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Teresina - Piauí

Senador Ciro Nogueira coloca prefeitos da base de Rafael Fonteles em xeque para 2026

Entre os prefeitos, cresce o receio de que a fidelidade cega ao Palácio de Karnak acabe custando caro.

As movimentações para 2026 têm colocado prefeitos aliados do Governo do Estado numa encruzilhada cada vez mais difícil de contornar. Até pouco tempo atrás, o Partido dos Trabalhadores (PT) parecia ser o refúgio natural para gestores acuados, oferecendo estrutura, discurso e a promessa de proteção política. Mas o cenário mudou, e os bastidores mostram que esse “abrigo” já não é mais suficiente para blindá-los de investidas cada vez mais incisivas do senador Ciro Nogueira (Progressistas), que tem percorrido o interior com cheques, equipamentos e um abraço político que, ao contrário do PT, se faz sentir no dia a dia das administrações

Ciro vem se movimentando com a desenvoltura de quem conhece cada prefeito pelo nome e cada necessidade pelo CEP. Entrega máquinas, veículos, obras e ajuda financeira em pleno vapor, enquanto o PT se preocupa em fechar discursos em torno da chapa majoritária, Marcelo Castro e Júlio César ao Senado, e em conter prefeitos que flertam com o líder da oposição. O Progressistas, por sua vez, avança de maneira quase silenciosa, mas eficiente.

Foto: Divulgação/AscomCiro Nogueira e Fábio Xavier
Ciro Nogueira e Fábio Xavier

Entre os prefeitos, cresce o receio de que a fidelidade cega ao Palácio de Karnak acabe custando caro nos pleitos futuros. De um lado, a exigência do PT para que prefeitos não posem ao lado de Ciro, como deixou claro o presidente estadual João de Deus em reunião recente com militantes: “Não dá para ter deputado estadual posando do lado do nosso adversário”. De outro, a pressão prática de manter a máquina municipal rodando, em muitos casos só possível graças aos recursos viabilizados por Ciro Nogueira e seus aliados.

Os números jogam mais lenha nessa fogueira. Em 2022, apenas PT, PSD e Progressistas atingiram o quociente eleitoral para a Câmara dos Deputados. Em 2026, a meta do PT é eleger cinco deputados e o PSD, quatro, sobrando apenas uma vaga entre outras siglas. Por isso, o governo quer evitar que partidos menores lancem candidaturas isoladas e dispersem votos. Mas essa matemática ignora as realidades políticas nas bases, onde prefeitos precisam de resultados imediatos para sobreviver e é justamente aí que Ciro se fortalece.

O Progressistas vai ocupando espaços que a própria base emora a preencher, e se continuar assim, não será surpresa ver mais gestores, como o Mardônio Soares, de Barra D’Alcântara, declararem abertamente apoio ao senador da oposição, mesmo contrariando ordens diretas da base governista.

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