A eleição para Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do Piauí, marcada para sábado, dia 2 de maio, ocorre em um cenário incomum e carregado de tensão interna. Diferente de anos anteriores, quando o consenso predominava, desta vez a disputa se dá entre duas chapas e revela um ambiente de divisão que tem movimentado intensamente os bastidores da instituição. De um lado está a Chapa 01, liderada por Osvaldo Pierote, apontado como o candidato apoiado pelo atual Grão-Mestre Jarbas Nogueira Matias, que ocupa o cargo há oito anos. Do outro, a Chapa 02 traz como candidato o ex-Grão-Mestre Reginaldo Rufino Leal, que carrega como principal legado a construção do Complexo Maçônico da Ladeira do Uruguai, considerado uma das maiores obras da maçonaria piauiense.
O clima eleitoral, que deveria girar em torno de propostas e projetos para o futuro da ordem, acabou sendo tomado por questionamentos que vêm ganhando força principalmente em grupos de comunicação interna. Um dos principais pontos levantados envolve repasses financeiros feitos à Clínica São João, que totalizam R$ 16.800,22. A situação ganha ainda mais repercussão pelo fato de que a clínica é pertencente ao atual Grão-Mestre Jarbas Nogueira Matias, o que intensifica os questionamentos sobre possível conflito de interesses.
Os documentos analisados indicam a realização de cerca de 20 transferências via Pix, distribuídas ao longo de meses, com valores variados e recorrentes, o que levanta dúvidas sobre a finalidade desses pagamentos e se houve a devida transparência e autorização institucional para tais movimentações. Embora não haja registro de repasses diretos ao atual Grão-Mestre, o volume e a frequência das transações chamam atenção e passaram a ser alvo de questionamentos entre os membros da ordem.
Outro ponto que intensificou o debate diz respeito ao candidato da Chapa 01. Registros apontam que Osvaldo Pierote teria recebido diárias como Grande Secretário das Relações Exteriores, o que abriu uma série de dúvidas sobre a legalidade desses pagamentos. Entre os questionamentos levantados estão se ele de fato ocupava oficialmente essa função, quem seria o titular do cargo na nominata da instituição e se existia um secretário adjunto formalmente nomeado para justificar tais recebimentos. Essas inconsistências têm sido amplamente discutidas e ampliam o clima de desconfiança que cerca o processo eleitoral.
Diante desse cenário, a eleição deixou de ser apenas uma escolha administrativa e passou a representar um momento decisivo para o futuro da Grande Loja do Piauí. Para muitos maçons, o que está em jogo não é apenas a definição de um novo Grão-Mestre, mas sim uma decisão sobre transparência, gestão e os rumos institucionais da ordem.
O processo eleitoral evidencia um possível afastamento dos princípios de harmonia que tradicionalmente marcam a maçonaria, aproximando o debate interno de práticas políticas mais comuns ao mundo profano. Independentemente do resultado, o desfecho desta eleição tende a deixar marcas profundas e pode redefinir a forma como a instituição será conduzida nos próximos anos.
Outro lado
Nenhum dos membros citados foram localizados para comentar o caso. O espaço está aberto para esclarecimentos.
Jeyson Moraes
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