A Universidade Federal do Piauí (UFPI) realizou nesta segunda-feira (25) um encontro com deputados federais da bancada piauiense no Salão Nobre da Reitoria, em Teresina, com objetivo de ampliar o diálogo institucional e apresentar demandas estratégicas da instituição para garantir melhorias no ensino, na pesquisa e na extensão universitária, diante dos cortes orçamentários registrados nos últimos anos. Além disso, a instituição apresentou demandas prioritárias para garantir melhor usabilidade dos recursos orçamentários. Estavam presentes no evento os deputados federais Francisco Costa, Merlong Solano e o senador Marcelo Castro.
A reitora Nadir do Nascimento Nogueira conduziu a reunião destacando a importância da universidade como patrimônio do Estado do Piauí e apresentou propostas que incluem a construção de uma usina fotovoltaica para reduzir os custos mensais de energia, que hoje giram em torno de R$ 1,2 milhão, além da modernização da infraestrutura de tecnologia da informação, considerada defasada. Segundo a gestora, as duas medidas são fundamentais para liberar recursos para novos investimentos e fortalecer a capacidade da instituição de oferecer soluções inovadoras à sociedade.
“Nós fizemos esse convite para apresentar a nossa bancada, que é uma bancada extremamente comprometida com as demandas do Estado do Piauí, as demandas que a universidade hoje enfrenta, as necessidades por conta de cortes orçamentários e dificuldades financeiras. A gente entende que esse diálogo, essa busca com os nossos deputados é considerando a universidade como um patrimônio do Estado do Piauí, que forma e qualifica recursos humanos, que gera conhecimento. A gente espera sensibilizá-los para que eles possam nos ajudar por meio de emendas parlamentares, já para 2026, em alguns itens que nós elegemos para fazer essa proposta, especificamente para a construção de uma usina fotovoltaica, por exemplo, e para melhorar a nossa infraestrutura em TI. A usina é importante porque nós pagamos, em média, hoje, R$ 1,2 milhão por mês em energia. Com a usina é possível diminuir cerca de 30% a 40% desse valor, e assim esse recurso pode ser destinado a outros investimentos, melhorando a infraestrutura tanto no ensino quanto na extensão e na pesquisa. Esse é um ponto importante, que vai gerar mais recursos para fins de investimento. A outra proposta é apresentar as dificuldades que estamos tendo com o TI. O nosso data center e todo o ambiente de tecnologia estão muito defasados, e a universidade pode oferecer ao Estado do Piauí vários projetos inovadores, assim como fizemos agora em parceria com a Secretaria de Segurança do Estado, com o B.O. Fácil e o Spia. Podemos ampliar esse escopo e contribuir com ferramentas que melhorem não só a segurança, mas também a educação e ações do Ministério Público, como já temos feito. Mas, para isso, é preciso melhorar a infraestrutura, do ponto de vista de equipamentos mais robustos e sistemas mais avançados. Com isso, a gente entrega resultados para a sociedade e entende que o papel dos parlamentares é promover esse diálogo com a sociedade, apresentando soluções para os problemas, para que o Piauí continue se desenvolvendo”, declarou a reitora.
Corte de R$ 6,3 milhões no orçamento
A reitora também destacou que a UFPI sofreu um corte de aproximadamente R$ 6,3 milhões em 2025, mas parte do valor foi recomposta após negociação das universidades com o Ministério da Educação, que liberou cerca de R$ 400 milhões para o sistema federal. Apesar das dificuldades, Nadir Nogueira afirmou que a instituição tem conseguido manter os pagamentos de despesas essenciais, como energia e contratos terceirizados, priorizando políticas de assistência estudantil voltadas à permanência dos alunos.
“Nós tivemos um corte em torno de R$ 6,3 milhões, mas já conseguimos a recomposição, fruto de um grande esforço das universidades junto ao Ministério da Educação, o que resultou em aproximadamente R$ 400 milhões para todo o sistema federal. Hoje estamos conseguindo pagar as contas, seja de energia ou de terceirizados, porque estamos fazendo uma gestão eficiente e priorizando o que de fato impacta a permanência dos nossos alunos, como a assistência estudantil. Essa é a nossa prioridade e estamos conseguindo cumprir”, destacou a docente.
Bancada federal
O deputado federal Merlong Solano (PT), líder da bancada piauiense na Câmara, ressaltou que já destinou R$ 2 milhões em emendas para a construção de um novo restaurante universitário na UFPI e defendeu que cada parlamentar tem autonomia para definir suas prioridades, mas que essas reuniões são fundamentais para alinhar as principais demandas da instituição e buscar recursos também junto a ministérios e ao governo federal, além das emendas individuais e de bancada.
“Bom, eu particularmente já venho destinando recursos para a UFPI. Neste ano, eu coloquei R$ 2 milhões, que estão sendo utilizados para construir um novo restaurante universitário. Na bancada, cada parlamentar tem sua autonomia e decide suas prioridades, por isso a reunião é importante para ouvir quais são as demandas principais da reitoria. Ela já me comunicou, por exemplo, que uma das prioridades é a implantação de um sistema de energia solar, para diminuir a despesa com energia elétrica, que é muito elevada. Então, vamos ouvir quais são as principais demandas, e depois cada parlamentar terá a autonomia para decidir. Também podemos, juntos, estabelecer metas a serem alcançadas junto aos ministérios e ao próprio governo federal, com recursos que não dependem apenas de emendas da bancada. Esse é o sentido do diálogo: ver quais são as prioridades da reitoria, como cada parlamentar pode ajudar individualmente com suas próprias emendas e também como atuar em conjunto para trazer mais recursos do governo federal para a nossa UFPI”, ressaltou o parlamentar.
Merlong abordou ainda a questão dos cortes orçamentários enfrentados pelas universidades. Segundo ele, o orçamento público brasileiro é engessado pelo peso da dívida da União, o que torna inevitável a distribuição de contingenciamentos entre diferentes áreas. Na sua avaliação, excluir setores desse ajuste aumenta a sobrecarga em outros, podendo inviabilizar serviços. O parlamentar afirmou que em períodos de dificuldade é necessário que todos contribuam e, nos momentos de bonança, os benefícios sejam igualmente distribuídos.
“A questão do corte no orçamento é mais complexa. Sabemos do engessamento do orçamento público do Brasil, tanto nos municípios quanto nos estados e na União. No caso da União, em função do grande peso da dívida pública, quando há necessidade de cortes, não é possível fugir deles em todas as áreas. Cada vez que se exclui uma área do contingenciamento, aumenta o peso sobre as demais, podendo inviabilizar algumas delas, o que não é bom para a sociedade. Então, na hora da dificuldade, todo mundo precisa contribuir um pouco. E, na hora da bonança, todos devem receber de volta. Esse é o meu pensamento”, finalizou.
Perdas no orçamento da UFPI
Após a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, a UFPI sofreu uma diminuição de 4,5% em seu orçamento discricionário em relação ao valor previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). Na prática, isso representou uma perda de R$ 6,37 milhões para despesas de custeio e manutenção. Em 2024, a universidade recebeu R$ 961,4 milhões; para 2025, o PLOA previa R$ 974,4 milhões, mas a LOA reduziu o montante, resultando em corte nominal de R$ 4,37 milhões. Mesmo com a inclusão de uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões, o impacto final chegou a R$ 6,37 milhões, comprometendo diretamente o funcionamento da instituição.
Caroline Vitorino
Davi Fernandes
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