Fechar
GP1

Piauí

Funcionário entra com ação na Justiça contra empresa Sustentare após sofrer acidente de trabalho

"Infelizmente, muitas pessoas acham que a empresa é sempre culpada, mas sempre tentamos cuidar ao máximo dos funcionários", disse Valter Carlos do setor de Recursos Humanos.

Um funcionário da empresa Sustentare Serviços Ambientais denunciou ao GP1 que depois de sofrer um acidente de trabalho em maio de 2011, teve sua licença cortada e, ao apresentar atestados que mostram que não pode mais trabalhar, acusa a empresa de negligência quanto ao seu problema e ingressou com uma reclamação trabalhista pedindo indenização pelo seu estado após o acidente.                      

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Wellington em sua residência com fardamentos da empresa(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Wellington em sua residência com fardamentos da empresa

Wellington Soares Leite, de 48 anos, conta que, por um ano, recebeu remuneração no período em que esteve de licença médica. Passado esse período, o funcionário da Sustentare Serviços Ambientais desde 2007 agora tenta na Justiça conseguir seus direitos.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Atestado médico solicitando afastamento definitivo(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Atestado médico solicitando afastamento definitivo

“Comecei no serviço de capina, de serviços gerais, era pau pra toda obra, trabalhava em galeria. No começo, entrava 6h da manhã e não tinha hora de sair, era até 16, 17h ou quando o chefe mandasse, a qualquer hora do dia. Depois que saí da capina, fui para a coleta. Depois de trinta dias que mudei de função, sofri o acidente. O motorista do carro do lixo deu uma ré em frente a lixeira do HTI e prensou meu braço contra a parede. Ele me levou para a garagem e lá tive outro acidente, eu caí naquele buraco de mecânicos de dois metros de profundidade. Um mecânico me pegou, me sentou numa cadeira e me deu um copo d’água, depois me levou numa moto até a loja que meu filho trabalha. Lá ele pediu dinheiro do mototáxi pra voltar pra trabalhar porque não podia perder o dia de serviço dele. E meu filho até disse: ‘essa empresa é irresponsável, meu pai desse jeito e nem o levou pra um hospital’. Meu filho pegou um táxi e me levou para o hospital Aliança, quando chegamos lá, meu plano estava desativado. Fui pra urgência, o médico fez um raio X e disse que eu tinha que operar porque eu tinha fraturado o braço. Eu recebi atestado e fiquei de licença”, contou.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Funcionário mostra machucados(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Funcionário mostra machucados

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Funcionário mostra machucados(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Funcionário mostra machucados

O funcionário afirma que, mesmo com atestado de que não poderia mais trabalhar, a empresa não pagou mais o salário. “Eu estava recebendo até novembro de 2012 e minha licença foi cortada, fui à empresa com atestado e mandaram eu me virar. Foi aí que contratei uma advogada que entrou com uma ação contra a empresa pra ver se fazia algum acordo, mas até agora nada”, explicou.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Laudo psiquiátrico(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Laudo psiquiátrico

“A empresa não deu posição nenhuma, minha advogada disse pra eu esperar, só que nem a empresa, nem a justiça se manifestam. Minha carteira está assinada, se eu tivesse saído da empresa tudo bem, mas não saí. Agora só sei que a empresa tinha que se manifestar em 10 dias. Eu estou desesperado, sem nada, sem medicação e sem saber o que faço. A empresa não vai me pagar, não me chama pra fazer acordo. Não estou ganhando nada e nem posso trabalhar em nada porque minha carteira está assinada, não deram baixa, aí entrei também com uma ação de aposentadoria por invalidez porque o médico me deu o atestado. Eu estava trabalhando com contêiner, no carro da coleta, pegando coisa pesada e outros funcionários da minha equipe diziam que eu não ia aguentar”, explicou.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Requerimento de benefício (Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Requerimento de benefício 

