Um policial militar identificado como Gabriel Veras Tomaz Silva, de 20 anos, lotado no 29º BPM de Teresina, é suspeito de violência doméstica contra a ex-namorada, que foi agredida na madrugada desta segunda-feira (27) em um condomínio localizado no bairro Santa Lia, zona leste da capital.
Segundo relato dos familiares da vítima ao GP1, as agressões começaram ainda durante a manhã do domingo (26), quando a jovem se levantou para preparar café e, ao retornar ao quarto, foi atacada pelo suspeito. Ao longo da tarde, a violência se intensificou, com agressões físicas em diferentes cômodos do apartamento, incluindo estrangulamentos e empurrões. A vítima também afirma ter sido mantida contra sua vontade dentro da residência e alvo de tentativa de violência sexual.
Ainda conforme o relato, durante a noite, o policial permaneceu armado em parte do tempo e teria feito ameaças contra a própria vida e a da vítima. Em meio às agressões e tentativas de se defender, a mulher conseguiu pedir ajuda a amigos, que acionaram a polícia.
Atuação da polícia
Os familiares da vítima também relataram preocupação com a conduta dos policiais que atenderam à ocorrência. Segundo eles, ao chegarem ao local, os agentes prestaram apoio inicial à vítima, mas, em seguida, passaram a conversar com o suspeito dentro da residência, com quem teriam vínculo profissional.
“Quando ela começou a pedir ajuda, ele mandou mensagem em um grupo da corporação tentando inverter a situação, dizendo que ela não aceitava o fim do relacionamento. Mas ela estava trancada dentro de casa. Quando a viatura chegou, ficaram horas com vários policiais amigos dele entrando e conversando com ele, enquanto ela permanecia no corredor com um conhecido que conseguiu ir até o local para ajudá-la”, relataram.
Familiares afirmam ainda que, na delegacia, a vítima se sentiu coagida. Consta que o delegado de plantão minimizou a gravidade dos fatos. “O delegado não considerou a tentativa de forçá-la a fazer sexo oral e tratou o caso de forma superficial. Mesmo ela relatando tudo, foi dito que não havia lesão aparente, sendo que ela mal conseguia caminhar. Profissionais da Maternidade Evangelina Rosa presenciaram o estado em que ela estava”, afirmou um dos familiares.
Histórico de violência e medo de denunciar
Segundo os relatos, o relacionamento era marcado por episódios anteriores de violência, que não chegaram a ser denunciados formalmente.
Ainda conforme o relato, o fato de o agressor ser policial militar teria contribuído para o silêncio da vítima, que temia represálias e não se sentia segura para formalizar denúncias. A família afirma que o medo e a pressão emocional fizeram com que os episódios anteriores não fossem levados às autoridades.
Caroline Vitorino
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