Fechar
GP1

Piauí

Optometristas realizam consultas e prescrevem óculos de grau de forma irregular em Teresina

Pessoas reclamam da má qualidade dos óculos prescritos pelos optometristas e do preço abusivo cobrado pela ótica responsável pelo serviço desses profissionais.

O GP1 recebeu uma denúncia de que optometristas estariam realizando consultas e receitando óculos de grau na Associação de Moradores do Bairro Cidade Jardim. De acordo com a legislação brasileira somente oftalmologistas podem prescrever óculos.

De acordo com a denúncia, o trabalho vem sendo realizado por uma ótica que leva os optometristas para a comunidade para em seguida fazer a venda dos óculos, que variam de R$ 200,00 a R$ 600,00.

Segundo a denúncia, os optometristas realizam os atendimentos em uma associação de bairro já levam óculos de grau prontos para testar nas pessoas da comunidade. Pessoas reclamam da má qualidade dos óculos prescritos pelos optometristas e do preço abusivo cobrado pela ótica responsável pelo serviço desses profissionais.

A equipe de reportagem do GP1 foi até o local e entrevistou o presidente da Associação de Moradores, Sebastião Silva. Ele confirmou a realização dos atendimentos e disse que esse trabalho já é realizado há cerca quatro anos pela ótica  na associação, sendo anterior a sua gestão. No entanto, o líder comunitário não considerou os atendimentos como ilegais.

Imagem: Isabela Rêgo/GP1Associação de Moradores do Cidade Jardim(Imagem:Isabela Rêgo/GP1)Associação de Moradores do bairro Cidade Jardim

“Não houve prescrição de óculos. Todas as pessoas atendidas que foram atendidas aqui já haviam passado anteriormente pelo oftamologista. O atendimento dos optometristas era apenas uma forma de confirmar a receita prescrita pelo médico e facilitar a compra dos óculos. Após a avaliação do profissional, a ótica apresenta os óculos prontos pra pessoa testar e depois fechar o negócio”, informou.

Questionado sobre a necessidade desse atendimento, tendo em vista que possuindo a receita o paciente precisa apenas se dirigir a uma ótica, o líder comunitário tentou se explicar.

“É uma forma de facilitar o acesso das pessoas, que nesse caso não vão precisar gastar com passagem de ônibus”, declarou.

Sebastião Silva informou que as consultas são gratuitas e que nem ele nem a Associação de Moradores recebem valor algum pelas vendas dos óculos. “Apenas cedemos o local, e também aceitamos porque já é um trabalho conhecido e procurado pela comunidade”, enfatizou.

Imagem: Isabela Rêgo/GP1Sebastião Silva, Presidente da Associação de Moradores do Cidade Jardim.(Imagem:Isabela Rêgo/GP1)Sebastião Silva, Presidente da Associação de Moradores do Cidade Jardim.

Em entrevista ao GP1, o proprietário da ótica, André Freire, confirmou que  é responsável pelos atendimentos no local. O empresário disse que sua empresa não possui um endereço fixo e que funciona no sistema de franquia e que ele contrata os optometristas para prestarem serviço antes de efetuar a venda dos óculos.

“Nós já realizamos esse trabalho há muito tempo e ninguém nunca reclamou da qualidade de nossos óculos. As consultas são gratuitas e realizadas com segurança. Não há nada de ilegal, os optometristas fizeram um curso técnico e estão aptos a fazer o exame de refração ocular, para a prescrição de óculos. Que eu saiba eles só não podem fazer cirurgias e receitar medicamentos. Inclusive, em vários países como nos Estados Unidos e na Europa seus serviços são amplamente conhecidos, só no Brasil que é essa burocracia”, comentou.

Entretanto, o empresário negou que leva os óculos prontos para serem testados nas pessoas. E afirmou que os optometristas realizam consultas e prescrevem os óculos, em contradição com o que foi dito pelo presidente da Associação de Moradores.

“Eles levam todos os equipamentos e fazem a mesma consulta que o oftalmologista faz. Isso de levar óculos prontos não existe. A verdade é que depois que acontece a prescrição do grau a pessoa nos procura para fechar a compra. Esse atendimento pode ser feito até mesmo em domicílio e nós parcelamos. Quanto ao valor varia do tipo de lente e do grau”, declarou.

O proprietário da ótica falou que estranha a denúncia, pois costuma acompanhar os clientes após a venda dos óculos e disse não ter recebido nenhuma reclamação. 

“Em todos esses anos ninguém nunca teve problema com nossos óculos. Além disso, eu sempre deixo meu contato com os clientes para eles me procurarem caso tenha alguma dificuldade de adaptação, para se for o caso nós fazermos uma nova consulta e refazer a lente. Mas óculos também é uma questão de adaptação por isso leva algum tempo”, argumentou.

Outro lado

O GP1 tentou ouvir a Presidente da Sociedade dos Oftalmologistas do Piauí, Dra. Maria de Lourdes, mas a representante não quis conceder entrevista sobre o assunto e repassou a responsabilidade para a secretária da entidade, Dra. Almira Noronha.

A equipe de reportagem procurou a médica, mas foi informada de que a mesma não poderia atender porque estava doente. Desse modo, o GP1 tentou novamente falar com a presdidente da Sociedade dos Oftalmologistas do Piauí, para saber o posicionamento da entidade perante a denúncia. A equipe de reportagem fez diversas ligações para a clínica da médica, mas a presidente não foi localizada. 


Curta a página do GP1 no facebook: www.facebook.com/PortalGP1

Mais conteúdo sobre:

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.