Com 27 anos de experiência e 8 deles à frente da Comissão Investigadora do Crime Organizado – CICO, o delegado Bonfim Filho, a convite do Portal GP1, veio até a redação falar da repercussão da morte de Fernanda Lages e sobre o trabalho que a Polícia Civil do Estado vem desempenhando em relação ao caso. Confira a entrevista:
Portal GP1 – O que o senhor está achando da investigação no caso da morte da estudante Fernanda Lages Veras? Como seriam seus procedimentos diante desse caso?
Bonfim Filho – Na realidade nos últimos anos creio que este tenha sido um dos casos que mais chocou a opinião pública pela forma como essa jovem de apenas 19 anos e com um futuro promissor pela frente foi vítima desse violento crime, e o tempo que se passa são provas que se afastam. Em investigação policial é bom evitar a possibilidade que alguns indícios, algumas provas, se percam no tempo. Quanto mais cedo se dá início a uma investigação, mais fortes são as possibilidades de evitar que algumas provas se percam no tempo. E também tem a questão das conversas e especulações que começam a surgir, e é natural que nesses casos de encontro de cadáver as pessoas ajam assim. E na minha opinião o vigia negou e vem negando algumas coisas, eu não posso acreditar na versão dele, acredito que ele está escondendo alguma coisa. Então alguém diz: “Há tadinho dele, ele é um pobrezinho” mas isso não vem ao caso, o que vem ao caso é que a atribuição dele era estar vigilante quanto ao que ocorresse na obra durante o período de sua responsabilidade. O que interessa aqui é que ele era o vigia, a função dele é vigiar a obra, então tudo o que acontecer é de responsabilidade dele tomar providências, relatar e assim por diante. Ou ele diz que estava dormindo e não viu nada ou é melhor ele contar logo toda a história, dizer logo a verdade ele disse que viu apenas uma mão, e o pior é que não foram nenhum dos vigias das obras que encontraram o cadáver, segundo eu vi na imprensa foi outra pessoa de fora.
Quando me perguntam o que eu faria como delegado de polícia, eu digo que faria justamente como fizeram o pessoal do 5° DP com o delegado Mamede e sua equipe, que foram os que iniciaram as investigações, que é justamente a questão do isolamento da área, a convocação da perícia criminal, polícia técnica, para fazer o levantamento do local e depois a remoção do corpo para o IML pra que fossem definidas as lesões encontradas no corpo da vítima. Depois as investigações se desenrolaram e volto a dizer que no começo é justamente essa questão mesmo, é por esse caminho. E como não teve testemunha ocular do caso, a polícia precisou começar praticamente do zero, porque começou do encontro de cadáver. Então as pessoas que tinham que ser ouvidas foram ouvidas e a polícia vem investigando. Eu sempre costumo dizer, e às vezes pode até soar mal, que a policia não tem bola de cristal, não é só assim num piscar de olhos. Nós somos preparados, somos treinados para investigar. E tem mais, toda investigação tem hora pra começar mas não tem hora para terminar, e o desfecho de uma investigação policial vai depender dos indícios, das provas que a polícia vai encontrando durante as investigações, e é um elenco muito grande, são várias as vertentes que podem ser seguidas.
Portal GP1 – Em determinado momento da investigação a polícia declarou não descartar a hipótese de suicídio enquanto que os promotores mantinham convicção pela vertente do homicídio. O que o senhor achou disso?
Bonfim Filho – Olha no começo eu vi pela imprensa algumas publicações e declarações que já diziam logo que não se acreditava no suicídio, que deveriam investigar como homicídio, mas as pessoas têm que entender que a polícia tem que investigar tudo, tem que trabalhar todas as hipóteses possíveis sob as diversas possibilidades, nada pode ser descartado. Para a polícia afirmar algo tem que ter comprovação. Se vai dizer que foi suicídio vai ter que explicar ‘foi suicídio por isso e por aquilo, aconteceu assim e tal’ e se disser que foi homicídio ‘foi por isso, por aquilo’ e assim por diante. A polícia não pode dizer ‘há eu acho que é homicídio então não vou investigar suicídio’ isso não existe, a policia não tem que achar nada, ela tem que provar. Então é isso que a policia está fazendo, não se pode descartar uma hipótese até que sejam vistas todas as provas. Então tudo isso depende de provas.
