Um estudo técnico do Serviço Geológico do Brasil, vinculado ao Ministério das Cidades, revelou que dezenas de regiões de Teresina apresentam vulnerabilidade a desastres naturais, com milhares de moradores expostos a riscos como inundações e deslizamentos. O levantamento integra o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), concluído nesta sexta-feira (27) e entregue à Prefeitura de Teresina.
Ao todo, foram mapeadas 167 áreas de risco geo-hidrológico na capital, atingindo cerca de 28 mil pessoas. Entre os bairros com maior número de áreas classificadas como risco médio estão Residencial Torquato Neto III, Parque Jacinta, Santa Cruz, Santo Antônio, Três Andares, Cristo Rei, São Pedro, Cidade Nova, Mocambinho, Bela Vista, Mafrense, Itararé e Satélite.
Já nas áreas consideradas de risco alto aparecem bairros como Angelim, Areias, Santa Teresa, Lagoa do Mocambinho, Recanto Pássaros, Vale Quem Tem e Pedra Mole. As regiões com classificação de risco muito alto estão concentradas em pontos específicos de bairros como Santa Teresa, Bela Vista, Três Andares, Pedro Balzi e Poti Velho.
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A maior parte dos moradores expostos está concentrada nas áreas de risco médio, com mais de 24 mil pessoas vivendo em locais sujeitos a eventos como alagamentos e inundações.
O estudo aponta que os principais riscos estão relacionados a inundações, alagamentos e deslizamentos, especialmente em regiões próximas aos rios Rio Parnaíba e Rio Poti. Segundo o relatório, a ocupação urbana em áreas de planície de inundação – muitas vezes com uso de aterros e sem infraestrutura adequada – contribui diretamente para o agravamento dos problemas.
Falhas no ordenamento urbano agravam riscos
Apesar de o levantamento servir como base técnica para orientar ações públicas, o cenário identificado evidencia falhas históricas no ordenamento urbano. A expansão de moradias em áreas alagáveis e encostas, aliada à ausência de medidas eficazes de contenção, tem ampliado a exposição da população a desastres.
Entre os pontos mais críticos estão a Rua José Miguel Haddad, no Residencial Torquato Neto III, com mais de 8 mil moradores em área sujeita a alagamentos, e a Rua El Shaday, no bairro Lindalma Soares, onde cerca de 5,7 mil pessoas vivem sob risco de inundação.
O Serviço Geológico do Brasil destaca que o mapeamento deve orientar ações de prevenção e priorização de intervenções, mas alerta que, sem medidas efetivas, a tendência é de agravamento do cenário, sobretudo diante do aumento de eventos climáticos extremos.
Izabella Furtado
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