Fechar
GP1

Piauí

Francisco de Jesus defende a capacitação de policiais para o combate à violência contra a mulher

"Vamos realizar uma capacitação voltada para nosso colegas promotores que também trabalham nessa área de atuação, assim também como os estagiários e os funcionários envolvidos", in

O promotor de Justiça Francisco de Jesus de Lima informou que a capacitação de funcionários, policiais e colegas promotores sobre o combate à violência doméstica será realizado pelo Ministério Público-MP-PI. Em entrevista concedida ao Portal GP1, Francisco de Jesus, que também é Secretário Nacional da Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher – COPEVID – escolhido pelo Colégio Nacional de Procuradores Gerais de Justiça, defende que a capacitação é essencial para o êxito do trabalho realizado por tantas pessoas pelas entidades.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Promotor com material educativo de combate à violência contra a mulher(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Promotor com material educativo de combate à violência contra a mulher

“Nós vamos realizar uma capacitação voltada para nossos colegas promotores que também trabalham nessa área de atuação, assim também como os estagiários e os funcionários envolvidos, e o público de uma forma geral que tiver interesse pelo tema”, informou o promotor. “Isso a gente vai divulgar os detalhes em um momento oportuno, já temos os recursos financeiros pra isso, né? O Ministério da Justiça já nos disponibilizou, ou seja, o nosso trabalho não é só de repressão, mas também de prevenção e educação. Num primeiro momento vamos entrar com essas políticas”, complementou o promotor.

Francisco de Jesus falou ainda sobre a capacitação dos policias. “Uma das coisas que chama muito a atenção é trabalhar uma polícia especializada, polícia militar, que é a de contato, porque às vezes esse policial, quando recebe essa notícia da agressão e se não estiver preparado não vai surtir efeito”, argumentou. “Aí é que entra aquela questão de começar a conscientização lá na base na educação, porque na cultura se educou a mulher pra não reclamar, pra aceitar, eu até brinco que a sociedade educa a mulher na seguinte linha: “Não chora nenem, não me bate meu bem e xô galinha”, ou seja, cuidar da casa, cuidar dos meninos e tanger os bichos, e o pior de todos, aceitar a agressão”, exemplificou.

Imagem: Mírian Gomes/GP1Promotor Francisco de Jesus(Imagem:Mírian Gomes/GP1)Promotor Francisco de Jesus

“Então muitos ainda vivem sob esses princípios arraigados dentro da cultura da sociedade, os homens e até as próprias mulheres vivem sob esses preceitos de que ela é quem está sempre errada, que é ela quem não deveria ter feito isso ou aquilo, que procurou apanhar, eu já vi situações em que a família mesmo diz isso”, falou Francisco de Jesus. “Às vezes estou com um processo em andamento e chega uma mãe de uma mulher agredida e diz ‘olha tira essa denúncia, a culpa é da minha filha porque o marido dela fala com ela e ela não obedece, que ela fica pegando o celular dele e ele diz pra não mexer’, tem essas e muitas outras, como ‘quem procura acha’; “Se ela foi procurar é porque queria apanhar, devia desistir disso de processar o marido, ela vai ficar sem marido’, são muitas denúncias que ocorrem esse fato”, exemplificou.

“Uma certa vez uma mãe me disse: ‘Ela vai perder o marido, e mulher sem marido não vale nada’ então é uma questão cultural que precisa ser conscientizada desde a infância. A gente tem que mudar essa cultura paulatinamente, que é com esses trabalhos todos de palestras nas escolas, capacitações, etc.”, finalizou o promotor Francisco de Jesus.

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.