Portal GP1 – Então o senhor acha que as investigações estão no rumo certo?
Bonfim Filho - Na verdade eu não tenho conhecimento dos pormenores do caso, estou aqui atendendo ao convite do Portal GP1. Mas posso dizer como espectador e com os olhos de quem tem alguns anos de polícia, que sobre as investigações da Comissão Investigadora, os delegados Armandino Pinto e Paulo Nogueira e a equipe como um todo têm se desdobrado 24 horas por dia para desvendar o crime. Além da tomada de depoimento, foi feita uma reconstituição e o inquérito policial continua em andamento. Esse é um caso de encontro de cadáver. Este caso me lembra outro que também começou com encontro de cadáver que nós apuramos na época que foi o da estudante de medicina Taline Teles, que ficou comprovado naquele procedimento que ela foi sequestrada aqui em Teresina e que o encontro de cadáver ocorreu na cidade de Buriti dos Lopes. Nós também tivemos muito trabalho naquele caso: encontramos o carro dela, alguns suspeitos foram levantados durante o trabalho, que envolveu policia federal, militar e civil tanto daqui quanto do Ceará. Este caso também não tinha testemunha ocular, mas foi justamente uma das vítimas do Nilson Feitosa que tinha sido atacada por ele lá no Ceará que procurou o então Secretário de Segurança Robert Rios e informou que tinha sido vítima de um elemento, mas que sobreviveu, e que os modos operantes eram semelhantes ao que ela viu noticiando que aconteceu com Taline, que era esse perfil de abordagem a quem saia dos shoppings, academia, farmácia, supermercado, e depois levava para um matagal, estuprava e depois abandonava. Nós então tínhamos vários elementos suspeitos, e quando levamos a fotografia do Nilson para a a vítima ela o reconheceu. Então nós fizemos todo um levantamento pelo celular dele, e pegamos o trajeto do dia do crime, ele ainda em Teresina, depois o telefone perdendo o sinal e em seguida voltando o sinal no Ceará no local onde foi encontrado o corpo de Taline. Então são casos complexos, podemos até dizer que existem crimes com casos parecidos, semelhantes, mas nunca iguais, cada caso é um caso, cada crime é um crime. Nesse caso da Fernanda a sociedade também está cobrando, a imprensa cumprindo o seu papel, a cobrança é muito grande, mas a polícia está fazendo a sua parte. Não adianta a policia apresentar alguém como o culpado do assassinato dela sem ter provas. O Ministério Público inclusive está acompanhando, e para acusar uma pessoa tem que ter provas suficientes para que o MP possa oferecer uma denúncia e a pessoa seja levada e a julgamento e seja condenada. Porque apontar uma pessoa e depois ela não ser a culpada faz é desmoralizar o trabalho da polícia. Na minha opinião o delegado está conduzindo o inquérito dentro do daquilo que ele tem disponibilidade de procurar provas, de tomar depoimentos, de requisitar laudos e exames, de fazer a reconstituição, inclusive agora vão fazer com o boneco.
Portal GP1 – Houve questionamento quanto à reconstituição pelo fato de terem realizado sem que tenham encontrado o(s) culpado(s), o que o senhor acha dessas indagações?
