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Vigia da rede pública estadual de ensino denuncia más condições de trabalho da categoria

José da Cruz disse que os vigias são tratados como funcionários da terceira categoria relegados a preconceitos culturalmente arraigados na educação do estado e do país.

O auxiliar de serviço de vigia da rede estadual de ensino, José da Cruz, denunciou a situação pela qual passam os vigias lotados pela Secretaria de Educação do Estado do Piauí – SEDUC. Em entrevista ao Portal GP1, o trabalhador da educação disse que os vigias são tratados como funcionários de terceira categoria relegados a preconceitos culturalmente arraigados na educação do estado e do país.

Imagem: Foto: Mírian Gomes/GP1Vigia José da Cruz denuncia más condições da categoria(Imagem:Foto: Mírian Gomes/GP1)Vigia José da Cruz denuncia más condições da categoria

José da Cruz afirma que os vigias da rede pública do estado são para escolas, para a Secretaria de Educação e para o sindicato da categoria, funcionários da terceira categoria. “A única briga que o sindicato faz pela categoria é descontar religiosamente a anuidade que eles cobram por mês”, disse o vigia. “Quero dizer que essa situação não é uma situação isolada, as pessoas do interior, as pessoas da zona rural padecem muito mais”, informa.

Serviços fora das atribuições

Ele explica as razões da sua denúncia. “As direções de muitas escolas querem que os vigias recém concursados e os que já estavam, façam o serviço braçal, querem que roce, que capine, que troque lâmpada, que mexa na fiação, coisa que não é papel nosso”, informou. “O nosso papel é auxiliar a direção da escola, é ver a circulação da pessoas, cuidar do patrimônio da escola, cuidar da questão da segurança, mesmo com condições limitadas para isso, e na prática estão mudando as funções, mudando o papel do vigia”, argumentou.

Más condições de trabalho

José da Cruz destacou ainda que as condições de trabalho fogem aos direitos básicos. “As escolas querem que você passe 24 horas na instituição e a única coisa oferecida pela Secretaria de Educação é água e ninguém consegue ficar 24 horas só tomando água, a pessoa precisa almoçar, jantar, tomar café.”, defende. “E o mais, eu particularmente, assim como a grande maioria dos companheiros de trabalho que ganham um salário mínimo, não tenho condições de garantir duas refeições, uma em casa e outra na escola e tenho condições também de contratar uma pessoa para ir deixar a alimentação, porque precisaria bancar minimamente os vales dessa pessoa e os vales que nós recebemos é pra gente se deslocar, então como ficamos? Sem comer? Ou vamos pagar para trabalhar? Pois se a gente paga para alguém trazer o almoço, vai sobrar o que?”, indagou José da Cruz ao final de suas colocações.

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