Os governadores dos nove estados do Nordeste se reuniram em Teresina nesta segunda-feira (1º) para a Assembleia Geral do Consórcio Nordeste, encontro realizado no Blue Tree Hotel, na zona Sul da capital. A reunião, presidida pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), marcou a apresentação de projetos da Chamada Nordeste e o anúncio de investimentos que totalizam R$ 127,8 bilhões para a região. O evento também teve como pauta a avaliação das 18 câmaras temáticas do Consórcio e a assinatura de novos acordos de cooperação entre os estados.
Durante a abertura, Rafael Fonteles afirmou que o encontro encerra o ciclo anual de atividades do Consórcio e destacou que as discussões buscam ampliar o crédito produtivo disponível para empresas do Nordeste. Fonteles afirmou que essa agenda é uma das prioridades de sua gestão à frente do Consórcio por entender que o crédito insuficiente é um dos entraves para reduzir desigualdades regionais. Ele acrescentou que a expectativa é de que os bancos aprovassem um volume superior ao previsto inicialmente, já que os projetos envolvem setores considerados estratégicos para o desenvolvimento regional. Segundo Fonteles, grande parte das propostas está relacionada à transição energética, área apontada como uma das principais oportunidades de industrialização do Nordeste.
Segundo o governador do Piauí, a articulação com o BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa e FINEP tem como objetivo facilitar o acesso a financiamentos que impulsionem geração de emprego e renda. “Primeiro, eu estou muito feliz de receber alguns governadores e vice-governadores do Nordeste aqui em Teresina, nessa nossa última Assembleia Geral do Consórcio Nordeste deste ano, em que a gente vai fazer, obviamente, um balanço do que foi feito, receber também um resumo das câmaras temáticas. São 18 câmaras temáticas que discutem exatamente essa cooperação interfederativa nas várias áreas da administração pública. E, claro, grandes anúncios, sobretudo de investimentos para os estados nordestinos, a partir de uma articulação do consórcio com o BNDES, o BNB, o Banco do Brasil, a Caixa e a FINEP, aumentando o volume de crédito produtivo para empresas que investem no Nordeste. Essa é a principal bandeira que eu levantei ao longo da presidência que exerci, que estou exercendo, porque exatamente identifico esse ponto como sendo o que mais dificulta a redução das desigualdades regionais em relação ao Nordeste brasileiro", disse.
"Então, o crédito produtivo para gerar mais emprego e renda, para que o Nordeste possa se aproximar ainda mais da média nacional no que diz respeito à renda média, ao PIB per capita, aos indicadores socioeconômicos. Claro que evoluímos muito ao longo desses últimos anos, especialmente depois da chegada do presidente Lula ao governo em 2003, mas ainda temos muitos desafios, e um deles tem a ver exatamente com essa distorção no mercado de crédito brasileiro, crédito para as empresas, para que elas possam alavancar seus investimentos, gerar mais emprego e renda aqui na região Nordeste. Então, esse anúncio que vai ser feito daqui a pouquinho, às 14 horas, vai deixar evidente que, tendo oportunidades, tendo linhas de crédito específicas, as empresas nordestinas aproveitam as oportunidades em articulação com os governos. Então, esse é um ponto muito importante que a gente vai colocar daqui a pouquinho", completou o governador.
O governador citou que a linha inicial de R$ 10 bilhões destinada ao setor produtivo recebeu mais de R$ 120 bilhões em projetos apresentados por empresas nordestinas. "Foi colocado inicialmente 10 bilhões de reais nessa linha específica. E nós apresentamos projetos, eu digo, as empresas nordestinas apresentaram mais de 120 bilhões de projetos. Então vamos receber a informação dos bancos do que foi aprovado, certamente um volume muito maior do que os R$ 10 bilhões. É isso que esperamos, até porque os projetos estão muito bem construídos. São projetos nas mais diversas áreas, sobretudo envolvendo a transição energética, que é o grande potencial de industrialização que o Nordeste tem”, detalhou Fonteles.
O foco é atração de indústrias
Ao detalhar essas iniciativas, Rafael Fonteles afirmou que a intenção dos estados é atrair indústrias que utilizem a energia limpa e abundante produzida no Nordeste, evitando que a região se limite ao papel de exportadora desse recurso. Ele também citou o potencial da agropecuária no Matopiba, região que engloba partes do Piauí, Maranhão e Bahia, além de destacar o avanço de áreas como economia digital, turismo e economia criativa. “A partir dessa energia limpa, abundante, trazer indústrias que vão utilizar essa energia limpa e abundante para o Nordeste, e não para o Nordeste ser um exportador de energia. Claro que só o fato de ser gerador de energia já proporciona desenvolvimento, mas a industrialização é o que vai gerar mais desenvolvimento socioeconômico para o nosso povo. Então, essa é uma das áreas que nós apontamos como sendo de muito potencial para o Nordeste. A área também da agropecuária, sem dúvida, especialmente no Piauí, no Maranhão e na Bahia, que fazem parte do Matopiba. A área da economia digital é outra aposta que nós fazemos, dada a qualidade da educação que nós temos em vários estados do Nordeste, e um potencial enorme no turismo e na economia criativa", declarou.
Fonteles afirmou que esses setores ainda têm uso limitado quando comparados à capacidade regional. O governador destacou que a cooperação interfederativa é fundamental para organizar ações conjuntas nessas áreas e ampliar a presença de atividades industriais e tecnológicas nos estados. "Então, essas são as áreas que os nove estados do Nordeste têm um potencial em comum e ainda muito pouco aproveitado, a nosso ver. Por isso nós precisamos dessa articulação interfederativa que o Consórcio Nordeste representa para alavancar essas áreas econômicas na nossa região. É isso que nós defendemos: que a sustentabilidade ambiental, a transição energética, a transformação ecológica, para nós, são oportunidades econômicas perfeitamente conciliáveis, a preservação do meio ambiente e o desenvolvimento industrial, através da bioeconomia, através da indústria verde, que é o que nós chamamos de neoindustrialização, uma indústria verde e inovadora, que está dentro da agenda Brasil, da Nova Indústria Brasil, muito bem liderada pelo vice-presidente Alckmin e muito bem apoiada pelo presidente Lula. Então, você vê o Plano de Transformação Ecológica lançado pelo ministro Haddad, a Nova Indústria Brasil lançada pelo ministro Alckmin, dentro do contexto também do Novo PAC lançado pelo ministro Rui Costa, são três projetos que buscam conciliar desenvolvimento industrial e desenvolvimento econômico com sustentabilidade ambiental. E quem mais tem potencial para aproveitar isso é o Nordeste, dada a energia limpa e abundante que nós temos aqui”, pontuou
Governadores que vão participar
Além do Piauí, participaram da reunião os governadores Carlos Brandão (Maranhão), Elmano de Freitas (Ceará), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), João Azevedo (Paraíba), Raquel Lyra (Pernambuco), Jerônimo Rodrigues (Bahia), Paulo Dantas (Alagoas) e Fábio Mitidieri (Sergipe). Durante o encontro, também foi lançado o Centro de Inteligência Artificial do Nordeste (CIAN), desenvolvido em parceria com a Dataprev e a Huawei. O projeto prevê a criação de infraestrutura avançada em IA, capacitação de profissionais, desenvolvimento de soluções regionais e ações de transferência tecnológica entre Brasil e China, com foco em fortalecer o ecossistema de inovação dos estados nordestinos.
Caroline Vitorino
Davi Fernandes
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