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Piauí

Dilma fala aos teresinenses durante entrega de apartamentos

No pronunciamento, a Presidente justificou novamente o conteúdo da conversa divulgada com Lula e afirmou também que consente com as investigações para combater atos corruptos.

Durante visita do Ministro Gilberto Kassab ao Piauí, a Presidente da República, Dilma Rousseff, fez um pronunciamento ao vivo, via conferência, para os presentes na entrega de unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida. A solenidade aconteceu na bairro Distrito Industrial, na zona sul de Teresina.

No pronunciamento, Dilma Rousseff voltou a justicar o conteúdo da conversa que foi interceptada entre ex-Presidente Lula e ela. Dilma afirmou que a divulgação da conversa ou de qualquer outra não poderia ter acontecido porque quem pode permitir tal fato é o Supremo Tribunal Federal (STF).

“A mulher do ex-presidente Lula estava doente e ele não ia voltar para a cerimônia de posse, daí que eu liguei para o Lula e falei: ‘tô mandando aí no aeroporto para pegar a sua assinatura para gente usar, se você não puder voltar para a cerimônia de posse amanhã’, pois bem, essa conversa apareceu gravada, grampeada e aí é um fato grave e eu vou explicar para você porquê. Grampo na Presidência da República não é algo lícito, é algo ilícito e é previsto como crime na legislação. O grampo a minha pessoa, não é por eu ser eu, não é por eu ser Dilma, é por eu ser Presidente. No dia que eu deixar de ser Presidente, isso não vale mais para mim”, disse.

Dilma Rousseff afirmou que vai tomar todas as providências necessárias sobre a interceptação e divulgação das conversas que ela teve com Lula. “Presidente do Brasil, Presidente de qualquer país democrático no mundo, tem o que se chama de garantias constitucionais. Ele não pode ser grampeado, a não ser com autorização expressa da Suprema Corte do País. Em muitos lugares do mundo quem grampear um Presidente vai preso, se não tiver autorização judicial da Suprema Corte. E eu vou tomar todas as providências cabíveis nesse caso. Não é só por causa da Presidência da República, mas é por outro motivo: porque se eu não tomar providência, vão me grampear a vontade e daí que ninguém mais vai ter direito de cidadania no país”, afirmou.
Imagem: Lucas Dias/GP1Autoridades presentes na entrega do Residencial Orgulho Piauí(Imagem:Lucas Dias/GP1)Autoridades presentes na entrega do Residencial Orgulho Piauí
Sobre as manifestações pós e contra o seu Governo, Dilma Rousseff lembrou fatos passados sobre sua vida particular e histórica e disse que dar apoio para que essas reivindicações aconteçam.

“Eu lutei pela democracia e sou Presidente da República hoje, mas nos anos 70, eu fiquei três anos na cadeia porque naquela época ninguém podia ser contra, se manifestar contra, mas hoje nós pudemos”, frisou.

“Hoje qualquer um de nós pode ir às ruas e criticar o que quiser, falar o que quiser, só não pode ser violento, mas se manifestar e se expressar, nós conseguimos esse direito. Conquistamos também o direito de respeito ao cidadão. Cidadão tem direitos individuais que não podem ser tocados. Todos os cidadãos brasileiros têm esse direito e eu lutarei por ele até o final do meu mandato e depois dele”, complementou.

A presidente finalizou o discurso dizendo que consente com as investigações para combater atos corruptos no país e que os acusados sejam presos. “Eu sou favor do mais rigoroso combate a corrupção e aos malfeitos. Eu sou a favor que todos os corruptos que tenham crimes vão para a cadeia. Corrupto, cadeia! A única coisa que eu não sou a favor é que alguém dificulte e diga que para combater a corrupção, a democracia tem que ir junto. É possível combater a corrupção e manter a democracia. Não é só possível. É absolutamente necessário que a democracia e o direito sejam respeitados. E mais do que o direito da legislação comum, o direito previsto na Constituição que garante a cada um de nós a condição de cidadão e cidadã brasileira”, concluiu.

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