A Justiça do Piauí recebeu denúncia do Ministério Público do Estado e tornou réus 16 pessoas acusadas de integrarem um grupo criminoso que distribuías drogas no Centro-Sul do estado, movimentando valores milionários. Entre os réus, está José Rodrigues Laurentino , o Sheik, empresário e ex-candidato a vereador do município de Prata do Piauí, apontado como líder do esquema .

Se tornaram réus, além de José Laurentino: Pedro Vitor de Moura (Gucci Gang ou Pedro Caroço), Francimeire Maria de Moura Eloi, Eduardo Vieira de Carvalho Rocha, Samuel Coelho de Oliveira (Samuka), Fabrício Juscelino Alves Gonçalves, Alisson de Sousa Pereira, Darlan Silva Paz, Welison Junior Paz, José Antônio Campos, Pablo Rusevel Santos Coutinho (El Patrón), Joceone João de Brito, José Adailton Santos Pereira (Bodin, BD ou Racha Cuca), Luana Dias Ventura, Kamila Vieira de Sousa Barbosa e Diógenes Venício de Sousa (Dent).

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José Rodrigues Laurentino (Sheik), Fabrício Juscelino Alves Gonçalves e Francimeire Maria de Moura Eloi

Os 16 réus responderão pelos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O esquema criminoso foi desvendado a partir da prisão de Pedro Vitor de Moura, em 9 de dezembro do ano passado, pelo crime de tentativa de homicídio. A análise do conteúdo encontrado no celular do investigado, revelou intensa articulação envolvendo os denunciados, com diálogos sobre aquisição, transporte e comercialização de entorpecentes, bem como menções ao comércio de armas e à movimentação de valores ilícitos.

Com base nessas informações, a Polícia Civil do Piauí e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) deflagraram a Operação Sheik, que permitiu identificar a estrutura da organização criminosa e individualizar as funções de cada um dos investigados.

A princípio, o Ministério Público havia denunciado apenas 11 pessoas, entretanto, a partir de mais informações obtidas nas diversas fases da Operação Sheik, o órgão ministerial fez um aditamento e denunciou mais cinco.

Núcleo principal

O Ministério Público detalhou a atuação de todos os denunciados, sobretudo daqueles considerados parte do núcleo principal:

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José Rodrigues Laurentino, também conhecido como Sheik, Turco ou Rodrigo Tubarão – Segundo as investigações, atua como fornecedor de entorpecentes para outros traficantes, utilizando-se de pessoas responsáveis pela guarda da droga, pela distribuição e também pela dissimulação/ocultação dos valores provenientes do tráfico. Foi possível verificar os indícios de participação do investigado nos crimes de tráfico de drogas, associação para tráfico, lavagem de capitais e o de integrar o PCC.

Pedro Vitor de Moura – Conhecido pela alcunha de “Pedro Caroço”, é acusado de ser o responsável pela distribuição de entorpecentes fornecidos por José Rodrigues para vários traficantes de cidades do Sul do Piauí. Durante a investigação ficou demonstrado o indício de sua participação nos crimes de tráfico de drogas, associação para tráfico, lavagem de capitais, comércio ilegal de arma de fogo e o de integrar o PCC.

Fabrício Juscelino Alves Gonçalves – Apontado como responsável pela guarda das armas de fogo de Sheik e Pedro Vitor. “Sua parceria com o traficante Sheik/Turco também é percebida no fato de estar em seu nome a internet fornecida para casa alugada usada na campanha para vereador de Prata do Piauí-PI de 2024 do referido traficante; somada a isto ele também aparece na investigação guardando em seu condomínio e utilizando o veículo Astra do traficante Pedro Vitor, após a prisão deste”, diz trecho da representação policial.

Francimeire Maria de Moura Eloi – Na investigação foram encontrados indícios de que a investigada, mãe de Pedro Vitor, realiza a guarda e a entrega de entorpecentes e armas de fogo à pessoa indicada pelo seu filho, participando, assim, ativamente dos ilícitos.

Elo com o PCC

Segundo o que foi apurado pela polícia, o grupo fazia movimentações milionárias de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Em uma conversa extraída do celular de Pedro Vitor, considerado braço-direito de Sheik, ele afirma a uma pessoa que o chefe estaria devendo R$ 1 milhão ao comando da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Trecho da conversa de Pedro Vitor

“Parceiro, até pro cara pagar ele é complicado. Parece que ele tá se escondendo, tá ligado? Do povo. E realmente é mesmo. Ele mesmo me falou, tá ligado? Os cobrador [sic] ligando pra ele. Os cara já disse que iam botar ele até nas ‘ideias’. Dizendo ele, num tem? [sic] Mas ele disse que tava devendo 1 milhão aí. Aí, ele disse que já pagou 600 mil. Dizendo ele que só deve 400”, diz trecho da mensagem.

Recebimento da denúncia

O juiz João Manoel de Moura Ayres recebeu a denúncia no dia 9 de setembro. “Os elementos probatórios coligidos nos autos, compreendendo os relatórios de inteligência, os depoimentos das autoridades policiais e demais peças constantes da instrução, constituem base suficiente, ao menos neste juízo de delibação, para o regular prosseguimento da persecução penal”, destacou.

O magistrado determinou a citação dos réus, para que, dentro do prazo legal, apresentassem resposta à acusação do Ministério Público.