Bonfim Filho – O que eu tenho visto por diversos meios da imprensa é que se questionou a questão da reconstituição ‘há mas não pegou o acusado, como é então que vai fazer a reconstituição?’. Não é bem assim, é bom que se esclareça que a reprodução simulada dos fatos pode ser feita até onde for possível no momento. Só para dirimir algumas dúvidas, a policia pode pegar os autores ou autor do crime e ele contar como tudo aconteceu, entende? Então eles iam contar todo o ocorrido e reprodução simulada dos fatos seria feita através desse depoimento. Mas, como até agora tem toda o relato da hora em que ele saiu de casa, foi para a faculdade, foi para a noite se encontrar com os amigos, aí vem os depoimentos dos amigos que levaram ela até o carro, tem o trajeto até onde ela estacionou e adentrou ao local caminhando. Então até aí dá sim para fazer uma reconstituição fidedigna por conta dos depoimentos já colhidos. Então a partir do momento em que ela adentra o portão vem a questão dos vigias. E aqui nesse ponto eu lhe digo que em 27 anos de experiência, mesmo que ainda em constante aprendizado, eu não acredito que o vigia tenha visto só o que ele diz ter visto. Então o delegado está mantendo a cautela e eu creio que este é um caso que será solucionado. Com certeza foi um crime bárbaro, a sociedade quer respostas, a policia civil tem a obrigação constitucional de dar as respostas e assim está sendo feito, o próprio governador, secretário de segurança, delegado geral, todo mundo se empenhando. Eu tenho conhecimento de que os colegas delegados Paulo Nogueira e Armandino Pinto e todo o serviço de inteligência estão imbuídos no desenrolar desse caso e eu quero crer que em breve teremos os resultados.
Portal GP1 – O senhor falou em cautela por parte da polícia quanto ao fato de apontar ou divulgar nomes. O vigia que está sendo mais investigado, mais citado, mais lembrado é o vigia da construção ao lado, por onde ela entrou. Já o vigilante da construção onde ela foi encontrada morta era o da Sevi-San, responsável por um espaço bem menor que o outro vigia, espaço onde ele estava naquela madrugada. Em geral procuram citá-lo menos, falam dele bem menos, e na verdade era ele o responsável pelo local onde foi encontrado o cadáver. O senhor acha que essa postura de o vigilante da Servi-San ser bem menos lembrado publicamente pela equipe investigadora é uma dessas questões de sigilo?
Bonfim Filho – É preciso ver essa questão do vigilante da Servi-San, porque inclusive eu li que todos os dias passa um fiscal daquela empresa, naquele horário para recolher a arma, certamente por questão de segurança porque acredito que a Servi-San tem competência e autorização para realizar vigilância armada para proteção do patrimônio do local. E pode ser sim que haja um controle necessário quando a esse vigilante. Porque o que acontece na polícia as vezes de vazar uma informação, não é por que o delegado queira, pois num inquérito policial deve-se manter o sigilo, e é imperativo do próprio código do processo penal que diz que a autoridade policial deve manter o sigilo necessário para o bom andamento das investigações e para que esta não possa ser prejudicada. Eu quero crer que a polícia tem mais informações nesse sentido do vigia da Servi-San do que o que foi ventilado até agora. Se o delegado não revelou, se até agora não saiu nada para a imprensa é porque pode estar sendo mantido sigilo quanto ao depoimento e a outras ações nesse sentido. O outro vigia disse que não foi atrás por não estar armado, que ficou com medo e coisa e tal, mas o vigilante da Servi-San estava armado, podia reagir sim. E mais, o vigia desarmado sabendo que o outro vigilante do lado estava armado, poderia ter alarmado ‘olha tá entrando uma pessoa’. Então ninguém sabe por que não houve essa comunicação, que deve haver já que uma obra está bem ao lado da outra e inclusive com uma via de acesso entre elas, via por onde Fernanda passou. Então eu acho que a polícia deve estar resguardando muito mais do que tem divulgado, e está certa.
Imagem: Manuela Coelho/GP1
Delegado Bonfim Filho
Delegado Bonfim FilhoPortal GP1 – O que o senhor está achando da investigação no caso da morte da estudante Fernanda Lages Veras? Como seriam seus procedimentos diante desse caso?