“O médico me falou que se eu pegasse peso podia estourar a veia do meu braço. Eu já escorreguei e os ossos do meu braço saíram do lugar, já tinha que fazer outra operação, mas deixei torto mesmo porque não quero fazer outra, não tenho condição. Levei cópia do laudo para minha advogada para mostrar para a empresa, só que ela vetou, não sei o que foi que aconteceu. Minha mão está cheia de ferro, fiquei com machucado no peito, perto do ombro quando me levaram para a garagem, com dores na costela, estou com uma hérnia e indo até para igreja pra ver se passa. Eu queria que a justiça ou a empresa desse uma posição. Não durmo, tenho dores por falta de remédio, dor de cabeça quase todo dia, meu nariz sangra, isso por falta de assistência da empresa, os remédios tem sido por minha conta, me deram cesta alimentícia quando adoeci só porque era referente ao período que eu já tinha trabalhado e estou aqui impossibilitado de nada”, disse Wellington.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1O funcionário mostra raixo-X do braço(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)O funcionário mostra raixo-X do braço

“Ninguém me procurou, fui para o INSS, mas o médico não me deu licença nem nada, voltei de novo, o responsável pelo setor de pessoal, Valter Carlos, disse pra eu me virar com INSS, eu disse que me botasse ao menos pra varrer, que eu trabalhava em um serviço mais leve. Sou pai de família, eu acho que está errado ele falar isso na minha cara, uma pessoa que já está passando pelo que eu estou e a empresa devia procurar um jeito de me acudir, porque quando eu estou bom e trabalhando, eu sirvo, mas e se adoeço? Fiquei doente lá, por isso fico indignado", continou.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Remédios do funcionário(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Remédios do funcionário

Wellington Soares mostrou a casa em que mora e disse que está sem condições de mandar consertar a estrutura da residência porque apenas o filho e a esposa estão trabalhando e os gastos com remédios tem sido altos. "Lá no INSS levei o atestado, mas não aceitaram, não sei o que aconteceu, o médico me mandou ir à empresa, a empresa mandou eu ir pro INSS de novo, ficou nesse vai e vem, foi quando o responsável pelo setor pessoal disse pra eu me virar e aí to me virando, minha advogada disse pra eu esperar, mas barriga seca não espera, só minha esposa e meu filho estão trabalhando e eu estou com todas as provas aqui das perícias que fiz que mostram que não posso trabalhar”, finalizou.

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Wellington mostra exames e machucados(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Wellington mostra exames e machucados

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Residência de Wellington(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Residência de Wellington

Imagem: Isabel Piauilino/GP1O funcionário mostra condições da casa(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)O funcionário mostra condições da casa

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Residência(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Residência

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Residência(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Residência

Imagem: Isabel Piauilino/GP1Residência(Imagem:Isabel Piauilino/GP1)Residência

Outro lado

O responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa, Valter Carlos, afirmou que o processo está tramitando na Vara do Trabalho de Teresina e negou que tenha dito para o funcionário “se virar com o INSS”. “Infelizmente, muitas pessoas acham que a empresa é sempre culpada, mas sempre tentamos cuidar ao máximo dos funcionários. E outra coisa, alguém ter falado para o empregado se virar é uma inverdade, a gente não trabalha dessa forma, não há esse tipo de tratamento com qualquer pessoa”, disse.

“A empresa não tem interesse nenhum em lesar qualquer funcionário, muito pelo contrário, já houve casos de pessoas que foram reabilitadas depois que demos apoio e foram colocadas em locais de trabalho condizentes com seu estado”, completou.

Valter explicou que a empresa presta os cuidados por 15 dias e depois o funcionário recebe os benefícios do INSS. “Quando ficamos sabendo já foi que o processo havia sido aberto pelo funcionário e está tramitando na Vara do Trabalho e está sendo acompanhado”, declarou.

Curta a página do GP1 no facebook: www.facebook.com/PortalGP1

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.