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Uruçuí - Piauí

Médico processa filha de paciente após acusação de negligência no hospital regional de Uruçuí

Segundo o autor da ação, as postagens viralizaram rapidamente provocando danos à sua imagem profissional.

O médico Manoel Guedes de Almeida ingressou com uma queixa-crime contra Brunna Martins da Silva, Marcela Alves Barros, representante da empresa M. Alves Barros Ltda, conhecida como Burguesinha, e contra o portal Baixa Grande News, após a publicação de vídeos nas redes sociais acusando-o de negligência no atendimento realizado à paciente Maria das Dores Ferreira da Silva no Hospital Regional Senador Dirceu Arcoverde, em Uruçuí. Segundo o autor da ação, as postagens viralizaram rapidamente, ultrapassando dezenas de milhares de visualizações e provocando danos à sua imagem profissional.

De acordo com a queixa, o episódio teria começado em 19 de maio de 2025, quando a paciente chegou ao hospital reclamando de fortes dores de cabeça e pressão alta. A ficha de atendimento anexada ao processo mostra que ela foi classificada como caso de baixo risco após triagem. O médico relata que prescreveu dipirona e observou a paciente devido à pressão elevada associada ao quadro de dor. Diante da continuidade das queixas, ele afirma ter ministrado Tramal e orientado que ela permanecesse em observação, o que, segundo sua versão, não foi respeitado, já que a paciente teria deixado a unidade sem comunicar a equipe.

Foto: ReproduçãoVídeo divulgado em redes sociais que motivou queixa-crime
Vídeo divulgado em redes sociais que motivou queixa-crime

O conflito se intensificou no dia seguinte, quando Brunna Martins publicou um vídeo de cerca de quatro minutos acusando o médico de liberar sua mãe sem melhora, deixar pacientes esperando e abandonar o hospital para atender em uma clínica privada. Na gravação, ela narra que a mãe teria sido encontrada vomitando e sentada em um corredor, sem assistência, e sustenta que outros pacientes relataram ausência do plantonista por várias horas. As acusações foram replicadas no perfil da loja Burguesinha e também pelo portal Baixa Grande News.

O médico rebateu ponto por ponto das alegações no processo. Ele afirma que nunca deixou o plantão e que as fichas juntadas comprovam atendimentos registrados nos horários mencionados no vídeo, descartando a hipótese de abandono de função, conduta que, segundo ele, foi falsamente atribuída à sua pessoa, caracterizando calúnia. Ele também aponta que as afirmações sobre suposta negligência e condutas “desumanas” se basearam em informações imprecisas, já que Brunna não estava presente no atendimento e relatou fatos de terceiros como verdades absolutas. No processo, o médico sustenta que a divulgação distorcida dos acontecimentos causou grave abalo à sua reputação.

O médico obteve uma decisão em agravo de instrumento determinando que o Instagram removesse os vídeos dos perfis envolvidos e proibisse novas publicações com menções ao seu nome. A decisão destacou que o conteúdo extrapolava os limites da crítica e da liberdade de expressão ao atribuir fatos ofensivos e potencialmente criminosos sem provas. Segundo o processo, mesmo após a repercussão, novas postagens continuaram sendo feitas pela denunciante, alegando situação de “matadouro” no hospital e apelando para autoridades políticas que, segundo ela, não teriam respondido aos seus contatos.

Pedidos

Na queixa-crime, o médico pede que os envolvidos sejam condenados pelos crimes de injúria, difamação e calúnia, com aumento de pena por terem sido propagados por meio digital, o que amplia o alcance das ofensas. Ele solicita ainda a fixação de um valor mínimo de indenização e o pagamento de honorários advocatícios. A ação requer a citação dos querelados, a realização de audiência de conciliação e, caso não haja acordo, o prosseguimento do processo para julgamento.

O material juntado ao processo inclui fichas médicas, prints das publicações, vídeos, boletim de ocorrência e documentos empresariais da loja Burguesinha, além de registros da ação cível paralela. O médico afirma que sua imagem profissional foi “maculada de forma definitiva” diante da grande circulação do conteúdo, que permaneceu por dias ativo nas redes antes da ordem judicial de remoção.

Outro lado

Os processados não foram localizados pelo GP1 para comentarem o caso. O espaço está aberto para esclarecimentos.

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