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Teresina - PI

Negado novo pedido de Allisson Wattson para não ir a Júri Popular

A decisão da juíza de direito Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri, é desta quinta-feira (17).

A juíza de direito Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara do Tribunal Popular do Júri, negou novo recurso em sentido estrito ao capitão da Polícia Militar do Piauí, Allisson Wattson da Silva Nascimento, que pedia anulação da sentença que determinou que ele vá a Júri Popular pelo assassinato da namorada, a estudante Camilla Abreu. A decisão é desta quinta-feira (17). A defesa já havia entrado com embargos de declaração, que também foram negados.

  • Foto: Instagram/Allisson WattsonAllisson WattsonAllisson Wattson

O advogado pediu a nulidade da instrução da pronúncia pelo reconhecimento de que ocorreu cerceamento ao seu direito de defesa, posto que apresentou defesa deficiente e rol de testemunha intempestivo, a realização de perícia nos aparelhos telefônicos pertencentes a duas informantes e que fossem enfrentadas as questões arguidas nos embargos de declaração.

O Ministério Público do Estado apresentou contrarrazões ao recurso, pugnando pela manutenção da decisão de pronúncia em todos os seus termos.

A magistrada destacou na sua decisão que “embora o acusado afirme que a sua defesa é deficiente, os advogados que o defendem foram por ele constituído e desde a sua citação, praticam todos os atos defensórios e, se por faculdade própria, ultrapassaram o prazo legal para a apresentação do rol de testemunhas, não pode o acusado alegar em seu benefício, nulidade decorrente daquela conduta”.

Por fim, a juíza decidiu manter todos os termos da decisão da pronúncia.

Relembre o caso

A juíza de direito Maria Zilnar Coutinho Leal, da 2ª Vara Tribunal do Júri, pronunciou o capitão da Polícia Militar, Allisson Wattson da Silva Nascimento pelo assassinato na namorada, a estudante Camilla Abreu. A decisão é foi dada em 02 de abril de 2018.

Com a pronúncia, o policial vai a julgamento pelo júri popular pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo fútil (intenso ciúme da vitima) e recurso que impossibilitou a defesa da ofendida, ocultação de cadáver e fraude processual.

  • Foto: Facebook/Camilla AbreuCamilla AbreuCamilla Abreu

O Ministério Público do Estado ofereceu denúncia baseada no inquérito policial, que concluiu que no dia 26 de outubro do ano passado, o capitão, de forma voluntária e com animus necandi (intenção de matar), ceifou a vida de sua namorada, Camilla Pereira de Abreu, no interior do veículo Corolla de placa NIF 8022, cor azul de que tinha posse o acusado. A denúncia foi recebida no dia 12 de dezembro.

A magistrada afirmou ainda que o militar deve aguardar preso o julgamento pelo Tribunal do Júri, pois “estão presentes os requisitos e pressupostos legais autorizadores de sua prisão como medida necessária ao resguardo da ordem pública e da instrução em plenário do júri”.

O crime

A estudante de direito, Camilla Abreu, desapareceu no dia 26 de outubro. Ela foi vista pela última vez em um bar no bairro Morada do Sol, na zona leste de Teresina, acompanhada do namorado e capitão da PM, Allisson Wattson. Após o desaparecimento, o capitão ficou incomunicável durante dois dias, retornando apenas na sexta-feira (27) e afirmou não saber do paradeiro da jovem.

A Delegacia de Homicídios, coordenada pelo delegado Barêtta, assumiu as investigações. O capitão foi visto em um posto de lavagem às margens do Rio Parnaíba, a fim de lavar seu carro sujo de sangue. Allisson disse ao lavador de carros que o sangue era decorrente de pessoas acidentadas que ele havia socorrido.

Na tentativa de ocultar as provas do crime, o capitão trocou o estofado do veículo e tentou vendê-lo na cidade de Campo Maior, mas não conseguiu pelo forte cheiro de sangue que permanecia no carro.

Durante investigação, a polícia quis periciar o carro, mas Allisson disse ter vendido o veículo, mas não lembrava para quem. No dia 31 de outubro, o delegado Francisco Costa, o Barêtta, confirmou a morte da jovem. Já na parte da tarde, Allisson foi preso e indicou onde estava o corpo da estudante.

Na manhã de 1º de novembro, o corpo da estudante foi enterrado sob forte comoção no cemitério São Judas Tadeu. Laudo cadavérico da estudante Camilla Abreu concluiu que a jovem foi arrastada antes de morrer.

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