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Teresina - Piauí

Promotor pede reconstituição da morte da estudante Camilla Abreu

“Agora restou uma dúvida em relação a duas teses, uma ele diz que foi tiro acidental, hoje ele se negou a dizer alguma coisa, agora vou pedir uma simulação do crime", afirmou o promotor.

Encerrou por volta das 14h15, a audiência de instrução e julgamento do capitão da Polícia Militar do Piauí, Allisson Wattson, réu confesso da morte da namorada, a estudante Camilla Abreu. A sessão foi presidida pela juíza Maria Zilnar Coutinho, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri de Teresina.

O promotor de Justiça, Benigno Filho, pediu que seja realizada a reconstituição do crime, enquanto o advogado Pitágoras Veloso requereu a revogação da prisão preventiva de Allisson. “Agora restou uma dúvida em relação a duas teses, uma ele diz que foi tiro acidental, hoje ele se negou a dizer alguma coisa, usou o direito que a lei permite, que é ficar calado, agora vou pedir uma simulação do crime até para provar o que foi que houve”, explicou.

  • Foto: Lucas Dias/GP1Promotor Benigno FilhoPromotor Benigno Filho

Benigno criticou o pedido de incidente de insanidade mental solicitado pela defesa: “Este moço, capitão da polícia, vem agora dizer que tem problema de insanidade, ele é tão sabido que ficou calado aqui e aí vem com pedido de revogação de prisão preventiva”, afirmou.

O advogado de Allisson alegou que não existem mais motivos para que o policial continue preso: “Verifique se há necessidade do réu continuar preso, já que a instrução foi cumprida. O réu praticou todos os atos, então porque manter o réu preso? Não há mais fundamento para o réu preso, as provas foram constituídas, por gentileza, analise com carinho o pedido, revogue a prisão preventiva por não mais persistirem [os requisitos] do artigo 312 e estabeleça outras cautelares, não tem mais porque manter a prisão. Dê a liberdade a Allisson para que ele possa responder ao processo em liberdade”, pediu Pitágoras Veloso.

  • Foto: Marcelo Cardoso/GP1 Advogado Pitágoras VelososoAdvogado Pitágoras Veloso

Ravenna de Castro, advogada da família de Camilla, criticou o fato da defesa de Allisson ter tentado atacar a moral da estudante: “Nós achamos total absurdo e até lamentamos ter colegas dentro da advocacia que ainda utilizam desse tipo de prática, buscando a desqualificação moral da vítima, isso é uma falta de respeito não só com a família da vítima, mas com a vítima e a sociedade e nada tem a ver com o fato”, disparou.

A magistrada então determinou que, após as vistas dos autos ao advogado para se manifestar sobre o pedido de reconstituição requerido pelo promotor de justiça, seja dado vistas aos autos para que Benigno se manifeste sobre o pedido de revogação. A juíza vai analisar os dois pedidos e decidir pelo deferimento ou não deles.

O membro do MP já declarou que é contrário à liberdade do réu. “O Ministério Público se manifesta contra esse pedido [de revogação de prisão], vamos para as alegações finais e vamos trazer esse cidadão para o Tribunal do Júri para que ele saia condenado, todas as atitudes dele depois do dia 26 [de outubro de 2017] foram de destruir provas”, declarou.

Expulsão da PM

A Corregedoria da Polícia Militar do Piauí concluiu o processo administrativo contra o policial e o considerou culpado, sendo pedida a sua expulsão da corporação. O processo seguiu para o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí. A decisão final caberá ao governador Wellington Dias, caso o TJ confirme o entendimento do conselho.

Relembre o caso

A estudante de direito, Camilla Abreu, desapareceu no dia 26 de outubro do ano passado. Ela foi vista pela última vez em um bar no bairro Morada do Sol, na zona leste de Teresina, acompanhada do namorado e capitão da PM, Allisson Wattson. Após o desaparecimento, o capitão ficou incomunicável durante dois dias, retornando apenas na sexta-feira (27) e afirmou não saber do paradeiro da jovem.

A Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Barêtta, assumiu as investigações. O capitão foi visto em um posto de lavagem às margens do Rio Parnaíba, a fim de lavar seu carro sujo de sangue. Ele disse ao lavador de carros que o sangue era decorrente de pessoas acidentadas que ele havia socorrido.

  • Foto: DivulgaçãoCamilla Abreu e capitão Allisson WattsonCamilla Abreu e capitão Allisson Wattson

Na tentativa de ocultar as provas do crime, o capitão trocou o estofado do veículo e tentou vendê-lo na cidade de Campo Maior, mas não conseguiu pelo forte cheiro de sangue que permanecia no carro.

Durante investigação, a polícia quis periciar o carro, mas Allisson disse ter vendido o veículo, mas não lembrava para quem. No dia 31 de outubro, o delegado Francisco Costa, o Barêtta, confirmou a morte da jovem. Já na parte da tarde, Allisson foi preso e indicou onde estava o corpo da estudante.

Na manhã de 1º de novembro, o corpo da estudante foi enterrado sob forte comoção no cemitério São Judas Tadeu. Laudo cadavérico da estudante Camilla Abreu concluiu que a jovem foi arrastada antes de morrer. O capitão virou réu na Justiça depois que a juíza de direito Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, recebeu denúncia do Ministério Público.

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