Bonfim Filho – Na realidade nos últimos anos creio que este tenha sido um dos casos que mais chocou a opinião pública pela forma como essa jovem de apenas 19 anos e com um futuro promissor pela frente foi vítima desse violento crime, e o tempo que se passa são provas que se afastam. Em investigação policial é bom evitar a possibilidade que alguns indícios, algumas provas, se percam no tempo. Quanto mais cedo se dá início a uma investigação, mais fortes são as possibilidades de evitar que algumas provas se percam no tempo. E também tem a questão das conversas e especulações que começam a surgir, e é natural que nesses casos de encontro de cadáver as pessoas ajam assim. E na minha opinião o vigia negou e vem negando algumas coisas, eu não posso acreditar na versão dele, acredito que ele está escondendo alguma coisa. Então alguém diz: “Há tadinho dele, ele é um pobrezinho” mas isso não vem ao caso, o que vem ao caso é que a atribuição dele era estar vigilante quanto ao que ocorresse na obra durante o período de sua responsabilidade. O que interessa aqui é que ele era o vigia, a função dele é vigiar a obra, então tudo o que acontecer é de responsabilidade dele tomar providências, relatar e assim por diante. Ou ele diz que estava dormindo e não viu nada ou é melhor ele contar logo toda a história, dizer logo a verdade ele disse que viu apenas uma mão, e o pior é que não foram nenhum dos vigias das obras que encontraram o cadáver, segundo eu vi na imprensa foi outra pessoa de fora.
Quando me perguntam o que eu faria como delegado de polícia, eu digo que faria justamente como fizeram o pessoal do 5° DP com o delegado Mamede e sua equipe, que foram os que iniciaram as investigações, que é justamente a questão do isolamento da área, a convocação da perícia criminal, polícia técnica, para fazer o levantamento do local e depois a remoção do corpo para o IML pra que fossem definidas as lesões encontradas no corpo da vítima. Depois as investigações se desenrolaram e volto a dizer que no começo é justamente essa questão mesmo, é por esse caminho. E como não teve testemunha ocular do caso, a polícia precisou começar praticamente do zero, porque começou do encontro de cadáver. Então as pessoas que tinham que ser ouvidas foram ouvidas e a polícia vem investigando. Eu sempre costumo dizer, e às vezes pode até soar mal, que a policia não tem bola de cristal, não é só assim num piscar de olhos. Nós somos preparados, somos treinados para investigar. E tem mais, toda investigação tem hora pra começar mas não tem hora para terminar, e o desfecho de uma investigação policial vai depender dos indícios, das provas que a polícia vai encontrando durante as investigações, e é um elenco muito grande, são várias as vertentes que podem ser seguidas.
Portal GP1 – Em determinado momento da investigação a polícia declarou não descartar a hipótese de suicídio enquanto que os promotores mantinham convicção pela vertente do homicídio. O que o senhor achou disso?
Bonfim Filho – Olha no começo eu vi pela imprensa algumas publicações e declarações que já diziam logo que não se acreditava no suicídio, que deveriam investigar como homicídio, mas as pessoas têm que entender que a polícia tem que investigar tudo, tem que trabalhar todas as hipóteses possíveis sob as diversas possibilidades, nada pode ser descartado. Para a polícia afirmar algo tem que ter comprovação. Se vai dizer que foi suicídio vai ter que explicar ‘foi suicídio por isso e por aquilo, aconteceu assim e tal’ e se disser que foi homicídio ‘foi por isso, por aquilo’ e assim por diante. A polícia não pode dizer ‘há eu acho que é homicídio então não vou investigar suicídio’ isso não existe, a policia não tem que achar nada, ela tem que provar. Então é isso que a policia está fazendo, não se pode descartar uma hipótese até que sejam vistas todas as provas. Então tudo isso depende de provas.
