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Moradores reclamam dos eventos realizados no final de semana em duas escolas no Bairro dos Noivos

Os moradores reclamam que o uso do local começa na sexta-feira e só termina na noite de domingo

A cessão de duas Unidades Escolares – UE’s – da rede estadual de ensino para eventos, principalmente religiosos, tem causado transtornos para as famílias que moram em torno desses colégios. As Unidades Escolares Joca Viera e José Amável, situadas nas ruas Pedro Conde e Araripe Cunha, respectivamente, no bairro dos Noivos, zona leste de Teresina, tem sido cedidas ao longo de alguns anos para a realização de diversos encontros, sobretudo religiosos.

Os moradores reclamam que o uso do local começa na sexta-feira e só termina na noite de domingo, sendo nula a chance de descanso no fim de semana. Um abaixo assinado contendo 134 assinaturas já havia sido entregue à Secretaria Estadual de Educação – SEDUC-PI – no mês de julho do ano de 2011, e o problema havia sido amenizado. Moradores do local alegam, porém, que a cessão das escolas tornou a ser realizada e que junto voltaram os mais diversos tipos de barulhos.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Grade da escola é coberta por plástico para preservar o evento(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Grade da escola é coberta por plástico para preservar o evento


Moradores reclamam da situação

Maria das Graças Frota Pereira, síndica desde o dia 08 de março no condomínio Flórida Palace, situado na rua Pedro Vasconcelos, diz que problema existe há anos . “Sou síndica desde março, e moro aqui há nove anos, e esse problema desses colégios já vem rolando há muito tempo”, diz a síndica. “Eu moro do outro lado, por isso o barulho é menor, mas quem mora do lado que fica de fundos pra escola sofre bastante com a zoada que vem de lá, mas na hora dos foguetes não tem quem não escute”, disse Maria das Graças.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Na noite de segunda-feira (23) o plástico já havia sido retirado(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Na noite de segunda-feira (23) o plástico já havia sido retirado


O agente da polícia civil José Mendes também mora no condomínio Flórida Palace, e a frente da varanda de seu apartamento fica do lado que dá exatamente com os fundos das duas UE‘s. “Eu moro aqui há 6 anos e quando eu cheguei já encontrei esse problema desses dois colégios aí”, disse o agente. “A (U.E.) José Amável, que fica logo atrás do nosso condomínio, que há mais de uma não tem aula aí, então ano passado passou todo o ano na reforma. Pra aula não podia, mas pros encontros religiosos todo final de semana pode”, disse José Mendes.

Imagem: Mírian Gomes/GP1O idoso Antonio Ferreira disse não ter mais idade para suportar o barulho(Imagem:Mírian Gomes/GP1)O idoso Antonio Ferreira disse não ter mais idade para suportar o barulho


Seu Antônio Ferreira Alves, de 66 anos, mora há mais de 30 anos no local e explica que o barulho incomoda já faz muito tempo. O idoso informou também que, além das outras crianças, sua neta de 1 mês de nascida se assusta constantemente com o barulho gerado pelas bandas que tocam na escola e com os foguetes. “Da idade que eu já ‘tô’, eu já to velho demais pra aguentar essa zoada toda aqui”, diz seu Antônio, que mora duas casas após a U.E. Joca Vieira.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Dona Iolanda, com parte de sua família, também reclama da cessão das escolas para eventos(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Dona Iolanda, com parte de sua família, também reclama da cessão das escolas para eventos


Dona Iolanda Pereira da Silva, que também mora ao lado da U.E também reclama da balbúrdia gerada pelos eventos. “É final de semana, a gente quer descansar e num pode... a zoada...quando tem isso aí nos ‘colégio’”, diz a dona de casa.

O casal Carlos e Adelite Prado mora no bairro desde 1978. Eles residem na rua Pedro Conde nº225, exatamente em frente à U.E. Joca Vieira e alegam que vão vender a casa porque não suportam mais a barulheira. Eles informaram que de uns 15 a 20 anos pra cá foi que os eventos de sexta-feira a domingo começaram, cresceram e não pararam mais. “Antigamente não tinha muito esses encontros de igreja, só os da escola mesmo, e também parece que antigamente os meninos eram mais educados”, disse dona Adelite “A gente não está falando não é nem das festas da própria escola e nem do barulho da semana feito pelos alunos, estamos falando dos encontros que acontecem aos finais de semana”, disse Prado.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Prado explica que, após festas não religiosas, calçada de sua casa amanhece cheia de garrafas de bebidas(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Prado explica que, após festas não religiosas, calçada de sua casa amanhece cheia de garrafas de bebidas


George Prado, filho do casal, também falou sobre o assunto. “Na realidade a direção do colégio ainda não atentou para o fato de que aqui é uma área eminentemente residencial. A gente a semana toda correndo, trabalhando, chega o fim de semana a gente quer ter um mínimo de sossego, de ter o direito de descansar no recesso do lar”, disse. “A gente já falou várias vezes com o diretor do colégio [Joca Vieira] e ele diz que não pode fazer nada porque é uma ordem que vem da Secretaria de Educação”, completou George.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Carlos Prado, que mora em frente à U.E. Joca Vieira, vai vender a casa por causa do barulho (Imagem:Mírian Gomes/GP1)Carlos Prado, que mora em frente à U.E. Joca Vieira, vai vender a casa por causa do barulho


Abaixo assinado

Após falarem por diversas vezes com os diretores sem lograr êxito, os vizinhos das escolas fizeram um abaixo assinado direcionado para a Secretaria Estadual de Educação e Cultura – SEDUC. O documento foi assinado pelo chefe de gabinete do Secretário Átila Lira, Luíz Gonzaga Vieira, em 07 de julho de 2011. Segundo os moradores, após a entrega do abaixo assinado o problema havia sido resolvido. Porém, decorrido algum tempo, as escolas voltaram a ser cedidas para eventos.

Seduc e Gerencia Regional

Nossa equipe entrou em contato com a Seduc, que repassou os contatos da 20ª Gerência Regional de Educação – 20ªGRE. A gerente, Professora Edinéia, negou que a escola esteja disponível para cessão. “Já está proibido, já conversei com os diretores que não pode mais ceder”, informou a gerente. “Me ligaram no carnaval informando que estavam fazendo eventos de novo e na verdade já está terminantemente proibido. Vou dar uma ligadinha, nem que eu vá fazer um outro ofício informando de novo, vou tomar as providencias agora”, falou a gerente regional.

A gerente entrou em contato com os diretores e disse que o problema foi solucionado. “Conversei com eles e realmente eles cederam [as escolas]. Nova diretora da Joca Vieira, professora Livramento, não sabia que não podia ceder. A diretora anterior, professora Iranildes, não repassou a informação pra ela”, informou Edinéia.

“O diretor Luís Carlos, da Unidade Escolar José Amável, disse que tem essas parcerias com as igrejas, esses encontros quem pede o espaço é o pessoal das igrejas, e ele disse vai ficar até meio chato pra ele negar para as próprias comunidades em torno da escola que não utilizem o espaço, mas que sendo assim vai informar que não poderá mais ceder”, finalizou a gerente regional.

Confira abaixo o vídeo com o depoimento de alguns moradores do local:

Eventos realizados de sexta a domingo e escolas públicas causam transtorno a moradores


Veja o abaixo assinado feito pelos moradores:

Imagem: ReproduçãoAbaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc(Imagem:Reprodução)Abaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc

Imagem: ReproduçãoAbaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc(Imagem:Reprodução)Abaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc

Imagem: ReproduçãoAbaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc(Imagem:Reprodução)Abaixo assinado feito pelos moradores para a Seduc

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