Teresina está com quase 100% das escolas sem aula por causa da greve dos professores da rede estadual. Em greve há 3 meses, os professores esclarecem o porquê das atividades continuarem paradas.
Os educadores Marcos Fernandes, de 31 anos, professor na Escola Freitas Neto, zona norte e Marcondes Herbert, 25 anos, professor na Escola Marcos Parente, em União, explicaram à reportagem do GP1 os principais pontos de reivindicações da categoria. Além da capital, cidades como Picos e Floriano, no sul do estado, também aderiram ao movimento grevista.
Manifestações na Assembleia Legislativa
Ao longo dessa semana, os professores tiraram como principal atividade a realização de atos na Assembleia Legislativa. O principal objetivo é pressionar os deputados para que eles não aprovem o Projeto de Lei que, segundo os professores, vai contra o que a Lei Federal do Piso determina.
"Na segunda-feira a gente fez uma manifestação com cerca de 600 professores onde a gente conseguiu pressionar vários deputados. Muitos deles declaram que vão votar contra o Projeto de Lei. Um deles, que é economista, declarou que com o dinheiro do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) o Governo teria condições de apresentar uma proposta de aumento linear de 18% para a categoria", explicou Marcos Fernandes.
Reivindicações
Dentre as várias pautas de reivindicações, os professores elencam três como sendo as principais: mudança no Projeto de Lei que será votado amanhã, permanência do Ponto de Regência dos professores e o pagamento retroativo do aumento salarial.
"Nosso primeiro protesto é com relação ao projeto apresentado para aprovação da Assembleia. O projeto propõe aumento de apenas 22% para professores classe A e B, que são os professores que não têm curso superior, e 6% para o restante da categoria. Outro ponto de reivindicação é em relação ao Ponto de Regência do professor. Nós não abrimos mão de continuar contando com nosso salário", disse.
"O terceiro ponto é o pagamento retroativo do aumento que será pago apenas aos professores classe A e B. A Lei do Piso determina que o salário dos professores seja reajustado em janeiro. Já estamos no final de abril, quase em maio, e até hoje não recebemos. Uma quarta questão a ser discutida é o rompimento da mesa de negociação com o Tribunal de Justiça sob a alegação de que não seria mais apresentada propostas à categoria. Além da anulação da proposta de aumento de 13,5%", esclarecem.
Mobilizações
Na manhã desta quarta-feira (18) os professores realizaram mais um dia protesto com a participação de aproximadamente 200 pessoas. Além das manifestações, o movimento grevista conta com trabalho de mobilização nas escolas não só de Teresina, como também no interior do estado. Por conta do pedido de adiantamento de votação do Projeto de Lei, um novo ato foi realizado ontem na Assembleia Legislativa (19).
Apelo dos professores
“Queremos que o Governo apresente uma proposta melhor para que a categoria possa pensar em voltar à sala de aula. Temos feitos a conscientização sobre a importância da greve também com pais dos alunos. Um dos pontos discutidos é sobre a reposição das aulas. Se o Governo cumprir a promessa de cortar o ponto dos professores em greve, nós não temos a obrigação de repô-las.”
“É importante salientar que temos o compromisso de repor todas as horas que faltam da melhor forma possível: com hora extra, aula aos sábados e etc, mas a partir do momento que o governo ameaça cortar o ponto e até demitir professores, a greve não vai acabar e nem aulas serão repostas.”
Greve não foi considerada ilegal
Segundo os professores, o desembargador decidiu que a greve é abusiva, mas ele não declarou que ela é ilegal. O Tribunal de Justiça coloca que a greve é justa e que o governo apresentará uma nova proposta.
“Como até não temos proposta e nós não recebemos nem R$ 1 de aumento, então a categoria deduz que nossa greve não é abusiva e, por isso, vai continuar", diz professor.
Pagamento do piso para alguns profissionais
Os professores falam da diferença de classe dentro da categoria e explicam que o único piso que será pago é para a classe A, os demais professores receberam apenas o aumento de 6%.
“É importante esclarecer que esse piso de R$ 1451 é apenas para professores que trabalham há mais de 3 anos e trabalham 40 horas. No entanto, todos os concursos para professores do Estado só oferecem 20 horas. Dessa forma, o professor entra no Estado ganhando um salário de R$ 709. Outro agravante é que quando o professor adicionar os planos de saúde ao que ele ganhar, no final do mês, o que sobra é cerca de R$ 500", argumenta Marcos
Comparação com o Maranhão
Os professores explicam que, de acordo com a lei, em uma carga horária máxima de 40 horas, o governo tem por obrigação para, no mínimo, R$ 1451. O Maranhão paga R$ 1800, isso porque, se o Estado quiser, a lei permite que ele pague mais ao professor. Então a lei deixa em aberto para cada administração pagar mais que esse valor, porque o piso é só um valor estipulado como o mínimo a ser pago.
“No Piauí, nenhum professor especialista ganha o mesmo salário que os professores do Maranhão recebem. No Piauí, a diferença entre uma categoria e outra é apenas de R$ 4, ou seja, um doutor ganha apenas R$16 reais a mais que um graduado. Essa politica de achatamento salarial faz com que os profissionais fiquem desestimulados a procurar especialização", explica Marcondes
Segundo os professores, 6% não é aumento, é apenas uma correção inflacionária.
