Teresina - PI

Rubens Pereira rebate Constantino e diz que culpar PM é desrespeito

"Só dizer que a Polícia Militar não está presente é, no mínimo, uma falta de respeito com esses profissionais que estão todos os dias nas ruas", disse o secretário.

Wanessa Gommes
Teresina
- atualizado

Com um dos finais de semana mais violentos, Teresina registrou 11 homicídios, nos últimos três dias. Um deles, um latrocínio (roubo seguido de morte) contra o estudante de medicina, Rayron Holanda, comoveu todo o estado. O GP1 conversou com o secretário da Segurança Pública, coronel Rubens Pereira, e com o comandante da Polícia Militar, coronel Lindomar Castilho, para saber que providências estão sendo tomadas aumentar a sensação de segurança dos piauienses.

Para o coronel Rubens Pereira, essa violência está relacionada ao tráfico de drogas e a polícia está fazendo o que deve ser feito: “Nós sabemos muito bem que muitas das causas deles [homicídios] estão relacionadas ao tráfico de entorpecentes, muitos deles com passagem pela polícia, inclusive, o caso do estudante. A pessoa que matou tinha passagens, já era uma pessoa conhecida do meio policial, então é um problema realmente muito grave, mas que nós estamos enfrentando com a aquilo que nós podemos fazer. Se não é possível a atividade do policiamento ostensivo evitar com a presença, mas a gente pode fazer, que é o que nós estamos fazendo, a investigação imediata para poder verificar o mais rápido possível quem são os autores e colocá-los na cadeia, aguardando a Justiça para julgamento”, garantiu.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Coronel Rubens Pereira, secretário de SegurançaCoronel Rubens Pereira, secretário de Segurança

O secretário rebateu ainda, com uma comparação com o Ceará, a declaração do presidente do Sinpolpi, Constantino Júnior, que afirmou que a insegurança é causada pela falta do policiamento ostensivo: “Se o problema é a falta de polícia, nós temos o vizinho estado do Ceará, que inclusive teve uma repercussão, no estado do Piauí, da fala do governador de que teria aumentado o efetivo da Polícia Militar superior ao que existe hoje, no Piauí, juntando as polícias civil e militar, e que, no entanto, o Ceará apresenta índices tristes, alarmantes na área da segurança pública”.

De acordo com Rubens, a questão da segurança vai muito além do que se imagina, é crônico: “O problema da segurança pública é muito além do que se imagina ser apenas a presença da polícia ostensiva, é, na verdade, um problema crônico que vem se arrastando há muito tempo”, afirmou.

“Políticas públicas devem ser implementadas, inclusive, a nível federal, para o combate ao tráfico de drogas, que é o que vem alimentando esses crimes, nesse sentindo é que nós estamos vendo, analisando, implementando as políticas que são necessárias. Há necessidade também de um envolvimento social muito grande para poder resolver esse problema”, enfatizou.

O secretário disse ainda que culpar a Polícia Militar é um desrespeito: “Só dizer que a Polícia Militar não está presente é, no mínimo, uma falta de respeito com esses profissionais que estão todos os dias nas ruas, tanto a Polícia Civil como a Polícia Militar, que realizam operações integradas, estão trabalhando. A PM está aí todos os dias nas ruas, fazendo até milagres, defendendo o cidadão com os recursos que tem. Policiais militares enfrentando nas condições em que estão enfrentando e também sendo vítimas”, desabafou.

“Nós não acreditamos ser esse o caminho, culpar uma instituição, culpar a outra, aliás, não podemos ficar nessa de um culpando o outro, na verdade, temos que nos unir, juntamente com o Ministério Público, Poder Judiciário e a sociedade, especialmente, porque o crime é um fenômeno social, a sociedade também tem que ajudar”, explicou.

Rubens destacou também o plano estadual que está sendo realizado: “Essas articulações sociais nós também já estamos fazendo com a implantação do Plano Estadual de Segurança Pública, tentando verificar em cada município, como é que nós podemos nos articular para evitar muitos crimes e o homicídio, que é o mais grave deles, principalmente”, finalizou.

Polícia Militar

Lindomar Castilho também rebateu a do presidente do Sinpolpi, Castilho: “Primeiro, quero discordar do Constantino, ele como policial civil deveria estar preocupado era com a Polícia Civil, com as investigações, com as resoluções dos crimes, que ocorrem em todo o Estado. Nós estamos presentes 24 horas por dia, não só na capital como em todo o estado do Piauí”.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Lindomar CastilhoLindomar Castilho

“Dia e noite todos os nossos policiais, viaturas, tudo o que temos à disposição está sendo empregado no policiamento”, reiterou.

Por fim, disse o que a população pode esperar da Polícia Militar: “Pode esperar da polícia sempre muito trabalho, que tem sendo feito todo dia, incansavelmente, e fazendo exatamente aquilo que nos cabe, atender a comunidade da melhor forma possível”.

Morte do estudante Rayron Holanda

Rayron Holanda, 22 anos, foi morto com um tiro no peito nas primeiras horas da manhã deste domingo (25), durante um assalto próximo a uma parada de ônibus, na Avenida Miguel Rosa, na zona sul de Teresina. Ele havia acabado de sair do plantão do Hospital de Urgência de Teresina.

  • Foto: DivulgaçãoRayron HolandaRayron Holanda

O acusado de matar o estudante, G.L.D.A.R de 15 anos, foi apreendido, ainda na manhã de ontem, logo após o crime.

Velório e enterro

O velório do jovem está acontecendo na cidade de Elesbão Veloso, sua cidade natal, onde também será o enterro.

Superação

De origem humilde, Rayron deixou Elesbão Veloso aos 13 anos com um único objetivo: cursar Medicina na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Logo aos seis anos de idade Rayron perdeu a mãe, vítima de complicações pós-parto de seu irmão caçula, Ryan.

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