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Teresina - Piauí

Justiça mantém preventiva de falsa advogada acusada de acessar dados sigilosos no Tribunal de Justiça do Amazonas

A decisão foi ratificada durante audiência de custódia realizada nesse sábado (21).

A Justiça do Piauí manteve a prisão da falsa advogada, identificada como Lucila Meireles Costa, presa na última sexta-feira (20), no centro de Teresina, durante a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas.

A decisão foi ratificada durante audiência de custódia realizada nesse sábado (21).

Ela é apontada como parte de uma organização criminosa acusada de atuar de forma estruturada nos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, por meio do acesso a dados sigilosos no Tribunal de Justiça do Amazonas.

Foto: Divulgação/PC-PILucila Meireles Costa
Lucila Meireles Costa

Investigações

As investigações tiveram início, após uma apreensão de grande porte realizada em ação policial anterior, ocasião em que foram localizados mais de 500 tabletes de entorpecentes do tipo maconha skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre, além de aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião.

A partir desse fato, foi instaurado inquérito policial com o objetivo de identificar a cadeia de comando, os operadores logísticos, os financiadores e os colaboradores do esquema criminoso. As diligências apontaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico.

Segundo as investigações, a organização criminosa utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte de entorpecentes, bem como veículos alugados em nome de terceiros, com o intuito de dificultar o rastreamento pelas autoridades. Também foi identificado o uso de empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, com indícios de funcionamento apenas documental, utilizadas para a movimentação e ocultação de valores de origem ilícita.

Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias atípicas de elevado valor, com transferências entre investigados, empresas vinculadas ao grupo e pessoas situadas em diversos estados da federação. As análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.

As apurações também identificaram ramificações interestaduais, com transações suspeitas e vínculos com investigados nos estados do Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí e São Paulo, evidenciando uma rede ampliada de fornecimento, financiamento e distribuição de drogas.

Com autorização judicial, foi realizada a extração de dados telemáticos de aparelhos celulares, o que contribuiu para o mapeamento das conexões entre os investigados, bem como da estrutura financeira e da logística criminosa.

Os elementos reunidos apontam, ainda, indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais, fato que segue sob apuração específica.

Com base no conjunto probatório (composto por relatórios de investigação, análises financeiras, dados telemáticos e outros elementos técnicos) a PC-AM representou ao Poder Judiciário pela adoção de diversas medidas cautelares, entre elas o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio e o sequestro de bens e valores, além de outras medidas investigativas complementares.

A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, preservar provas, rastrear ativos ilícitos e responsabilizar todos os envolvidos.

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