Teresina - PI

Sociedade Brasileira de Infectologia não recomenda uso da dexametasona em casos leves de covid-19

Contrariando a recomendação da Sociedade Brasileira de Infectologia, o presidente da Fundação Municipal de Saúde, Manoel Moura, incluiu o medicamento no protocolo utilizado nos hospitais de Teresina.

Thais Guimarães
Teresina
- atualizado

No dia 14 de junho o presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, Manoel de Moura Neto, aprovou uma alteração ao protocolo de manejo clínico para pacientes com covid-19 (coronavírus), acrescentando a recomendação de dexametasona para casos leves e moderados da doença. No entanto, tal medicamento só é recomendado para pacientes com quadros mais graves, do contrário, poderá trazer complicações.

A FMS já recomendava o uso desse corticoide em pacientes com sintomas graves, e acabou estendendo a indicação aos casos leves e moderados. Contudo, estudos recentes feitos pela Universidade de Oxford atestaram a eficácia de tal medicamento apenas em pessoas em estágios mais severos da doença, que estavam respirando por meios artificiais. Por outro lado, a dexametasona não se mostrou eficaz no tratamento de pessoas com sintomas leves e moderados, por isso, os cientistas não recomendaram a prescrição do medicamento nessas ocasiões.

Com base nos estudos feitos em Oxford, na última sexta (19) a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu a recomendação do uso de corticoides em pacientes com covid-19 em estado grave, mas, não incluiu na indicação os casos leves da doença.

Segundo levantamento feito pela revista Oeste, uma má administração do uso de corticoides pode ter consequências sérias, como a queda na imunidade, ou seja, a diminuição da defesa do organismo, além da complicação de outras doenças já existentes no paciente, ou até mesmo o surgimento de novos problemas de saúde.

O protocolo da FMS

De acordo com o protocolo, se o paciente apresentar sintomas da covid-19 por mais de sete dias, é recomendado o uso de dexametasona por 10 dias, sempre acompanhada de azitromicina, por cinco dias. Em pacientes mais moderados, é indicada a prescrição de dexametasona por 10 dias, sempre acompanhada de ceftriaxona por, no mínimo, sete dias. Já nos casos mais graves da doença, o protocolo recomenda dexametasona por 10 dias, também associada à ceftriaxona por, no mínimo, sete dias.

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