Os educadores Marcos Fernandes, de 31 anos, professor na Escola Freitas Neto, zona norte e Marcondes Herbert, 25 anos, professor na Escola Marcos Parente, em União, explicaram à reportagem do GP1 os principais pontos de reivindicações da categoria. Além da capital, cidades como Picos e Floriano, no sul do estado, também aderiram ao movimento grevista.
Manifestações na Assembleia Legislativa
Ao longo dessa semana, os professores tiraram como principal atividade a realização de atos na Assembleia Legislativa. O principal objetivo é pressionar os deputados para que eles não aprovem o Projeto de Lei que, segundo os professores, vai contra o que a Lei Federal do Piso determina.
Imagem: Mírian Gomes/GP1
Marcos Fernandes
Marcos Fernandes"Na segunda-feira a gente fez uma manifestação com cerca de 600 professores onde a gente conseguiu pressionar vários deputados. Muitos deles declaram que vão votar contra o Projeto de Lei. Um deles, que é economista, declarou que com o dinheiro do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) o Governo teria condições de apresentar uma proposta de aumento linear de 18% para a categoria", explicou Marcos Fernandes.
Reivindicações
Dentre as várias pautas de reivindicações, os professores elencam três como sendo as principais: mudança no Projeto de Lei que será votado amanhã, permanência do Ponto de Regência dos professores e o pagamento retroativo do aumento salarial.
"Nosso primeiro protesto é com relação ao projeto apresentado para aprovação da Assembleia. O projeto propõe aumento de apenas 22% para professores classe A e B, que são os professores que não têm curso superior, e 6% para o restante da categoria. Outro ponto de reivindicação é em relação ao Ponto de Regência do professor. Nós não abrimos mão de continuar contando com nosso salário", disse.
"O terceiro ponto é o pagamento retroativo do aumento que será pago apenas aos professores classe A e B. A Lei do Piso determina que o salário dos professores seja reajustado em janeiro. Já estamos no final de abril, quase em maio, e até hoje não recebemos. Uma quarta questão a ser discutida é o rompimento da mesa de negociação com o Tribunal de Justiça sob a alegação de que não seria mais apresentada propostas à categoria. Além da anulação da proposta de aumento de 13,5%", esclarecem.
Imagem: Mírian Gomes/GP1
Marcondes Herbert
Marcondes HerbertMobilizações
Na manhã desta quarta-feira (18) os professores realizaram mais um dia protesto com a participação de aproximadamente 200 pessoas. Além das manifestações, o movimento grevista conta com trabalho de mobilização nas escolas não só de Teresina, como também no interior do estado. Por conta do pedido de adiantamento de votação do Projeto de Lei, um novo ato foi realizado ontem na Assembleia Legislativa (19).
Apelo dos professores
“Queremos que o Governo apresente uma proposta melhor para que a categoria possa pensar em voltar à sala de aula. Temos feitos a conscientização sobre a importância da greve também com pais dos alunos. Um dos pontos discutidos é sobre a reposição das aulas. Se o Governo cumprir a promessa de cortar o ponto dos professores em greve, nós não temos a obrigação de repô-las.”
“É importante salientar que temos o compromisso de repor todas as horas que faltam da melhor forma possível: com hora extra, aula aos sábados e etc, mas a partir do momento que o governo ameaça cortar o ponto e até demitir professores, a greve não vai acabar e nem aulas serão repostas.”
Greve não foi considerada ilegal
Segundo os professores, o desembargador decidiu que a greve é abusiva, mas ele não declarou que ela é ilegal. O Tribunal de Justiça coloca que a greve é justa e que o governo apresentará uma nova proposta.
“Como até não temos proposta e nós não recebemos nem R$ 1 de aumento, então a categoria deduz que nossa greve não é abusiva e, por isso, vai continuar", diz professor.
Imagem: Mírian Gomes/GP1
Professores falaram sobre a greve
Professores falaram sobre a grevePagamento do piso para alguns profissionais
Os professores falam da diferença de classe dentro da categoria e explicam que o único piso que será pago é para a classe A, os demais professores receberam apenas o aumento de 6%.
“É importante esclarecer que esse piso de R$ 1451 é apenas para professores que trabalham há mais de 3 anos e trabalham 40 horas. No entanto, todos os concursos para professores do Estado só oferecem 20 horas. Dessa forma, o professor entra no Estado ganhando um salário de R$ 709. Outro agravante é que quando o professor adicionar os planos de saúde ao que ele ganhar, no final do mês, o que sobra é cerca de R$ 500", argumenta Marcos
Comparação com o Maranhão
Os professores explicam que, de acordo com a lei, em uma carga horária máxima de 40 horas, o governo tem por obrigação para, no mínimo, R$ 1451. O Maranhão paga R$ 1800, isso porque, se o Estado quiser, a lei permite que ele pague mais ao professor. Então a lei deixa em aberto para cada administração pagar mais que esse valor, porque o piso é só um valor estipulado como o mínimo a ser pago.
“No Piauí, nenhum professor especialista ganha o mesmo salário que os professores do Maranhão recebem. No Piauí, a diferença entre uma categoria e outra é apenas de R$ 4, ou seja, um doutor ganha apenas R$16 reais a mais que um graduado. Essa politica de achatamento salarial faz com que os profissionais fiquem desestimulados a procurar especialização", explica Marcondes
Segundo os professores, 6% não é aumento, é apenas uma correção inflacionária.
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