Após 12 anos de obra, o Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato foi inaugurado em 2015. A obra teve um gasto de 18 milhões de reais aos cofres públicos. Após a inauguração, que teve a presença de muitas autoridades políticas, o mesmo deveria facilitar o acesso de turistas ao Parque Nacional Serra da Capivara, conhecido como o berço do homem americano, no entanto até esta quarta-feira (17) nunca recebeu voo comercial.
Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, apenas 25 aeronaves, com cerca de 80 passageiros, passam pela pista por mês, sendo que o gasto mensal pago pelo Governo do Estado do Piauí é de R$ 150 mil.
A construção do aeroporto aconteceu durante anos de reivindicações dos pesquisadores do Parque Nacional, inclusive pela arqueóloga Niède Guidon. Acreditava-se que tanto a União, como o Estado poderiam bancar o mesmo e assim se tornar possível o incentivo do turismo no Piauí, que quanto a esse quesito, mesmo possuindo inúmeras paisagens naturais e fontes de pesquisa, não tem investido de modo eficaz nesse setor.
Atualmente, o Parque Nacional Serra da Capivara não tem manutenção para pagar os funcionários, mesmo eles tendo sido diminuídos de 270 para 240. Em entrevista para o jornal que tem circulação nacional, Niède Guidon afirmou que o atraso na obra contribuiu para a situação de descaso por parte dos poderes estadual e federal. “O aeroporto mais próximo é o de Petrolina (PE), a 350 km, e as estradas são péssimas”, afirmou.
O Parque Nacional Serra da Capivara, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco devido à concentração de sítios arqueológicos, recebe cerca de 18 mil visitantes por ano, mas o potencial seria de 5 milhões.
A chefe interina do mesmo, Maria Lucia Carvalho, afirma que a situação do local é um reflexo da crise financeira do país. “Empresas como a Petrobras, que injetavam somas razoáveis, não estão mais colaborando”, lamenta.
Outro lado
O Governo do Estado, por sua vez, afirma que o atraso da obra do aeroporto ocorreu devido atrasos no repasse do Ministério do Turismo e também devido um recurso do Ministério Público Federal (MPF), que investiga supostas irregularidades.
O Governo do Estado do Piauí oferece isenção de tarifas e subsídios às empresas e até se propôs a patrocinar os voos com publicidade na aeronave, mas o gestor Guilhermano Pires dissee que as companhias não conseguem fechar equações financeiras para realizar as operações. A expectativa é que a partir de março, uma empresa paraense de táxi-aéreo comece a operar no aeroporto de São Raimundo Nonato.
Ministério Público Federal
Em nota, o Ministério Público Federal no Piauí afirma que "as ações do MPF, no ano de 2015, em nenhum momento suspenderam a obra que se arrasta desde de 2003, inclusive tendo sido inaugurado sem a conclusão total, visto que o terminal de passageiros não foi concluído".
