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Moradores do bairro Jacinta Andrade denunciam queimadas e pedem criação de parque ambiental

Os moradores reclamam ainda que na área não existem equipamentos de lazer como quadra de esporte para a juventude.

Membros da Associação de Trabalhadores na Agricultura Familiar da Santa Maria da Codipi (ASTRAF) denunciaram ao GP1 que a área verde do bairro Jacinta Andrade está sendo desmatada.

De acordo com Anísia Teixeira, moradora do bairro e integrante da ASTRAF, o terreno que tem um total de 130 hectares de terra, pertence à Prefeitura e se trata de uma área de reserva ecológica. Ela destaca que a vegetação do local é formada por diversos tipos de palmeiras sendo possível encontrar também o caneleiro, árvore símbolo de Teresina.

Segundo ela, no local também existem animais silvestres como tatus-bolas e veados. Anísia ressalta que a construção do residencial, que compreende um total de 4.300 casas, provocou um enorme impacto ambiental e que essa é a única área verde.
Imagem: Foto: Isabela Rêgo/GP1Anísia Teixeira, integrante da ASTRAF. (Imagem:Foto: Isabela Rêgo/GP1)Anísia Teixeira, integrante da ASTRAF. 

“Nós descobrimos que existe uma associação que cobra o valor de R$3,00 para as pessoas que quiserem explorar a área. Constantemente vem pessoas aqui fazer caçadas e desmatar para levar a madeira, além de pessoas que fazem caeiras para obter o carvão”, comentou.

Segundo Anísia um grupo de voluntários tenta fiscalizar e coibir as queimadas e as caçadas,mas diz que o número é insuficiente e considera que há uma ausência do poder público no caso.
Imagem: Foto: Isabela Rêgo/GP1Vestígios de queimadas no local.(Imagem:Foto: Isabela Rêgo/GP1)Vestígios de queimadas no local.

“Nós já solicitamos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente que viabilize junto a Prefeitura o título da terra e que o prefeito faça um decreto para regulamentar a questão da proteção da área, declarando como área de reserva ecológica e estabelecendo punições para quem infringir as normas. Nossa proposta é que seja criado um centro de referência ambiental”, declarou.
Imagem: Foto: Isabela Rêgo/GP1Moradora mostra uma parte da área que já foi desmatada.(Imagem:Foto: Isabela Rêgo/GP1)Moradora mostra uma parte da área que já foi desmatada.

Os moradores reclamam ainda que na área não existem equipamentos de lazer como quadra de esporte para a juventude.

“A região da Santa Maria atualmente está tomada pelo tráfico de drogas, essa é uma área onde poderiam ser trabalhados programas para inclusão da juventude, como por exemplo, a criação de um pelotão ambiental com premiações para os jovens. Seria uma união de educação ambiental e lazer, tiraria os jovens da ociosidade e impediria de irem para o crime e paras drogas”, declarou.

O outro lado

De acordo com Dionísio Neto, gerente executivo da Seman, o referido local trata-se de uma área institucional que não pode ser desmatada. Segundo Dionísio, a Secretaria vem desenvolvendo um trabalho de conscientização e educação ambiental com moradores da região e pessoas já chegaram a ser presas no local por estarem desmatando e fazendo queimadas.
Imagem: Isabela RêgoDionísio Neto, secretário executivo da SEMAN(Imagem:Isabela Rêgo)Dionísio Neto, secretário executivo da SEMAN

“Preparamos um documento informando que é uma área institucional e que é proibido jogar lixo, desmatar, fazer corte de árvore sem autorização. Porque está sujeito a penalidades, como reclusão de dois a quatro anos ou multa. E é uma área importante para a drenagem das águas das chuvas e para o arrefecimento da temperatura e nós acreditamos que ali deva ser criado um parque ambiental. O prefeito quer criar um parque ali, mas também é uma área que pode ser desenvolvida outros trabalhos com a comunidade, como por exemplo, agricultura orgânica e a construção de um polo de reciclagem. Tem uma empresa interessada e a discussão já está acontecendo”, declarou.

Dionísio Neto destacou ainda que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente já está vendo as compensações ambientais com as construtoras dos empreendimentos ao redor. Segundo ele, parte da área verde será utilizada para a construção de um cemitério que terá um total de dez hectares e as valas serão impermeabilizadas para que não haja contaminação do solo.

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