Polícia

Empresários são presos pelo Greco por receptação de carga roubada

Segundo informações do delegado Tales Gomes, os estabelecimentos dos empresários foram localizados com cargas roubadas e agora será iniciada uma investigação para descobrir se existe uma quadrilha.

Bárbara Rodrigues
Teresina
Brunno Suênio
Teresina
- atualizado

O Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) realizou nesta segunda-feira (18) uma entrevista coletiva para tratar sobre a operação realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal que apreendeu cerca de R$ 1 milhão em cargas oriundas de roubo no Piauí e Maranhão e prendeu quatro pessoas, sendo dois empresários de Teresina.

Foram presos os motoristas Francisco da Silva Coelho Silva e Luiz Carlos da Silva Coelho, além de Francisco de Assis Costa Filho, dono da empresa Futura localizada no bairro São João em Teresina, e o advogado Regis Gomes Noronha Mota, proprietário do Atacadão do Bosco, localizado em Teresina.

Segundo informações do delegado Tales Gomes, os estabelecimentos dos empresários foram localizados com cargas roubadas e agora será iniciada uma investigação para descobrir se existe uma quadrilha formada no Estado do Piauí, atuando com a participação de vários empresários.

“A operação iniciou na tarde de sexta-feira, se estendendo até a noite de domingo. Cerca de 48h de diligências com a participação da Polícia Civil e da PRF de Caxias, onde o Greco do Piauí também participou. O certo é que nas investigações, todos os quatro flagrantes vão ser juntados em um procedimento para apurar se outros empresários estão participando da receptação e venda de cargas roubadas no Piauí e Maranhão. O somatório da questão do preço adquirido e até as notas fiscais frias, indicam que os empresários tinham conhecimento e estavam faturando alto”, explicou Tales Gomes.

  • Foto: Helio Alef/GP1Delegado Tales GomesDelegado Tales Gomes

O delegado Daniel Pires explicou que é importante identificar os responsáveis pelos roubos e as vendas da carga. Ele destacou que os empresários compravam mercadorias sem qualquer nota fiscal, mas que isso não significa que se trata de uma quadrilha especializada. Somente com o andamento da investigação será possível descobrir qual a real participação desses empresários no roubo das cargas.

“Não posso dizer isso [que os empresários participam da quadrilha]. No momento, só que eles não se cercaram na obrigação necessária quanto a compra de carga. Se eu sou dono de um comércio, eu tenho que desconfiar se tem uma pessoa vendendo um produto sem nota fiscal e em grande quantidade. Então, eles como comerciantes, tinham que perceber que eram de origem ilícita”, disse o delegado.

Uma das coisas que chamou a atenção, foi o fato do advogado Regis Gomes ter dado uma BMW em troca da carga roubada. “O advogado trocou essa mercadoria em um BMW, para receber R$ 110 mil em café, que possivelmente é de origem ilícita, porque ele trocou com a mesma pessoa que vendia os produtos roubados. Será feita uma investigação para apurar isso. A BMW já sabemos onde está, que não é no Piauí. Vamos pedir um mandado de busca e apreensão”, disse o delegado Daniel Pires.

  • Foto: Helio Alef/GP1Daniel PiresDaniel Pires

Ele ainda destacou que ontem chegou a ser registrado outro roubo de carga no Piauí. “O que chama atenção é que são só dois produtos, café e leite, que estão na manhã dos brasileiros. Para se ter uma ideia, às 21h da noite de ontem foi roubada uma outra carga de leite em Picos. Cada carga dessa é avaliada em R$ 600 mil, então só aqui em Teresina foram apreendidas 3 cargas, mas algumas já tinham sido comercializadas. Então fizemos um parâmetro e conseguimos recuperar cerca de R$ 1.100.000,00 milhão”, explicou Daniel Pires.

O empresário Francisco de Assis já conseguiu ser liberado e os demais vão para audiências de custódia, onde o juiz poderá arbitrar fianças.

As prisões

Segundo informações da Polícia Civil, a primeira prisão ocorreu na sexta-feira (15) em Caxias, após fiscalização de rotina na BR 316 em que se constatou transporte de carga roubada. Nesta ação foram presos Francisco da Silva Coelho Filho e Luis Carlos da Silva Coelho que conduziam caminhões com cargas de leite roubadas em Imperatriz, no Maranhão.

  • Foto: Divulgação/PC-PICargas roubadas foram apreendidasCargas roubadas foram apreendidas

Francisco Coelho indicou um galpão em Caxias onde se apreendeu uma carga de café roubada em Minas Gerais. As diligências avançaram para Teresina, onde na empresa Futura, situada no bairro São João, foi apreendida uma carga de leite e café roubada. Nesta empresa foi preso por receptação Francisco de Assis Costa Filho.

Já na manhã de sábado (16) foi apreendida uma carga de leite na Distribuidora DN em Timon, no Maranhão. Essa carga havia sido roubada em Valença há cerca de 10 dias. Foi feita também uma apreensão no Atacadão do Bosco situado na Avenida Presidente Kennedy em Teresina onde se apreendeu o restante da carga de leite que havia sido roubada em Imperatriz. Nesta empresa foi preso por receptação o advogado Regis Gomes Noronha Mota, que é o responsável pelo estabelecimento.