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Ex-candidato a vereador liderava esquema milionário do PCC no Piauí, revela polícia

O GP1 obteve acesso a informações da Polícia Civil do Piauí que detalham como atuava o grupo.

O GP1 obteve acesso, com exclusividade, a informações da Polícia Civil do Piauí que detalham como funcionava o esquema liderado por José Rodrigues Laurentino, o Sheik, alvo da operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) nesta quinta-feira (17). Sheik, também conhecido como Turco ou Rodrigo Tubarão, é acusado de liderar um grupo criminoso que distribui drogas no Centro-Sul do Piauí, movimentando valores milionários. Ele foi candidato a vereador de Prata do Piauí no ano passado.

Segundo a polícia, o grupo atuava de maneira organizada em várias frentes: uns eram responsáveis pelo armazenamento e distribuição de entorpecentes, outros guardavam armamentos e outros atuavam na lavagem do dinheiro obtido através do tráfico de drogas.

As autoridades também apontam a vinculação de alguns investigados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo José Rodrigues Laurentino (Sheik).

Foto: ReproduçãoJosé Rodrigues Laurentino, Fabrício Juscelino Alves Gonçalves e Francimeire Maria de Moura Eloi
José Rodrigues Laurentino, Fabrício Juscelino Alves Gonçalves e Francimeire Maria de Moura Eloi

José Rodrigues foi preso na tarde desta quinta (17) em Teresina, quando adentrava uma loja na Avenida Frei Serafim. Também foram presos hoje Fabrício Juscelino Alves Gonçalves, em um condomínio na zona sudeste da capital, e Francimeire Maria de Moura Eloi, na cidade de Picos. Essa última é mãe de Pedro Vitor de Moura, apontado como braço-direito de Sheik.

Ex-candidato a vereador

Nas últimas eleições, José Rodrigues chegou a se candidatar ao cargo de vereador em Prata do Piauí pelo PSDB, mas renunciou à candidatura posteriormente, pedido que foi homologado pela Justiça Eleitoral.

Foto: Divulgação/TSEJosé Rodrigues Laurentino foi candidato e renunciou à candidatura posteriormente
José Rodrigues Laurentino foi candidato e renunciou à candidatura posteriormente

O investigado registrou candidatura com o nome político “Rodrigo Tubarão”, informando ser empresário, mas não declarou patrimônio na plataforma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Núcleo principal

Em representação encaminhada ao Poder Judiciário, a Polícia Civil detalhou a atuação de algumas pessoas, que seriam diretamente ligadas ao grupo criminoso:

- José Rodrigues Laurentino, o Sheik – Segundo as investigações, atua como fornecedor de entorpecentes para outros traficantes, utilizando-se de pessoas responsáveis pela guarda da droga, pela distribuição e também pela dissimulação/ocultação dos valores provenientes do tráfico. Foi possível verificar os indícios de participação do investigado nos crimes de tráfico de drogas, associação para tráfico, lavagem de capitais e o de integrar o PCC.

- Pedro Vitor de Moura – Conhecido pela alcunha de “Pedro Caroço”, é acusado de ser o responsável pela distribuição de entorpecentes fornecidos por José Rodrigues para vários traficantes de cidades do Sul do Piauí. Durante a investigação ficou demonstrado o indício de sua participação nos crimes de tráfico de drogas, associação para tráfico, lavagem de capitais, comércio ilegal de arma de fogo e o de integrar o PCC.

- Fabrício Juscelino Alves Gonçalves – Apontado como responsável pela guarda das armas de fogo de Sheik e Pedro Vitor. “Sua parceria com o traficante Sheik/Turco também é percebida no fato de estar em seu nome a internet fornecida para casa alugada usada na campanha para vereador de Prata do Piauí-PI de 2024 do referido traficante; somada a isto ele também aparece na investigação guardando em seu condomínio e utilizando o veículo Astra do traficante Pedro Vitor, após a prisão deste”, diz trecho da representação policial.

- Francimeire Maria de Moura Eloi – Na investigação foram encontrados indícios de que a investigada, mãe de Pedro Vitor, realiza a guarda e a entrega de entorpecentes e armas de fogo à pessoa indicada pelo seu filho, participando, assim, ativamente dos ilícitos.

Lavagem de dinheiro

A polícia identificou que José Rodrigues lavava o dinheiro do tráfico por meio de uma farmácia situada em São Paulo (SP), a Drogaria RDM, registrada em nome de Darlan Silva Paz.

Movimentações milionárias

De acordo com as investigações, a quadrilha fazia movimentações milionárias de dinheiro oriundo do tráfico. Em uma conversa extraída do celular de Pedro Vitor, braço-direito de José Rodrigues, ele afirma a uma pessoa que o chefe estaria devendo R$ 1 milhão ao comando do PCC, e que estaria se escondendo.

Foto: ReproduçãoTrecho da conversa de Pedro Vitor
Trecho da conversa de Pedro Vitor

“Parceiro, até pro cara pagar ele é complicado. Parece que ele tá se escondendo, tá ligado? Do povo. E realmente é mesmo. Ele mesmo me falou, tá ligado? Os cobrador [sic] ligando pra ele. Os cara já disse que iam botar ele até nas ‘ideias’. Dizendo ele, num tem? [sic] Mas ele disse que tava devendo 1 milhão aí. Aí, ele disse que já pagou 600 mil. Dizendo ele que só deve 400”, diz trecho da mensagem.

Operação Sheik

José Rodrigues já havia sido preso em abril deste ano, em uma fase da Operação Sheik, e foi colocado em liberdade posteriormente, sendo preso novamente nesta quinta-feira (17). As investigações do caso continuam.

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