O juízo da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública determinou o bloqueio de bens do promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior , afastado do cargo após ser flagrado pela Polícia Federal recebendo propina de R$ 1 milhão. A decisão proferida pelo juiz Litelton Vieira de Oliveira , às 05h11min desta quinta-feira (04), atende a pedido do Ministério Público Estadual em ação de improbidade administrativa.

O caso ganhou repercussão nacional em agosto do ano passado, quando Mauricio Verdejo foi flagrado recebendo R$ 500 mil em espécie na porta de sua residência. O dinheiro, previamente digitalizado pela PF, era parte de um esquema de extorsão contra o empresário Junno Pinheiro , que acionou as autoridades após ser pressionado a pagar R$ 2 milhões em troca de favorecimentos em investigações criminais.

Foto: GP1 (imagem exclusiva)
Promotor titular da 6ª Promotoria de Picos, Maurício Verdejo Gonçalves Júnior

O esquema de propina

Segundo as investigações, Maurício Verdejo exigiu a quantia milionária de Junno Pinheiro com a promessa de facilitar o arquivamento de um procedimento investigatório criminal e atuar pela absolvição do empresário em um processo relacionado a um acidente de trânsito com morte ocorrido em Teresina.

Orientado pela Polícia Federal, o empresário aceitou a proposta para viabilizar o flagrante. Verdejo chegou a receber R$ 1 milhão do total exigido. A primeira parcela, de R$ 500 mil, foi entregue em espécie no dia 2 de agosto de 2024, em frente à residência do promotor. Durante a operação, Junno Pinheiro estava equipado com dispositivo eletrônico para registrar discretamente a transação.

"Restou comprovado que o requerido agiu com vontade livre e consciente, objetivando o resultado ilícito, o que ocasionou vantagem patrimonial indevida", afirma a ação de improbidade.

Ação de improbidade e bloqueio de bens

A ação de improbidade foi ajuizada pelos promotores Edilsom Farias e Flávio Teixeira de Abreu Júnior, do Núcleo das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa. Os promotores concluíram que Mauricio Verdejo praticou ato de improbidade que importou em enriquecimento ilícito, ao receber vantagem patrimonial indevida em razão do cargo público, mediante ato doloso.

Sem anúncio no momento

A decisão judicial determinou o bloqueio de bens do promotor no valor de R$ 104 mil – diferença entre o R$ 1 milhão recebido e os R$ 896 mil já apreendidos pela polícia durante as investigações criminais. O juiz Litelton Vieira de Oliveira estabeleceu uma ordem de prioridade para o bloqueio: veículos terrestres, imóveis, bens móveis em geral, semoventes, embarcações, aeronaves, ações e quotas, pedras e metais preciosos e, por último, contas bancárias.

A medida visa equilibrar a recuperação dos valores desviados com a manutenção da subsistência básica e atividade econômica do acusado, conforme previsto na Lei de Improbidade Administrativa.

Processo criminal em andamento

Paralelamente à ação de improbidade, Maurício Verdejo responde a processo criminal no Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) pelos crimes de concussão (extorsão praticada por funcionário público), prevaricação, tráfico de influência e supressão de documentos. A denúncia criminal já foi recebida pela Justiça.

As provas reunidas pela Polícia Federal – incluindo relatórios de vigilância, registros de apreensão e análise do material apreendido – fundamentaram tanto a denúncia criminal quanto a ação de improbidade administrativa.