Imagem: Manuela Coelho/GP1
Delegado Bonfim fala sobre o caso Fernanda Lages ao Portal GP1
Delegado Bonfim fala sobre o caso Fernanda Lages ao Portal GP1Portal GP1 – Então o senhor acha que as investigações estão no rumo certo?
Bonfim Filho - Na verdade eu não tenho conhecimento dos pormenores do caso, estou aqui atendendo ao convite do Portal GP1. Mas posso dizer como espectador e com os olhos de quem tem alguns anos de polícia, que sobre as investigações da Comissão Investigadora, os delegados Armandino Pinto e Paulo Nogueira e a equipe como um todo têm se desdobrado 24 horas por dia para desvendar o crime. Além da tomada de depoimento, foi feita uma reconstituição e o inquérito policial continua em andamento. Esse é um caso de encontro de cadáver. Este caso me lembra outro que também começou com encontro de cadáver que nós apuramos na época que foi o da estudante de medicina Taline Teles, que ficou comprovado naquele procedimento que ela foi sequestrada aqui em Teresina e que o encontro de cadáver ocorreu na cidade de Buriti dos Lopes. Nós também tivemos muito trabalho naquele caso: encontramos o carro dela, alguns suspeitos foram levantados durante o trabalho, que envolveu policia federal, militar e civil tanto daqui quanto do Ceará. Este caso também não tinha testemunha ocular, mas foi justamente uma das vítimas do Nilson Feitosa que tinha sido atacada por ele lá no Ceará que procurou o então Secretário de Segurança Robert Rios e informou que tinha sido vítima de um elemento, mas que sobreviveu, e que os modos operantes eram semelhantes ao que ela viu noticiando que aconteceu com Taline, que era esse perfil de abordagem a quem saia dos shoppings, academia, farmácia, supermercado, e depois levava para um matagal, estuprava e depois abandonava. Nós então tínhamos vários elementos suspeitos, e quando levamos a fotografia do Nilson para a a vítima ela o reconheceu. Então nós fizemos todo um levantamento pelo celular dele, e pegamos o trajeto do dia do crime, ele ainda em Teresina, depois o telefone perdendo o sinal e em seguida voltando o sinal no Ceará no local onde foi encontrado o corpo de Taline. Então são casos complexos, podemos até dizer que existem crimes com casos parecidos, semelhantes, mas nunca iguais, cada caso é um caso, cada crime é um crime. Nesse caso da Fernanda a sociedade também está cobrando, a imprensa cumprindo o seu papel, a cobrança é muito grande, mas a polícia está fazendo a sua parte. Não adianta a policia apresentar alguém como o culpado do assassinato dela sem ter provas. O Ministério Público inclusive está acompanhando, e para acusar uma pessoa tem que ter provas suficientes para que o MP possa oferecer uma denúncia e a pessoa seja levada e a julgamento e seja condenada. Porque apontar uma pessoa e depois ela não ser a culpada faz é desmoralizar o trabalho da polícia. Na minha opinião o delegado está conduzindo o inquérito dentro do daquilo que ele tem disponibilidade de procurar provas, de tomar depoimentos, de requisitar laudos e exames, de fazer a reconstituição, inclusive agora vão fazer com o boneco.
Imagem: Manuela Coelho do GP1
Delegado Bonfim Filho na redação do Portal GP1
Delegado Bonfim Filho na redação do Portal GP1Portal GP1 – Houve questionamento quanto à reconstituição pelo fato de terem realizado sem que tenham encontrado o(s) culpado(s), o que o senhor acha dessas indagações?
