As movimentações para 2026 têm colocado prefeitos aliados do Governo do Estado numa encruzilhada cada vez mais difícil de contornar. Até pouco tempo atrás, o Partido dos Trabalhadores (PT) parecia ser o refúgio natural para gestores acuados, oferecendo estrutura, discurso e a promessa de proteção política. Mas o cenário mudou, e os bastidores mostram que esse “abrigo” já não é mais suficiente para blindá-los de investidas cada vez mais incisivas do senador Ciro Nogueira (Progressistas), que tem percorrido o interior com cheques, equipamentos e um abraço político que, ao contrário do PT, se faz sentir no dia a dia das administrações
Ciro vem se movimentando com a desenvoltura de quem conhece cada prefeito pelo nome e cada necessidade pelo CEP. Entrega máquinas, veículos, obras e ajuda financeira em pleno vapor, enquanto o PT se preocupa em fechar discursos em torno da chapa majoritária, Marcelo Castro e Júlio César ao Senado, e em conter prefeitos que flertam com o líder da oposição. O Progressistas, por sua vez, avança de maneira quase silenciosa, mas eficiente.
Entre os prefeitos, cresce o receio de que a fidelidade cega ao Palácio de Karnak acabe custando caro nos pleitos futuros. De um lado, a exigência do PT para que prefeitos não posem ao lado de Ciro, como deixou claro o presidente estadual João de Deus em reunião recente com militantes: “Não dá para ter deputado estadual posando do lado do nosso adversário”. De outro, a pressão prática de manter a máquina municipal rodando, em muitos casos só possível graças aos recursos viabilizados por Ciro Nogueira e seus aliados.
Os números jogam mais lenha nessa fogueira. Em 2022, apenas PT, PSD e Progressistas atingiram o quociente eleitoral para a Câmara dos Deputados. Em 2026, a meta do PT é eleger cinco deputados e o PSD, quatro, sobrando apenas uma vaga entre outras siglas. Por isso, o governo quer evitar que partidos menores lancem candidaturas isoladas e dispersem votos. Mas essa matemática ignora as realidades políticas nas bases, onde prefeitos precisam de resultados imediatos para sobreviver e é justamente aí que Ciro se fortalece.
O Progressistas vai ocupando espaços que a própria base emora a preencher, e se continuar assim, não será surpresa ver mais gestores, como o Mardônio Soares, de Barra D’Alcântara, declararem abertamente apoio ao senador da oposição, mesmo contrariando ordens diretas da base governista.
Caroline Vitorino
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