Teresina - PI

Dois servidores do INSS são presos na Operação Grande Família em Teresina

De acordo com a PF, os servidores do INSS tinham conhecimento que os documentos utilizados pela quadrilha eram falsos e ainda assim possibilitava a continuidade da prestação do benefício.

Brunno Suênio
Teresina
Bárbara Rodrigues
Teresina
- atualizado

A Polícia Federal realizou uma entrevista coletiva e deu maiores detalhes da Operação Grande Família, deflagrada nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (15) para o cumprimento de 21 mandados de prisão preventiva e 31 mandados de busca e apreensão no Piauí e Maranhão. Dentre os alvos, dois servidores do INSS foram presos em Teresina-PI. Outras ações foram executadas nas cidades de Bacabal e Pedreira, no estado do Maranhão.

De acordo com o delegado Lucimar Sobral, da Delegacia de Crimes Previdenciários, os servidores atuavam realizando transferências dos benefícios do estado do Maranhão para o Piauí, utilizando documentações de pessoas que já haviam morrido.

“Essa fraude investigada, basicamente se resume no recebimento após a morte dos beneficiários. Os beneficiários verdadeiros falecem, essa quadrilha consegue identificar aqueles que faleceram e falsificam RG, os documentos da previdência e transferem esse benefício do Maranhão para Teresina e ficam recebendo normalmente esse benefício”, destacou o delegado.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Delegado Lucimar Sobral NetoDelegado Lucimar Sobral Neto

Servidores do INSS

Conforme as investigações da Polícia Federal, que tiveram início em 2018, os servidores do INSS de Teresina tinham conhecimento que os documentos utilizados pela quadrilha eram falsos e ainda assim possibilitava a continuidade da prestação do benefício em nome de pessoas já mortas.

“A participação de servidores do INSS é que eles atuavam exatamente na transferência desse benefício. Com a utilização e documento falso eles recebiam uma parte para poder transferir esse benefício. Nós já investigamos 639 benefícios nessa situação por meio dessa quadrilha e o prejuízo, segundo o INSS, é superior a R$ 26 milhões. E prejuízo estimado futuro, se continuasse recebendo esse benefício, seria mais de R$ 80 milhões”, explicou o delegado Lucimar Sobral.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Coletiva de imprensa da Operação Grande Família, deflagrada pela Polícia FederalColetiva de imprensa da Operação Grande Família, deflagrada pela Polícia Federal

De acordo com a Polícia Federal, além dos servidores, ainda estão entre os presos sete pessoas da mesma família, entre mãe, filho, esposa, padrasto, sendo que dois desses membros são considerados os líderes da quadrilha.

A fraude vem acontecendo de 4 a 5 anos

As investigações detectaram também que os crimes estavam acontecendo há cerca de 5 anos no estado do Maranhão, depois que a Polícia Federal deflagrou uma operação que terminou com pelo menos duas pessoas presas, consideradas líderes do esquema. “Na verdade esse pessoal já tinha sido inicialmente investigado no Maranhão em uma operação que teve, mas lá pegaram só os ‘cabeças’, prenderam de dois a quatro, e aí esse pessoal veio para cá e identificamos que eles estavam atuando aqui", afirmou Sobral.

Material apreendido

Durante as diligências realizadas nesta manhã, três armas foram encontradas em um imóvel, juntamente com vários cartões. A residência era usada pela quadrilha para guardar o material e funcionava como um escritório, próximo da sede da Polícia Federal, na zona leste de Teresina. No local também foram encontrados RGs em branco, mas até o momento não foi comprovada a participação de pessoas ligadas ao Instituto de Identificação da Secretaria Pública do Piauí.

“Nós conseguimos diante das buscas recuperar centenas de cartões, de certidões de nascimento, vários documentos públicos para conseguir enganar a previdência. Eles sabiam que alguém tinha morrido, pegavam os dados e aí conseguiam falsificar. Com os dados do beneficiário montava o RG, botava o endereço para Teresina. Na hora que transferia o benefício, o INSS entendia que a pessoa estava viva. O INSS não tomava conhecimento que a pessoa tinha morrido e quanto tomava, às vezes, o INSS já tinha suspenso ou tinha a suspeita do óbito, porque quando uma pessoa passa um tempo sem sacar, o sistema do INSS suspende esse benefício, mas a partir do momento que a pessoa vai no INSS ou transfere, o servidor é obrigado a reativar, pois a pessoa está comprovando que está viva. Só que nesse caso o servidor sabia”, explicou.

Crimes

As pessoas estão presas e vão responder por estelionato, inserção de dados falsos, uso falso de informação, uso de documento falso, corrupção ativa e passiva, e falsidade ideológica.