleito formulado e por não reconhecer qualquer prejuízo processual, intime-se à Defesa para apresentar o endereço atualizado do denunciado, no prazo de 05 (cinco) dias, na Secretaria deste Juízo, onde a referida informação deverá ser mantida em sigilo", diz um trecho do texto.

Crime

Aretha foi encontrada morta com perfurações de arma branca e sinais de atropelamento, na madrugada de 15 de maio de 2018, na Avenida Maranhão, zona sul de Teresina. O ex-companheiro dela, Paulo Alves dos Santos Neto, foi considerado o principal suspeito do crime.

  • Foto: Facebook/Aretha ClaroAretha Claro foi encontrada morta na Avenida MaranhãoAretha Claro foi encontrada morta na Avenida Maranhão

Na noite do dia 16 de maio, Paulo se entregou à polícia e confessou a autoria do homicídio.

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