Confira abaixo nota na íntegra
Em referência a reportagem publicada no sítio eletrônico do portal UOL, hoje, 17/02/2016, no qual o governo do Estado do Piauí aponta como um dos fatores do atraso de 12 (doze) anos na entrega da obra, suposto embargo do Ministério Público Federal, esclarecemos:
1- O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública (3074-88.2015.4.01.4004) e ação civil de improbidade administrativa (3080-95.2015.4.01.4004) com base nos Laudos n° 339/2013, nº 354/2014 e nº 380/2014 – SETEC/SR/DPF/PI (Setor Técnico da Polícia Federal no Piauí), bem como no Laudo nº 1238/2014 – INC/DITEC/DPF do Instituto Nacional de Criminalística;
2- Os laudos foram conclusivos a apontar a existência de irregularidades na execução da obra do Aeroporto de São Raimundo Nonato – PI, constatando-se a hipótese de malversação de verba pública, no total de R$ 8.711.503,36 (oito milhões, setecentos e onze mil, quinhentos e três reais e trinta e seis centavos);
3- Os laudos apontaram ainda que a segurança de voos e passageiros encontra-se seriamente comprometida, posto que houve contaminação da massa asfáltica da pista de pouso capaz de causar a desagregação do pavimento diminuindo sua vida útil. Senão vejamos trecho transcrito do Laudo nº 1238/2014, in verbis:
“(...) a contaminação da massa asfáltica do pavimento de revestimento da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato-PI está causando a desagregação do pavimento, o que diminui sua vida útil e pode afetar a segurança de voo pela presença de pedras de brita sobre a pista de pouso e decolagem. Essas pedras em tese podem ser sugadas pelas turbinas de aeronaves, e se chocarem com as hélices do “fan” (espécie de ventilador na entrada da turbina que impulsionaria o ar para a câmara de combustão). Esses choques podem acarretar em pequenos amassamentos das hélices, e essas mossas fazem com que, quando da rotação, quantidades de ar sejam deslocadas diretamente por cada hélice danificada. Como na turbina o movimento de rotação é de altas velocidades angulares, surgem também forças de elevada intensidade, e em não havendo equilibrio entre estas, a força resultante pode acarretar danos à estrutura da turbina, comprometendo o seu perfeito funcionamento e a segurança da aeronove” (grifei)
4- As ações do MPF, no ano de 2015, em nenhum momento suspenderam a obra que se arrasta desde de 2003, inclusive tendo sido inaugurado sem a conclusão total, visto que o terminal de passageiros não foi concluído;
5- O MPF atuou para salvaguardar o patrimônio público, os bens dos envolvidos hoje estão indisponíveis pela justiça federal e a segurança dos passageiros, vidas humanas, conforme suas funções constitucionais de defesa da ordem jurídica, dos interesses sociais e individuais indisponíveis, nos termos do art. 127 da Constituição da República.
Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, apenas 25 aeronaves, com cerca de 80 passageiros, passam pela pista por mês, sendo que o gasto mensal pago pelo Governo do Estado do Piauí é de R$ 150 mil.
A construção do aeroporto aconteceu durante anos de reivindicações dos pesquisadores do Parque Nacional, inclusive pela arqueóloga Niède Guidon. Acreditava-se que tanto a União, como o Estado poderiam bancar o mesmo e assim se tornar possível o incentivo do turismo no Piauí, que quanto a esse quesito, mesmo possuindo inúmeras paisagens naturais e fontes de pesquisa, não tem investido de modo eficaz nesse setor.
Imagem: Francisco Gilásio
Aeroporto de São Raimundo Nonato
O aeroporto que deveria ser internacional, como tem no nome, não tem condição de receber voos transcontinentais devido a pista não apresentar sanções e ser curta para receber esses aviões, ou seja, não há estrutura federal de imigração e alfândega.
Aeroporto de São Raimundo NonatoAtualmente, o Parque Nacional Serra da Capivara não tem manutenção para pagar os funcionários, mesmo eles tendo sido diminuídos de 270 para 240. Em entrevista para o jornal que tem circulação nacional, Niède Guidon afirmou que o atraso na obra contribuiu para a situação de descaso por parte dos poderes estadual e federal. “O aeroporto mais próximo é o de Petrolina (PE), a 350 km, e as estradas são péssimas”, afirmou.
O Parque Nacional Serra da Capivara, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco devido à concentração de sítios arqueológicos, recebe cerca de 18 mil visitantes por ano, mas o potencial seria de 5 milhões.
A chefe interina do mesmo, Maria Lucia Carvalho, afirma que a situação do local é um reflexo da crise financeira do país. “Empresas como a Petrobras, que injetavam somas razoáveis, não estão mais colaborando”, lamenta.
Outro lado
O Governo do Estado, por sua vez, afirma que o atraso da obra do aeroporto ocorreu devido atrasos no repasse do Ministério do Turismo e também devido um recurso do Ministério Público Federal (MPF), que investiga supostas irregularidades.
