A Polícia Civil do Piauí divulgou detalhes da investigação que resultou na internação provisória de um adolescente de iniciais J. C. S. M., investigado por atos infracionais análogos aos crimes de ameaça, apologia ao crime, incitação ao crime, porte de arma branca e falso alarme de ataque em uma escola pública da zona norte de Teresina.
Os prints extraídos do celular do estudante mostram conversas em que ele discutiu a obtenção de armas de fogo, além de mencionar o uso de facas e machados em um possível ataque. O material também revela pesquisas na internet relacionadas à compra de armas, munições e acessórios.
Entre as mensagens, o adolescente afirma que possui "só uma faca e um machado", enquanto em outro trecho diz que um amigo iria conseguir um revólver calibre 38. Há ainda conversas sobre a possibilidade de obter um rifle por meio de terceiros.
Outros prints mostram mensagens em que ele comenta formas de atacar pessoas com armas brancas, citando golpes na barriga e na cabeça. Segundo a Polícia Civil, essas conversas reforçam a hipótese de que havia planejamento para a prática de um atentado.
A perícia também identificou no histórico do navegador pesquisas sobre armas de fogo, munições e acessórios, incluindo buscas por pistolas, munição calibre 9 mm e equipamentos relacionados ao armamento.
Caso ganhou repercussão em março
Conforme o delegado Eduardo Aquino, o caso veio à tona em março deste ano, quando o adolescente foi apreendido em flagrante dentro de uma escola estadual da zona norte da capital após publicar, em uma rede social, que pretendia realizar um ataque na unidade de ensino.
Na ocasião, policiais militares encontraram com ele uma faca e uma balaclava. O próprio adolescente admitiu que planejava o atentado em razão de conflitos vividos no ambiente escolar, alegando sofrer bullying.
Ministério Público concedeu remissão
Inicialmente, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que concedeu remissão, posteriormente homologada pela Justiça. Apesar disso, a Polícia Civil decidiu aprofundar as investigações e solicitou autorização judicial para realizar a perícia no celular apreendido.
Novas provas mudaram o rumo da investigação
Após a extração dos dados do aparelho, os investigadores encontraram conversas sobre o planejamento de um ataque em escola, pesquisas para aquisição de armas de fogo, buscas por instituições de ensino da capital, referências a datas de massacres e conteúdos que exaltavam autores de atentados em escolas.
De acordo com o delegado Eduardo Aquino, responsável pelo caso, os elementos indicam que havia planejamento e persistência na intenção de cometer o crime.
Outro fator considerado pela investigação foi o acompanhamento psicológico do adolescente no CAPS Infantojuvenil. Conforme a Polícia Civil, ele voltou a manifestar recentemente a intenção de promover um massacre em ambiente escolar, levando a direção da escola a determinar um novo afastamento temporário do estudante.
Diante das novas provas e da avaliação de que o risco permanecia concreto, a Polícia Civil representou pela internação provisória do adolescente, medida que foi deferida pelo Poder Judiciário. "Todas as medidas adotadas respeitaram o devido processo legal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a preservação da identidade do adolescente", afirmou o delegado Eduardo Aquino.
Brunno Suênio
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