Teresina - PI

Cerca de 50 imigrantes venezuelanos se refugiam em abrigo no Poti Velho

Os imigrantes venezuelanos chegaram a Teresina no último domingo (12) e passaram três dias nas ruas da cidade, antes de conseguir um abrigo.

Débora Dayllin
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
Nayrana Meireles
Teresina
- atualizado

Venezuelanos se refugiam em abrigo de Teresina

Cerca de cinquenta venezuelanos chegaram a Teresina no último domingo (12), após percorrem alguns pontos da capital piauiense. Os imigrantes estão alocados na Associação de Pescadores do Poti Velho, localizada na zona norte de Teresina.

Rafael Rattia um dos venezuelanos que está em Teresina, falou ao GP1 nesta quarta-feira (15), sobre as dificuldades que obrigaram o grupo a sair da Venezuela. “Nós somos na maioria indígenas. Nossa comunidade é no interior. Estávamos passando muitas necessidades, não tínhamos onde morar, nem casa, nem alimentação, nada. Não tínhamos saúde, não tínhamos roupas, não tínhamos trabalho, não tínhamos emprego. Nós passamos muito tempo passando fome, crianças morrendo de fome. Por isso viemos para o Brasil e procuramos uma cidade para ficar. Agora estamos morando aqui em Teresina. As pessoas de Teresina já ajudaram muito e conseguimos esse local para ficar, pois estávamos ao relento”, informou.

“Antes de Teresina, passamos por Roraima, Manaus, Belém, São Luís e agora chegamos em Teresina. Aqui recebemos ajuda, e conseguimos local para ficar, para dormir. Somos 22 crianças, 27 adultos e uma idosa. De imediato precisamos de trabalho e uma casa boa para ficar. Só isso e depois vamos precisar de coisas para colocar comida. Estamos sem trabalho, estamos pedindo trabalho para comprar as coisas para nossas mulheres, crianças. Lá nós trabalhávamos com construção, pintando casas, arrumando pisos. E eu por enquanto trabalho como cabeleireiro e também sou pescador e agricultor”, completou Rafael.

Abel Rattia, é irmão de Rafael, e revelou que o que mais precisam é de trabalho, para conseguir manter suas famílias. “Nós estamos reunidos, todo mundo. Precisamos trabalhar, as crianças precisam estudar e não podem ficar na rua porque na rua estamos sofrendo muito. Muitas pessoas não querem ajudar. Eu tenho 5 crianças, não posso morar na rua. Eu não sou animal, eu sou gente. Nós não queremos viver na rua, queremos uma casa boa para morar. Se eu conseguir emprego, eu trabalho. Eu trabalho na área da limpeza. Agora nós não temos material, não temos dinheiro para comprar. Todo mundo aqui quer trabalhar. Tem 20 homens que podem trabalhar e as mulheres podem ficar em casa com as crianças”, revelou.

Sobre o futuro na Capital, o venezuelano afirmou que é incerto. “Não sabemos de nada ainda. Nós chegamos ontem e disseram que poderíamos ficar aqui três dias. Nós já ficamos três dias na rua. Na rua não podemos morar, não tem banheiro, não tem nada. Aqui tem banheiro, tem tudo. A alimentação estamos recebendo, graças a Deus. O pessoal está vindo aqui entregando comida e roupa”, afirmou.

O diretor do Departamento de Polícia Científica do Piauí, Antônio Nunes, juntou sua família e levou mantimentos para ajudar os imigrantes. “Eu vim com minha família me solidarizar com a situação deles aqui. É uma grande tragédia humanitária, são pessoas que saíram do seu país, porque como eles mesmos dizem, a maioria deles são indígenas, eles não conseguem mais ter acesso a alimentos, nem para comprar nem para trocar. Pelo menos acolheram eles aqui nesse local, nós compramos algumas coisas e trouxemos pra eles, amanhã iremos voltar com colchões e o que mais pudermos arrecadar. É importante ajudar, tem muitas crianças aqui. A Venezuela não tem infelizmente como manter seu povo nesse momento, é muito triste. Quem puder vir ajudar, venha, são seres humanos, como nós somos”, disse ao GP1.

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