Imagem: Lucas Dias/GP1
Secretário de Transportes do Piauí, Guilhermano Pires
O Secretário de Transportes do Piauí, Guilhermano Pires, afirmou que mesmo a Agência de Aviação Civil (Anac) tendo autorizado o funcionamento do aeroporto, as companhias áreas afirmam que não há demanda para operações no aeroporto de São Raimundo Nonato.
Secretário de Transportes do Piauí, Guilhermano PiresO Governo do Estado do Piauí oferece isenção de tarifas e subsídios às empresas e até se propôs a patrocinar os voos com publicidade na aeronave, mas o gestor Guilhermano Pires dissee que as companhias não conseguem fechar equações financeiras para realizar as operações. A expectativa é que a partir de março, uma empresa paraense de táxi-aéreo comece a operar no aeroporto de São Raimundo Nonato.
Ministério Público Federal
Em nota, o Ministério Público Federal no Piauí afirma que "as ações do MPF, no ano de 2015, em nenhum momento suspenderam a obra que se arrasta desde de 2003, inclusive tendo sido inaugurado sem a conclusão total, visto que o terminal de passageiros não foi concluído".
Confira abaixo nota na íntegra
Em referência a reportagem publicada no sítio eletrônico do portal UOL, hoje, 17/02/2016, no qual o governo do Estado do Piauí aponta como um dos fatores do atraso de 12 (doze) anos na entrega da obra, suposto embargo do Ministério Público Federal, esclarecemos:
1- O Ministério Público Federal ajuizou ação civil pública (3074-88.2015.4.01.4004) e ação civil de improbidade administrativa (3080-95.2015.4.01.4004) com base nos Laudos n° 339/2013, nº 354/2014 e nº 380/2014 – SETEC/SR/DPF/PI (Setor Técnico da Polícia Federal no Piauí), bem como no Laudo nº 1238/2014 – INC/DITEC/DPF do Instituto Nacional de Criminalística;
2- Os laudos foram conclusivos a apontar a existência de irregularidades na execução da obra do Aeroporto de São Raimundo Nonato – PI, constatando-se a hipótese de malversação de verba pública, no total de R$ 8.711.503,36 (oito milhões, setecentos e onze mil, quinhentos e três reais e trinta e seis centavos);
3- Os laudos apontaram ainda que a segurança de voos e passageiros encontra-se seriamente comprometida, posto que houve contaminação da massa asfáltica da pista de pouso capaz de causar a desagregação do pavimento diminuindo sua vida útil. Senão vejamos trecho transcrito do Laudo nº 1238/2014, in verbis:
“(...) a contaminação da massa asfáltica do pavimento de revestimento da pista de pouso e decolagem do Aeroporto Internacional de São Raimundo Nonato-PI está causando a desagregação do pavimento, o que diminui sua vida útil e pode afetar a segurança de voo pela presença de pedras de brita sobre a pista de pouso e decolagem. Essas pedras em tese podem ser sugadas pelas turbinas de aeronaves, e se chocarem com as hélices do “fan” (espécie de ventilador na entrada da turbina que impulsionaria o ar para a câmara de combustão). Esses choques podem acarretar em pequenos amassamentos das hélices, e essas mossas fazem com que, quando da rotação, quantidades de ar sejam deslocadas diretamente por cada hélice danificada. Como na turbina o movimento de rotação é de altas velocidades angulares, surgem também forças de elevada intensidade, e em não havendo equilibrio entre estas, a força resultante pode acarretar danos à estrutura da turbina, comprometendo o seu perfeito funcionamento e a segurança da aeronove” (grifei)
4- As ações do MPF, no ano de 2015, em nenhum momento suspenderam a obra que se arrasta desde de 2003, inclusive tendo sido inaugurado sem a conclusão total, visto que o terminal de passageiros não foi concluído;
5- O MPF atuou para salvaguardar o patrimônio público, os bens dos envolvidos hoje estão indisponíveis pela justiça federal e a segurança dos passageiros, vidas humanas, conforme suas funções constitucionais de defesa da ordem jurídica, dos interesses sociais e individuais indisponíveis, nos termos do art. 127 da Constituição da República.
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