Bonfim Filho – O que eu tenho visto por diversos meios da imprensa é que se questionou a questão da reconstituição ‘há mas não pegou o acusado, como é então que vai fazer a reconstituição?’. Não é bem assim, é bom que se esclareça que a reprodução simulada dos fatos pode ser feita até onde for possível no momento. Só para dirimir algumas dúvidas, a policia pode pegar os autores ou autor do crime e ele contar como tudo aconteceu, entende? Então eles iam contar todo o ocorrido e reprodução simulada dos fatos seria feita através desse depoimento. Mas, como até agora tem toda o relato da hora em que ele saiu de casa, foi para a faculdade, foi para a noite se encontrar com os amigos, aí vem os depoimentos dos amigos que levaram ela até o carro, tem o trajeto até onde ela estacionou e adentrou ao local caminhando. Então até aí dá sim para fazer uma reconstituição fidedigna por conta dos depoimentos já colhidos. Então a partir do momento em que ela adentra o portão vem a questão dos vigias. E aqui nesse ponto eu lhe digo que em 27 anos de experiência, mesmo que ainda em constante aprendizado, eu não acredito que o vigia tenha visto só o que ele diz ter visto. Então o delegado está mantendo a cautela e eu creio que este é um caso que será solucionado. Com certeza foi um crime bárbaro, a sociedade quer respostas, a policia civil tem a obrigação constitucional de dar as respostas e assim está sendo feito, o próprio governador, secretário de segurança, delegado geral, todo mundo se empenhando. Eu tenho conhecimento de que os colegas delegados Paulo Nogueira e Armandino Pinto e todo o serviço de inteligência estão imbuídos no desenrolar desse caso e eu quero crer que em breve teremos os resultados.
Portal GP1 – O senhor falou em cautela por parte da polícia quanto ao fato de apontar ou divulgar nomes. O vigia que está sendo mais investigado, mais citado, mais lembrado é o vigia da construção ao lado, por onde ela entrou. Já o vigilante da construção onde ela foi encontrada morta era o da Sevi-San, responsável por um espaço bem menor que o outro vigia, espaço onde ele estava naquela madrugada. Em geral procuram citá-lo menos, falam dele bem menos, e na verdade era ele o responsável pelo local onde foi encontrado o cadáver. O senhor acha que essa postura de o vigilante da Servi-San ser bem menos lembrado publicamente pela equipe investigadora é uma dessas questões de sigilo?
Bonfim Filho – É preciso ver essa questão do vigilante da Servi-San, porque inclusive eu li que todos os dias passa um fiscal daquela empresa, naquele horário para recolher a arma, certamente por questão de segurança porque acredito que a Servi-San tem competência e autorização para realizar vigilância armada para proteção do patrimônio do local. E pode ser sim que haja um controle necessário quando a esse vigilante. Porque o que acontece na polícia as vezes de vazar uma informação, não é por que o delegado queira, pois num inquérito policial deve-se manter o sigilo, e é imperativo do próprio código do processo penal que diz que a autoridade policial deve manter o sigilo necessário para o bom andamento das investigações e para que esta não possa ser prejudicada. Eu quero crer que a polícia tem mais informações nesse sentido do vigia da Servi-San do que o que foi ventilado até agora. Se o delegado não revelou, se até agora não saiu nada para a imprensa é porque pode estar sendo mantido sigilo quanto ao depoimento e a outras ações nesse sentido. O outro vigia disse que não foi atrás por não estar armado, que ficou com medo e coisa e tal, mas o vigilante da Servi-San estava armado, podia reagir sim. E mais, o vigia desarmado sabendo que o outro vigilante do lado estava armado, poderia ter alarmado ‘olha tá entrando uma pessoa’. Então ninguém sabe por que não houve essa comunicação, que deve haver já que uma obra está bem ao lado da outra e inclusive com uma via de acesso entre elas, via por onde Fernanda passou. Então eu acho que a polícia deve estar resguardando muito mais do que tem divulgado, e está certa.
Imagem: Manuela Coelho do GP1
Bonfim Filho
Bonfim Filho Imagem: Manuela Coelho do GP1
Delegado Bonfim Filho
Delegado Bonfim Filho
Ver todos os comentários | 0 |