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Parnaíba - Piauí

Enfermeira denuncia médico por assédio sexual no HEDA em Parnaíba

Durante um plantão do dia 28 de março, o acusado encostou o órgão genital nas nádegas da vítima.

Uma enfermeira denunciou um médico do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) à Polícia Civil do Piauí (PC-PI) no dia 28 de março, após ser vítima de assédio sexual dentro da unidade de saúde, situada na cidade de Parnaíba. Em boletim de ocorrência, a mulher relatou diversos episódios de aproximações e convites inconvenientes do profissional, aos quais ela veementemente rejeitou por diversas vezes. O ápice da situação foi quando, durante um plantão, o acusado encostou o órgão genital nas nádegas da vítima.

Em entrevista ao GP1, a advogada Helen Daniele, que atua na defesa da enfermeira, detalhou que antes desse episódio o homem fazia inúmeros convites à vítima para que os dois fumassem juntos. Em resposta, a mulher chamou a atenção do médico, e recorreu ao coordenador de Enfermagem do HEDA para que mudasse ela de setor, mas a mudança não afastou o acusado.

Foto: Divulgação/AscomHEDA em Parnaíba
HEDA em Parnaíba

“Em vários plantões ele já vinha importunando ela, ela já tinha chamado a atenção dele diversas vezes, e ele não parou. Simplesmente nesse dia [28 de março] que foi o estopim de tudo, ele resolveu perturbar ela de todas as formas. Estava no horário do descanso dele, de madrugada, tinha outra médica o substituindo. Pois ele não foi para o repouso e ficou atendendo e chegou um paciente de atendimento de emergência que a enfermeira estava dando assistência com a outra médica, fazendo tudo que a médica tinha prescrito para o paciente”, relatou a advogada.

Chantagem

No decorrer do atendimento, o médico passou a dar diversas ordens para a enfermeira, as quais ela refutou, pois contrariavam o que foi prescrito pela médica que estava fazendo o acompanhamento do paciente. “Ele ficou importunando ela, passando funções erradas, mandando ela fazer várias coisas ao mesmo tempo. Em resumo, ele queria que a enfermeira fizesse um procedimento e ela disse que não era a hora, pois tinha um intervalo de tempo determinado para fazer isso. Naquele momento, o médico fez o relatório do paciente e relatou no prontuário que ela estava sendo negligente. Agindo de má-fé mesmo para prejudicar ela como profissional”, detalhou Helen Daniele.

A mulher o confrontou, e os dois discutiram para que ele retirasse essa informação do relatório. Em seguida, a enfermeira começou a imprimir os relatórios que comprovavam que ela estava prestando o atendimento da forma correta, quando o médico se aproximou e encostou o órgão genital ereto nas nádegas da mulher. “Ele perguntou o que ela daria para ele em troca para mudar o que escreveu no prontuário sobre ela”, descreveu a advogada da enfermeira.

No mesmo dia, a mulher se dirigiu à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, onde registrou o boletim de ocorrência contra o médico. O episódio refletiu na vida pessoal da enfermeira, que passou a sofrer com episódios de crise de ansiedade. Mesmo bastante abalada, no dia 31 de março ela foi convocada para uma reunião no HEDA, ocasião em que foi demitida. No momento, a mulher estava acompanhada de um advogado que criticou a medida. Horas depois, após contato com a diretoria do hospital, a profissional foi readmitida.

Caso foi encaminhado ao Comitê de Ética do HEDA

Procurada pelo GP1, a assessoria do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) informou que o caso foi encaminhado ao Comitê de Ética, responsável pela apuração do ocorrido. A unidade também declarou que todas as partes envolvidas serão ouvidas ao longo da investigação.

Confira a nota do HEDA na íntegra

Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) recebeu a denúncia envolvendo suposto caso de assédio moral e sexual no âmbito da unidade e tratou a situação com a devida prioridade desde o primeiro momento.

Em conformidade com os fluxos institucionais já estabelecidos, o caso foi imediatamente encaminhado ao Comitê de Ética, que conduz a apuração com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido processo legal. Todas as partes envolvidas estão sendo ouvidas, incluindo testemunhas, para o completo esclarecimento dos fatos.

Por se tratar de um processo em andamento, as informações são conduzidas sob sigilo, conforme a legislação vigente, garantindo a proteção das pessoas envolvidas e a adequada apuração.

O HEDA reafirma que situações dessa natureza são tratadas com seriedade e responsabilidade, e que não são compatíveis com o ambiente de trabalho que a instituição preza. Seguimos comprometidos com a promoção de um espaço seguro, ético e respeitoso para todos.

As medidas cabíveis serão adotadas a partir da conclusão da apuração.

Assessoria de Comunicação

Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA)

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