O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Piauí emitiu nota lamentando o falecimento do delegado maranhense Alex Aragão, encontrado morto no ultimo domingo (10), em Teresina. O texto comenta sobre uma carta escrita por ele em que relata retaliações políticas sofridas pelo exercício da profissão.
Imagem: Divulgação
Delegado Alex Aragão é encontrado morto em Teresina
Delegado Alex Aragão é encontrado morto em TeresinaO documento assinado pela presidente do Sindepol, delegada Andrea Magalhães, diz que foi pedido esclarecimento ao governador do Maranhão, Flávio Dino, sobre as supostas “penas” sofridas por Alex Aragão. Os casos de assédio moral, remoções prematuras de sem critérios também são comuns no Piauí, de acordo com o relato da delegada.
Confira a nota na íntegra:
O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Piauí vem, por meio desta, lamentar com imenso pesar e prestar condolências aos familiares e amigos do Delegado Alex Aragão Melo que foi encontrado morto, na data do último dia (10), em Teresina/PI.
Ao lado do corpo foi encontrada uma agenda com anotações em que Dr. Alex Aragão relata que a motivação para sua a morte teria sido retaliações sofridas por ele, no Estado do Maranhão, onde era delegado. Que teria sido removido, sem respaldo legal, sem ajuda de custo, após uma discussão com um advogado, há alguns meses, na cidade a qual era lotado.
Ainda em carta, pede para que seu caso sirva de exemplo e que represente o fim das retaliações políticas, ensejadoras de remoções ilegais e arbitrarias, costumeiras aos Delegados de Polícia Civil do Brasil inteiro. Cita que amava a profissão, e que foi, sem o devido processo legal, julgado e condenado, com “pena” de remoção, e que mesmo muito tendo argumentado, não fora ouvido.
Referido delegado tinha dois filhos que necessitavam de atenção especial, os quais residem nesta capital, sendo que citadas remoções inviabilizariam a assistência aos mesmos.
O SINDEPOL PIAUI pede explicações sobre o ocorrido ao Governador do Estado do Maranhão, e alerta que casos como esse, de possível assédio moral, de remoções sem critérios, prematuras e com fulcro punitivo, também são comuns no Piauí, assim como a falta de sensibilidade dos gestores para casos particulares.
Frise-se ainda o regime de escravidão que os delegados são submetidos, com excesso de carga horária, trabalhando de domingo a domingo, no interior do nosso Estado, com ausência total de descanso semanal, sem direito a férias, somado ao fato de atenderem até mais de 10 (dez) cidades, sem condições mínimas de trabalho, e sem nada receberem para tanto.
Finalmente, que seja tudo devidamente apurado e esclarecido e que sirva de reflexão à sociedade e às autoridades.
Teresina, 12 de janeiro de 2016.
Andréa da Graça Magalhães de Aquino
Presidente do SINDEPOL-PI
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